Em Nova York, Andie Anderson (Kate Hudson) e Benjamin Barry (Matthew McConaughey) iniciam um namoro com dez dias de prazo, cada um por uma aposta feita no trabalho. Ela precisa fazer Ben terminar a relação para escrever uma reportagem. Ele precisa conquistá-la para assumir uma campanha publicitária de diamantes. Nenhum sabe o que o outro está tentando fazer.
Em “Como Perder um Homem em 10 Dias”, comédia romântica de 2003 dirigida por Donald Petrie, a graça começa antes mesmo do primeiro encontro. O público conhece os dois planos e percebe por que eles insistem em ficar juntos quando qualquer casal recém-formado já teria desistido. Andie acredita que precisa ser insuportável. Ben acredita que precisa aceitar tudo. Os dois saem para jantar com a tranquilidade de quem acha que está no controle.
Uma jornalista em busca de outra pauta
Andie escreve para uma revista feminina, mas gostaria de tratar de assuntos mais sérios. A chance de mudar de área vem na forma de uma coluna sobre atitudes capazes de afastar um homem em dez dias. Ela se inspira nas decepções amorosas da amiga e colega Michelle (Kathryn Hahn), escolhe Ben para a experiência e começa a anotar o que acontece entre eles.
A tarefa exige mais do que observar um relacionamento. Andie precisa provocar situações e esperar que Ben peça para ir embora. Isso dá ao trabalho dela um lado incômodo. Ben desconhece a reportagem e não pode decidir se quer participar dela. Ao mesmo tempo, Kate Hudson faz Andie parecer uma mulher capaz de perceber o absurdo do próprio comportamento. Há prazer nas provocações, mas também pressa. Se Ben continuar interessado, ela fica sem a matéria que prometeu entregar.
Uma aposta por uma campanha
Ben trabalha em uma agência de publicidade e deseja conquistar a conta de uma marca de diamantes. Duas colegas também querem a campanha. Para convencer o chefe de que pode vendê-la, ele aposta que fará uma mulher se apaixonar por ele em dez dias. Andie é a mulher escolhida, sem que Ben tenha ideia de seus planos.
Matthew McConaughey interpreta Ben com uma confiança que vai perdendo a folga a cada encontro. O publicitário precisa impressionar Andie, mesmo quando ela ocupa seu apartamento, interfere em seus programas e fala de um futuro que os dois mal tiveram tempo de imaginar. Tony (Adam Goldberg), amigo e colega de Ben, acompanha essa insistência. Para os outros, ele parece um homem apaixonado disposto a suportar qualquer coisa. Para Ben, ir embora significaria perder a campanha.
O namoro que nenhum dos dois abandona
Andie começa a agir de maneiras que espera ver descritas em sua coluna. Ela força a intimidade, exige atenção e apresenta um álbum com imagens dos filhos que os dois poderiam ter. É uma iniciativa ousada para quem acabou de conhecer alguém, e Hudson se diverte com o espanto que causa. O problema para Andie é que Ben precisa continuar ali. Quanto mais ela insiste, mais ele se empenha em parecer o namorado compreensivo.
Essa é a melhor ideia da comédia. Cada um interpreta a resistência do outro de maneira errada. Andie vê a paciência de Ben e conclui que precisa exagerar mais. Ben recebe uma nova provocação e acredita que deve provar seu interesse com ainda mais firmeza. O filme tira boas cenas desse esforço, sobretudo porque Hudson e McConaughey dão ritmos diferentes aos personagens. Ela chega cheia de iniciativas. Ele sorri, aceita e tenta esconder o cansaço.
As situações são exageradas, e algumas dependem de uma paciência difícil de acreditar fora do cinema. Ainda assim, existe uma lógica por trás da insistência dos dois. Andie quer entregar a matéria para ganhar espaço na revista. Ben quer a campanha que pode mudar sua posição na agência. O romance começa cercado por chefes, colegas e prazos. Quando algum gesto parece sincero, nem sempre é possível saber se veio de um sentimento novo ou do compromisso profissional de cada um.
Quando a aposta fica pessoal
A convivência complica os planos. Andie passa a conhecer Ben fora do ambiente em que ele tenta impressioná-la. Ben também percebe que ela tem interesses e opiniões que não cabem na personagem inconveniente apresentada nos encontros. O namoro ganha alguma leveza quando ambos deixam de representar o papel que escolheram, ainda que nenhum possa explicar por que começou a se aproximar.
“Como Perder um Homem em 10 Dias” permanece divertido por causa dessa diferença entre o que os personagens pretendem e o que fazem quando estão juntos. Petrie dá espaço para as cenas cômicas, mas confia principalmente na química dos protagonistas. Hudson torna Andie espirituosa mesmo quando ela passa do ponto. McConaughey deixa Ben charmoso sem esconder o esforço de sustentar a aposta.
A história repete a mesma provocação por tempo demais, mas recupera o interesse sempre que coloca uma escolha concreta diante do casal. Andie precisa decidir até onde levar a reportagem. Ben precisa continuar a conquista sem tratar a mulher à sua frente apenas como uma chance de promoção. Os dez dias passam, a matéria e a campanha continuam à espera, e cada encontro torna mais difícil contar a verdade.

