Na Kahndaq dos dias atuais, Adrianna Tomaz (Sarah Shahi) procura uma antiga coroa para impedir que ela caia nas mãos da Intergangue, grupo armado que domina o país. A busca desperta Teth-Adam (Dwayne Johnson), aprisionado havia quase cinco mil anos. Ele tem força para enfrentar os ocupantes, mas mata sem hesitar. Em “Adão Negro”, a população vê nele uma chance de libertação, enquanto a Sociedade da Justiça chega para conter um homem que ninguém sabe controlar.
Adrianna conhece a história de Adam antes de conhecê-lo pessoalmente. Por isso, quando a procura pela coroa a coloca em perigo, sua libertação parece oferecer uma saída para Kahndaq. Os soldados da Intergangue descobrem depressa que suas armas pouco podem contra ele. Para quem vive sob ocupação, é difícil lamentar a derrota desses homens. O problema surge quando Adam demonstra que pretende resolver qualquer ameaça com a mesma brutalidade.
Seu filho Amon (Bodhi Sabongui) fica fascinado. O menino cresceu ouvindo histórias sobre o antigo campeão de Kahndaq e agora pode conversar com ele dentro de casa. Amon tenta convencê-lo a agir como os heróis que conhece, até lhe sugere uma frase de efeito. Adam não tem paciência para esse tipo de apresentação, o que rende algumas das passagens mais divertidas do filme. Por trás da brincadeira, Amon faz uma pergunta séria. Se Adam quer defender Kahndaq, conseguirá proteger seus moradores sem pôr mais gente em perigo?
Dwayne Johnson dá ao personagem a postura de quem acordou de um sono milenar e encontrou poucas razões para gostar do presente. Sua expressão impassível combina com o desconforto de Adam diante de celulares, heróis uniformizados e regras que ele jamais aceitou. Por vezes, porém, o filme confia tanto em sua força que as lutas perdem parte da incerteza. O interesse cresce quando alguém consegue contrariá-lo com palavras, sobretudo Adrianna e Amon.
A Sociedade da Justiça entra em cena
A violência de Adam leva a Sociedade da Justiça até Kahndaq. Carter Hall, o Gavião Negro (Aldis Hodge), comanda a missão e insiste que ninguém pode executar pessoas por conta própria. Ao seu lado estão Kent Nelson, o Senhor Destino (Pierce Brosnan), Ciclone (Quintessa Swindell) e Esmaga-Átomo (Noah Centineo). O grupo chega preparado para enfrentar um homem de poderes extraordinários. Adrianna, porém, quer saber o que esses heróis farão a respeito da Intergangue.
A cobrança dá força ao desacordo entre Carter e Adam. Carter tem razão ao temer um homem que usa a morte com tanta facilidade. Adam, por sua vez, vê soldados ocupando ruas onde a Sociedade da Justiça nunca havia aparecido. O filme acerta ao deixar Adrianna no centro dessa discussão. Ela precisa proteger o filho e recuperar a coroa, enquanto dois homens poderosos disputam a autoridade para decidir o futuro de sua cidade.
Aldis Hodge interpreta Carter com firmeza, sem transformá-lo em um herói incapaz de ouvir. Pierce Brosnan oferece a Kent uma calma mais interessante. Seu personagem conhece os riscos da missão e se preocupa com o velho amigo, mesmo quando discorda dele. Já Ciclone e Esmaga-Átomo trazem energia ao grupo, embora recebam menos espaço para criar vínculos com Kahndaq. A presença dos quatro torna as batalhas maiores, mas também deixa uma pergunta incômoda. Depois de deter Adam, quem ficaria para enfrentar a ocupação?
Uma coroa disputada por todos
A Coroa de Sabbac mantém Adrianna e Amon na mira dos adversários. O artefato guarda um poder perigoso, e sua procura liga os acontecimentos do presente ao passado de Kahndaq. Adrianna tenta impedir que a coroa seja usada, enquanto Adam e a Sociedade da Justiça gastam tempo enfrentando uns aos outros. Quando a ameaça alcança sua família, a discussão entre heróis deixa de ser uma questão distante.
Jaume Collet-Serra dá velocidade a essa aventura, mas nem toda batalha recebe espaço suficiente para produzir tensão. Adam é tão poderoso que derruba muitos inimigos antes que possam oferecer resistência. As cenas ganham mais peso quando a força dele não basta para resolver o que está diante de Adrianna. Ela conhece as ruas, sabe por que procurou a coroa e tem um filho exposto às consequências de cada escolha.
“Adão Negro” funciona melhor quando permite que os moradores de Kahndaq tenham voz dentro de uma história dominada por figuras capazes de destruir prédios. Amon quer acreditar em seu campeão. Adrianna precisa de ajuda, embora saiba que libertá-lo trouxe um novo perigo. Carter tenta impedir mais mortes, e Kent percebe quanto essa missão pode custar. Entre tantas disputas, o que prende a atenção é algo simples. Quando Amon corre perigo, Adam precisa deixar de pensar apenas em seus inimigos e agir por alguém que confia nele.

