Ideias como feminismo, empoderamento, liberdade de expressão e autorrespeito já foram só uma vesana utopia para as mulheres, criaturas plácidas em sua inferioridade social, até que, felizmente, elas se rebelaram. Conquistar o respeito da própria família, dos amigos, da comunidade, do Estado passava por fazer tudo quanto mandavam os homens, seus senhores e eternos donos, para o resto da vida. Muita coisa mudou, mas em algum lugarzinho na cabeça de marmanjos imaturos e perigosos resiste o pendor à subjugação das mulheres, assunto que toma corpo em “A Garota Final” com doses fartas de pessimismo e violência. Tyler Shields conduz uma discussão sempre atual em cenas nas quais a fotografia de Gregory Middleton lembra o videoclipe de alguma banda de heavy metal escandinava. Longe de arrastar tudo para o terreno do banal, esse olhar pop mantém o público mais curioso.
Quando a morte chega
Veronica poderia tornar-se uma menina frágil, mas William tem a missão de ajudá-la a reagir. Órfã desde muito pequena, ela é recrutada por William, uma figura misteriosa que faz dela uma máquina de matar, medida muito conveniente quando, doze anos depois, ela precisa bater-se com um grupo de facínoras que matam moças como ela para evitar o tédio, só por diversão. Os roteiristas Adam Prince, Stephen Scarlata e Johnny Silver conferem a Veronica a aura de justiceira que se estende por todo o filme, preparando quem assiste para um massacre. Abigail Breslin passa das cenas de luta com Wes Bentley no primeiro ato a um duelo cerebral com a gangue de Jameson, o galã-delinquente de Alexander Ludwig, conservando a tensão de Veronica e misturando angústia e serenidade. Ela é a campeã.

