Em “A Hipótese do Amor”, a doutoranda Olive Smith beija um professor no campus da universidade para convencer a melhor amiga de que superou um antigo interesse amoroso. O gesto dura poucos segundos. A explicação que vem depois dá muito mais trabalho.
Olive (Lili Reinhart) descobre que Anh (Rachel Marsh), sua melhor amiga, gosta de Jeremy (Nicholas Duvernay). O problema é que Olive já havia demonstrado interesse por ele. Para afastar qualquer culpa de Anh, ela beija por impulso Adam Carlsen (Tom Bateman), professor do mesmo departamento e dono de uma reputação pouco acolhedora. Anh vê ali a prova de que Jeremy ficou no passado. Olive, que pretendia apenas ajudar a amiga, agora precisa explicar seu súbito interesse pelo homem que costuma deixar os alunos apreensivos.
Dirigida por Claire Scanlon e baseada no romance de Ali Hazelwood, “A Hipótese do Amor” parte de um engano simples, mas dá a ele consequências para todos os envolvidos. Olive quer preservar a amizade com Anh. Adam tem seus próprios motivos para aceitar a encenação. O acordo parece conveniente até exigir que os dois convivam além daquele beijo.
Um beijo difícil de explicar
A escolha de Adam é o primeiro acerto cômico da história. Olive precisava beijar alguém para que Anh acreditasse nela. Escolheu justamente um professor conhecido pela severidade, com quem não tinha intimidade. É fácil imaginar por que a amiga se convence. Também é fácil perceber o tamanho da enrascada. Para Olive, sustentar a mentira significa passar mais tempo ao lado de Adam e agir perto dele com uma familiaridade que ainda não existe.
Anh merece atenção nesse arranjo. Ela não está ali apenas para presenciar o beijo e desaparecer. É por causa dela que Olive toma uma decisão tão precipitada, e é a confiança entre as duas que fica exposta cada vez que o namoro inventado continua. Olive age por carinho, embora seu plano tenha a solidez de uma desculpa criada na hora. Reinhart faz essa mistura de generosidade e nervosismo parecer própria da personagem, sem exigir que o público considere sensata uma escolha evidentemente atrapalhada.
O professor entra no acordo
Adam aceita fingir o relacionamento porque a situação também lhe oferece uma vantagem. Os dois estabelecem regras para seguir com a história, mas nenhuma regra torna espontânea a intimidade de um casal. Olive precisa convencer os amigos. Adam precisa participar de uma aparência que combina pouco com a imagem que construiu no departamento. Quando estão juntos, cada gesto pode ser interpretado por alguém que acredita no namoro.
Bateman dá a Adam a reserva necessária para que a aproximação desperte curiosidade. Sua fama de professor intimidador chega antes dele, enquanto Olive precisa descobrir quem está por trás dela. Essa diferença sustenta boa parte da graça. Ela fala e age sob a pressão de manter a história convincente. Ele parece mais confortável em deixar que os outros tirem suas conclusões. A convivência dá a Olive tempo para observar Adam de perto, algo que jamais faria por iniciativa própria antes do beijo.
A mentira ocupa espaço demais
O filme avança quando o acordo começa a consumir o tempo dos dois. Olive queria abrir caminho para Anh e Jeremy, mas passa a ter encontros e conversas com Adam que já não cabem naquela intenção inicial. A encenação aproxima pessoas que escolheram ficar juntas por conveniência. Aos poucos, torna mais difícil saber quais atitudes ainda fazem parte do combinado.
Scanlon encontra um ritmo agradável nessa mudança. O interesse amoroso cresce a partir da convivência, enquanto a amizade de Olive com Anh continua ligada à primeira mentira. Esse cuidado impede que Jeremy seja esquecido logo depois de cumprir seu papel no mal-entendido. Ele permanece associado à razão pela qual Olive beijou Adam. Se a verdade vier à tona, Anh terá motivos para perguntar por que a amiga decidiu por ela.
Quando fingir deixa de ser simples
“A Hipótese do Amor” conhece bem o prazer de uma comédia romântica em que o público percebe a atração antes de os personagens admitirem o que sentem. Seu melhor recurso está na situação particular de Olive. Ela consegue falar sobre sentimentos alheios com coragem suficiente para beijar um professor diante da amiga, mas se atrapalha quando precisa examinar os próprios. Adam tampouco facilita sua tarefa. Quanto mais próximos ficam, mais custa tratar cada encontro como parte de um favor.
O filme diverte porque conserva algo afetuoso por baixo da confusão. Olive quer ver Anh feliz. Adam aceita permanecer ao seu lado. Ambos, porém, precisam lidar com o fato de que uma mentira contada para resolver um problema trouxe outro para dentro de suas vidas. Quando Olive volta a procurar Adam, o beijo dado por impulso já não basta para explicar por que ela deseja vê-lo outra vez.

