Na Massachusetts do século 19, quatro irmãs crescem durante a Guerra Civil enquanto tentam decidir que vida poderão ter quando saírem de casa. O pai está longe, servindo no Exército, e Marmee (Laura Dern) cuida de Meg (Emma Watson), Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen) e Amy (Florence Pugh) com dinheiro contado e muito trabalho. Em “Adoráveis Mulheres”, Greta Gerwig acompanha os anos em que os desejos de cada uma começam a pedir espaço fora da família.
Jo quer escrever e viver do que publica. Meg sonha em se casar e ter filhos. Amy estuda pintura e sabe que precisará de recursos para continuar. Beth prefere a companhia das pessoas próximas e a música tocada em casa. As quatro se amam, brigam, fazem as pazes e descobrem que crescer juntas não significa escolher o mesmo caminho. Gerwig conta essa história alternando a adolescência das irmãs com a vida adulta, quando cada decisão já cobra seu preço.
Jo tenta viver da escrita
Anos depois de deixar Massachusetts, Jo mora em Nova York e leva suas histórias aos editores. Precisa do pagamento para se sustentar, mas publicar exige aceitar opiniões alheias sobre o que escreveu. Saoirse Ronan faz de Jo uma jovem impaciente, engraçada e, por vezes, difícil de acompanhar. Ela fala depressa porque suas ideias chegam antes de encontrar alguém disposto a ouvi-las.
As lembranças da casa dos March dão outra dimensão a essa fase. Quando era adolescente, Jo escrevia peças e reunia as irmãs para representá-las. Havia espaço para inventar, errar e começar outra vez. Em Nova York, cada página passa pelas mãos de um editor, e a liberdade que ela procurou depende também de dinheiro. Gerwig torna essa diferença palpável sem tirar de Jo o entusiasmo pelo trabalho.
Meg faz suas próprias contas
Meg (Emma Watson) escolhe se casar com John Brooke (James Norton), mesmo sabendo que os dois terão uma renda modesta. Ela deseja uma família, mas também gosta de roupas bonitas e se ressente quando precisa abrir mão de coisas que antes podia admirar sem pensar no preço. O casamento não apaga esses desejos. Obriga Meg e John a conversar sobre gastos, expectativas e o tipo de vida que conseguem manter.
A irmã mais velha poderia ser tratada apenas como contraponto à independência de Jo. Gerwig lhe dá razões próprias. Meg não precisa querer a carreira da irmã para merecer respeito por sua escolha. Emma Watson interpreta bem o desconforto de alguém que ama a vida que construiu e ainda sente falta de certas possibilidades. Dentro de casa, o orçamento chega às conversas mais íntimas.
Amy leva a pintura a Paris
Amy (Florence Pugh) viaja para Paris com a tia March (Meryl Streep), uma mulher rica que pode custear seus estudos e também opinar sobre seu futuro. A jovem quer pintar, frequenta museus e observa artistas mais experientes. Logo precisa considerar uma pergunta pouco romântica. Seu trabalho poderá sustentá-la?
Amy conhece o peso do dinheiro porque cresceu sem ele. Fala de casamento com uma franqueza que incomoda, embora sua tia já esteja fazendo planos semelhantes por ela. Florence Pugh lhe dá ambição, insegurança e uma boa dose de ironia. A antiga rivalidade com Jo também ganha corpo nessa fase. Amy está cansada de ser vista como a criança que vinha atrás da irmã com um pincel na mão.
Laurie conhece as quatro irmãs
O vizinho Theodore “Laurie” Laurence (Timothée Chalamet) se aproxima da família March e passa a frequentar a casa. Torna-se amigo de Jo, participa das brincadeiras das irmãs e conhece aquele cotidiano antes que todas sigam caminhos distintos. A intimidade entre os dois desperta expectativas que Jo não sabe se deseja corresponder. Ela gosta de Laurie, mas receia perder o espaço que procura para escrever e viver por conta própria.
Chalamet e Ronan dão leveza a essa amizade. Laurie tem acesso fácil à casa e à atenção de Jo, mas não consegue decidir sozinho o futuro dos dois. Gerwig deixa que o afeto conviva com o desencontro, sem transformar Jo numa pessoa fria por hesitar. Para ela, aceitar uma vida ao lado de alguém também significa pensar no trabalho que talvez precise abandonar.
Beth chama a família para casa
Beth (Eliza Scanlen) fala menos que as irmãs, mas permanece no centro da vida doméstica. Sua saúde preocupa a família e faz Jo olhar novamente para Massachusetts, agora que construiu uma rotina longe dali. Marmee acompanha as filhas enquanto cada uma tenta conciliar seus planos com a vontade de estar perto de Beth. A distância entre as irmãs, antes medida por viagens e cartas, passa a pesar nas decisões de todos os dias.
É nesse convívio que “Adoráveis Mulheres” ganha força. Gerwig observa mulheres que se conhecem o bastante para ferir umas às outras numa discussão e para perceber quando alguém precisa de companhia. O filme tem afeto pela casa March, mas presta a mesma atenção à vida que espera cada irmã do lado de fora. Jo ainda precisa vender suas histórias, Meg cuidar das despesas da família e Amy escolher o que fazer com a oportunidade em Paris. Todas têm alguém a quem voltar, mesmo quando partir é a única maneira de buscar o que desejam.

