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1 — Prefiro escrever na parte da manhã. Também escrevo à tarde, mas menos vezes. Dificilmente o faço à noite. Para mim, aquela ideia do escritor virando noites para escrever o seu livro não faz o menor sentido. De noite eu prefiro ficar com insônia pensando que a história que estou escrevendo não faz o menor sentido.

2 — Hoje em dia só escrevo no computador, mas já escrevi em cadernos usando canetas. Os textos ficavam tão riscados que eu era obrigado a escrever tudo de novo e, às vezes, não dava para entender o que estava no original.

3 — Também já tentei escrever a lápis para poder apagar. Mas, de tanto apagar, a borracha ficava suja e manchava o texto inteiro, que ficava ininteligível!

4 — Uso computador há tanto tempo que atualmente tenho até dificuldade para escrever à mão em letra cursiva. A minha caligrafia está tão ruim que muitas vezes os meus escritos parecem uma receita de médico e é preciso ir a uma farmácia para o farmacêutico decifrar o que está escrito.

5 — Em tempos idos cheguei a comprar uma máquina de escrever elétrica, uma maravilha da tecnologia da época. O problema é que eu não era um bom datilógrafo e tinha uma certa dificuldade para usar. Preferia escrever à mão e pedir para alguém datilografar. Mas isso foi no século XX.

6 — A partir do advento do computador, ou seja, há muito tempo, eu passei a digitar em vez de datilografar. A vantagem de usar o processador de texto é que dá para voltar atrás e ele ainda corrige alguns erros de ortografia. Ele só não corrige texto ruim, mas isso é uma questão de tempo com o advento da IA. Só restará a discussão sobre o que será considerado um texto ruim.

7 — A página em branco é sempre um tormento, seja num caderno, numa folha solta ou na tela do computador. Para o escritor encarar aquele vazio de texto, sem saber como começar, é sempre difícil. Mas essa sensação não melhora muito depois que começamos a escrever e a página não está mais em branco, porque, depois de cada frase, a página continua vazia.

8 — Já reescrever é sempre mais agradável. Reler o que foi escrito e ir consertando é uma atividade menos dolorosa. O problema é que, às vezes, eu reescrevo tanto, mudo tanto, que o texto perde o sentido e é preciso voltar atrás e começar de novo.

9 — Qualquer motivo é bom para fugir da escrita. Escrever é uma luta contra a procrastinação. Até lavar louça, às vezes, é motivo para uma fuga de uma frase difícil. Basta uma frase complicada e lá vou eu assistir a alguns vídeos engraçadinhos no TikTok e no Reels. Esses aplicativos viraram inimigos do escritor; mesmo assim, eu não os apaguei do meu celular. Se fizesse isso, teria que encarar de frente cada frase complicada.

10 — Escrever é muito bom! Eu adoro; é a parte mais legal do trabalho do escritor. Mesmo com todos os complicadores, com todo o sofrimento, com todas as dúvidas, escrever é o que gosto de fazer! Já publicar e divulgar é mais complicado.

PS — Conhece os meus livros? O último foi “A Piscina do Meu Pai”, que já teve até resenha aqui na Bula. Se quiser comprar o livro físico, é só acessar www.betosilva.com.br ou comprar o e-book na Amazon.

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