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Alicia Vikander protagoniza “Irma Vep”, minissérie de oito episódios criada, escrita e dirigida por Olivier Assayas. Disponível na HBO Max, a coprodução com a A24 revisita um filme do próprio cineasta e transforma uma filmagem em Paris numa comédia sobre desejo e criação.

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Irma Vep (2022)

Mira chega à França depois de uma decepção amorosa e de um período de insatisfação com a carreira em Hollywood. O trabalho com o diretor René Vidal promete devolver algum sentido à profissão: ela interpretará uma ladra numa nova versão de um clássico do cinema mudo. Ao redor da atriz, a equipe administra disputas, exigências e inseguranças que ameaçam ocupar mais espaço do que o filme. Aos poucos, o papel começa a interferir na maneira como Mira percebe a própria vida.

Assayas conhece o terreno e encontra humor em detalhes pouco glamourosos da produção. Uma discussão estética pode encobrir vaidade; um impasse aparentemente técnico pode revelar quem detém o poder no set. Vincent Macaigne dá ao diretor uma instabilidade que alterna convicção e desamparo, enquanto Vikander permite que Mira observe aquele ambiente sem se tornar apenas a estrangeira espantada com os costumes locais. Ela também tem interesses, desejos e uma imagem profissional a administrar.

A relação com o cinema antigo amplia a história. O personagem de Mira vem de “Les Vampires”, seriado mudo de Louis Feuillade, e o projeto retoma questões que Assayas já havia explorado no longa homônimo de 1996. As imagens e os gestos atravessam épocas, ganhando sentidos diferentes a cada interpretação. Conhecer essas referências enriquece a experiência, mas o conflito da atriz permanece acessível: ela procura um trabalho que a mobilize e descobre que essa entrega pode ultrapassar as horas de filmagem.

Os três primeiros episódios foram apresentados na seção Cannes Première do Festival de Cannes de 2022. Nos oito capítulos, o diretor dispõe de espaço para acompanhar tanto as relações profissionais quanto a intimidade que escapa ao controle da equipe. A minissérie interessa a quem gosta de cinema, mas também a quem reconhece o desgaste de representar versões de si para públicos diferentes. Sua graça está em mostrar pessoas tentando produzir uma obra enquanto mal conseguem organizar a própria existência.

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