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Em 1988, o policial Thomas Lockhart (Boyd Holbrook) investiga mortes misteriosas na Filadélfia porque acredita que o caso pode lhe abrir as portas da divisão de detetives. A suspeita é uma mulher que desaparece sem deixar uma explicação convincente. Nove anos depois, crimes semelhantes voltam a acontecer, e a ambição inicial de Lockhart já deu lugar a uma pergunta que ele não consegue abandonar.

Dirigido por Jim Mickle, “Sombra Lunar” começa com a energia de uma investigação policial. Lockhart está disposto a trabalhar além do que lhe pedem, seguir pistas e provar seu valor. Maddox (Bokeem Woodbine), seu parceiro, acompanha os primeiros passos do caso, embora ambos tenham poucas informações para ligar as vítimas à mulher que procuram, interpretada por Cleopatra Coleman. Quanto mais avançam, menos a versão dos fatos cabe num relatório policial.

Uma investigação que começa em 1988

Lockhart ainda tem uma vida fora do trabalho, e é isso que dá peso à sua insistência. Há uma família esperando por ele enquanto a polícia tenta descobrir quem está por trás das mortes. Para o personagem, encontrar a suspeita significaria impedir novos crimes e conquistar o reconhecimento profissional que deseja. O problema é que ela parece saber coisas que seus perseguidores desconhecem. Quando desaparece, deixa o caso sem solução e o policial sem uma história que consiga contar por inteiro aos colegas.

A primeira parte é a mais ágil. Lockhart corre atrás de uma pessoa concreta, e cada informação obtida pode mudar o rumo da busca. Mickle aproveita bem essa urgência. O espectador sabe pouco mais que o investigador, o que torna seus erros compreensíveis, mesmo quando ele insiste além da prudência. Holbrook dá ao personagem uma mistura convincente de confiança e aflição. Lockhart quer ser levado a sério, mas precisa admitir que não sabe explicar o que viu.

Os crimes voltam nove anos depois

Em 1997, novas mortes semelhantes dão a Lockhart um motivo para reabrir suas suspeitas. A repetição sugere que ele não estava enganado ao ligar os casos, mas não resolve o enigma. A mulher reaparece após nove anos, e o intervalo desafia qualquer tentativa simples de identificá-la ou prever seus passos. Para Lockhart, o retorno é também uma oportunidade perigosa. Ele pode finalmente obter respostas, desde que consiga alcançá-la antes que ela desapareça outra vez.

A passagem do tempo muda o sentido da perseguição. O policial já não procura apenas a promoção que desejava em 1988. Ele precisa justificar os anos dedicados a uma hipótese difícil de demonstrar, enquanto sua ligação com a família sofre com a atenção dada ao caso. Maddox conhece sua história e oferece algum apoio, mas acompanhar a investigação não significa partilhar todas as certezas do parceiro. Lockhart fica cada vez mais dependente de uma nova ocorrência para provar que vale a pena continuar.

É nessa espera que “Sombra Lunar” ganha uma tensão mais triste. Nove anos são tempo suficiente para uma pessoa construir uma vida, perder intimidade com alguém ou se tornar quase irreconhecível para quem ficou por perto. Lockhart usa esse período para procurar respostas, mas a suspeita escolhe quando volta a aparecer. Ele pode se preparar para o próximo encontro. Não pode recuperar os dias que entregou ao caso.

O mistério muda de dimensão

A ficção científica entra na história quando as circunstâncias dos crimes resistem às explicações que a polícia poderia aceitar. Mickle deixa Lockhart preso a uma dificuldade bem concreta. Para seguir investigando, ele precisa convencer outras pessoas de algo que mal consegue descrever. Essa escolha aproxima o público do personagem, embora algumas perguntas permaneçam em aberto por tempo demais. Em certos trechos, a insistência de Lockhart parece sustentar a investigação mais do que as pistas disponíveis.

Cleopatra Coleman ajuda a manter o interesse pela mulher perseguida. Sua personagem tem um objetivo próprio, ainda desconhecido pelo policial, e essa diferença de informação torna os encontros entre os dois mais interessantes que uma simples caçada. Lockhart tenta detê-la para impedir outras mortes. Ela age com a segurança de quem conhece uma parte da história à qual ele ainda não teve acesso. Revelar mais sobre essa relação tiraria do filme uma descoberta que merece acontecer diante da tela.

“Sombra Lunar” deixa a estranheza nascer das decisões de Lockhart. Ele segue uma pista, perde a suspeita e precisa esperar anos pela próxima chance. Nem todas as peças do mistério recebem o mesmo cuidado, e a mistura de investigação criminal com ficção científica pede alguma tolerância do espectador. Ainda assim, há força na história de um homem que começa perseguindo uma promoção e, a cada retorno dos crimes, arrisca perder mais uma parte da vida que tinha antes deles.


Filme: Sombra Lunar
Diretor: Jim Mickle
Ano: 2019
Gênero: Ação/Crime/Drama/Ficção Científica/Mistério
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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