Relações humanas começam e terminam das maneiras mais inusitadas, ninguém está a salvo dos diversos infortúnios com que nos regala o destino e a vida sempre pode mostrar-se-nos especialmente cruel, sobretudo depois que os anos ficam bem mais rápidos que os dias. Levanta-se um tempo de novos significados para coisas arcaicas, hora de tomarmos consciência de que tudo é, sim, efêmero, de que estamos de fato sós e que por mais prazerosa que esteja sendo a viagem, a próxima estação pode ser a derradeira. Juntando melodrama à exposição de belos corpos, Carlson Young chega ao formulaico “O Último Nascer do Sol”, um romance com pitadas de drama que vence pelo cansaço. Young encadeia momentos festivos de um encontro de almas calorosas com um infortúnio, mas acaba resvalando numa pletora de clichês já explorados com muito mais profundidade em “A Cinco Passos de Você” (2019), dirigido por Justin Baldoni, ou “A Culpa É das Estrelas” (2014), levado à tela por Josh Boone.
Carpe diem
Todos apresentamos definições sempre muito precisas quanto a conceituar o amor — que se encarrega de desmontá-las, enquanto tentamos entender a lógica que o rege. Conforme o primeiro ato se desenrola, arrisca-se que Oriah Pera tem uma vida invejável, mas de perto ninguém é feliz. Dançarina aplicada e talentosa, Oriah não esmorece diante da esclerose tuberosa, malgrado sua saúde se deteriore a olhos vistos. Durante uma viagem a Maiorca, ilha na porção espanhola do Mediterrâneo, a doença a fustiga com uma convulsão enquanto ela se apresentava, e agora ela precisa decidir se submete a uma cirurgia que pode afetar sua memória ou aumenta a dosagem dos remédios, ficando vulnerável a graves instabilidades emocionais. Anna Klassen adapta o livro homônimo de Anna Todd de modo a estimular o público a torcer para que a moça tenha sua recompensa, e ela vem na figura de Julián, um pescador local. Maia Reficco e Fernando Lindez seguram as pontas até o final — feliz, claro. Tudo tão óbvio!

