Emma Stone, Nathan Fielder e Benny Safdie se encontram em “The Curse”, série de dez episódios disponível na Paramount+. A produção da A24 e da Showtime faz de um programa de reforma o ponto de partida para uma sátira sobre casamento, dinheiro e reputação.
The Curse (2023)
Whitney e Asher Siegel querem vender casas sustentáveis e a imagem de um casal capaz de melhorar o mundo. Em Española, no Novo México, os dois tentam conciliar o empreendimento imobiliário com um programa de televisão. O produtor Dougie percebe que as dificuldades do casamento podem render mais do que a eficiência das construções. Uma suposta maldição acrescenta inquietação ao projeto, enquanto os moradores da cidade deixam de caber no papel de beneficiários agradecidos que os protagonistas imaginam para eles.
A força da série está na distância entre o que se diz diante da câmera e o que acontece quando a conversa se prolonga. Um gesto generoso pode exigir plateia; uma preocupação social pode esconder uma negociação. O roteiro observa quanto trabalho os protagonistas dedicam a provar que são boas pessoas, inclusive um para o outro. A promessa ecológica das casas torna essa contradição concreta: é possível apresentar um imóvel como solução para a comunidade sem perguntar quem terá condições de morar nele.
Stone dá a Whitney uma segurança que precisa ser renovada a cada encontro. Fielder faz de Asher um homem atento às reações alheias, mas incapaz de controlar o efeito de suas próprias iniciativas. Safdie, também cocriador e um dos diretores de “Joias Brutas”, interpreta Dougie como alguém que reconhece rapidamente o valor televisivo de uma vulnerabilidade. O trio mantém o humor próximo do constrangimento: uma conversa pode começar banal e se tornar difícil de suportar sem que ninguém levante a voz.
A coprodução de A24 e Showtime estreou em 2023 e desenvolve sua história em dez episódios. A dimensão social passa pelo casamento e pelos negócios, sem ficar restrita aos discursos dos personagens. É uma boa escolha para quem aprecia ficções que deixam o espectador avaliar o que há de sincero em cada promessa. O interesse persiste mesmo quando a suposta maldição parece distante, porque a necessidade de ser visto como virtuoso já oferece ao casal problemas suficientes.

