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Em “Linha de Ação”, ex-policial investiga o prefeito de Nova York durante uma eleição marcada por assassinato, corrupção e interesses milionários Billy Taggart (Mark Wahlberg), um ex-policial afastado da corporação, recebe uma proposta do prefeito de Nova York às vésperas da eleição municipal. Nicholas Hostetler (Russell Crowe) oferece US$ 25 mil para que ele descubra com quem sua esposa se relaciona. Endividado e com poucos clientes, Billy aceita o trabalho. O serviço parece simples, mas as fotografias obtidas pelo investigador abrem caminho para um crime e revelam uma disputa política muito maior.

“Linha de Ação”, dirigido por Allen Hughes, começa sete anos antes dessa contratação. Billy Taggart ainda trabalha na polícia quando mata Mikey Tavarez, homem acusado de estuprar e assassinar uma adolescente. O caso chega ao tribunal e ameaça encerrar sua carreira, pois existem indícios de que o disparo não ocorreu em legítima defesa.

O chefe de polícia Carl Fairbanks (Jeffrey Wright) conhece uma testemunha capaz de comprometer Billy. As provas, porém, desaparecem após a interferência de Nicholas Hostetler. O juiz arquiva o processo, mas o prefeito obriga o policial a deixar o departamento. Billy conserva a liberdade e perde o distintivo, o emprego e a autoridade que sustentava sua vida.

Passados sete anos, ele trabalha como detetive particular e mora com Natalie Barrow (Natalie Martinez), uma jovem atriz. Sua agência atravessa uma crise financeira, enquanto Katy Bradshaw (Alona Tal), secretária bastante mais organizada que o patrão, tenta cobrar clientes inadimplentes. As contas se acumulam e Billy já não pode escolher os serviços que aceita. Hostetler conhece essa fragilidade quando o chama ao gabinete.

O prefeito encomenda uma vigilância

Nicholas Hostetler afirma que Cathleen Hostetler (Catherine Zeta-Jones) mantém um relacionamento extraconjugal. Ele teme que a informação chegue à imprensa e prejudique sua campanha pela reeleição. Billy recebe metade do pagamento e começa a seguir a primeira-dama por hotéis, restaurantes e ruas de Nova York.

A vigilância leva o detetive até Paul Andrews (Kyle Chandler), coordenador da campanha de Jack Valliant (Barry Pepper), adversário de Hostetler. Valliant lidera as pesquisas e promete barrar um controverso projeto imobiliário defendido pela prefeitura. O suposto amante, portanto, pertence ao grupo político com maior interesse em retirar Hostetler do cargo.

Cathleen percebe que está sendo observada e alerta Billy sobre as intenções do marido. Ela sabe que as fotografias possuem utilidade política, embora o investigador ainda acredite estar documentando uma infidelidade. Pressionado pelas dívidas, ele entrega o material e recebe o restante do dinheiro. A agência respira, mas a informação chega ao prefeito no pior momento possível para Paul.

As fotografias ganham outro peso

Paul Andrews é assassinado pouco depois. O que parecia uma investigação conjugal passa a envolver uma morte ligada à campanha eleitoral. Billy reconhece que suas fotografias ajudaram Hostetler a localizar o coordenador e percebe que foi usado. O dinheiro, antes recebido como salvação, torna-se uma prova incômoda de sua participação involuntária.

Ele decide investigar o assassinato e retorna aos lugares percorridos durante a vigilância. O problema está na diferença de forças. Hostetler possui acesso à prefeitura, à polícia e a pessoas capazes de controlar documentos. Billy conta com Katy, alguns contatos antigos e uma persistência que frequentemente chega antes do bom senso.

Mark Wahlberg trabalha bem essa combinação de culpa e teimosia. Seu Billy não possui o brilho elegante dos detetives clássicos. Ele erra, bebe demais, compra brigas e demora a perceber a dimensão do serviço aceito. Há algo de humano nessa falta de refinamento, embora o roteiro por vezes facilite descobertas importantes para mantê-lo perto dos homens mais poderosos da cidade.

Russell Crowe transforma Hostetler em um político cordial até quando ameaça alguém. O prefeito distribui sorrisos, elogios e apertos de mão com a serenidade de quem raramente escuta uma negativa. Catherine Zeta-Jones oferece a Cathleen uma presença mais complexa do que a figura da esposa infiel sugerida pelo marido. Ela guarda informações, protege Paul e tenta impedir que Billy entregue peças valiosas ao gabinete.

A eleição esconde outra disputa

A morte de Paul está relacionada a Bolton Village, um conjunto habitacional envolvido numa operação imobiliária milionária. Hostetler defende a venda da área e apresenta o acordo como renovação urbana. Jack Valliant procura impedir o negócio, pois moradores podem perder suas casas enquanto investidores obtêm ganhos expressivos.

Billy precisa descobrir de que maneira Paul, Cathleen e o projeto estão ligados. Cada documento recolhido aumenta sua exposição e diminui o tempo disponível antes da votação. Carl Fairbanks também retorna ao centro da história. O chefe de polícia conhece tanto o passado de Billy quanto os métodos de Hostetler, mas qualquer ajuda pode colocar sua própria autoridade em risco.

Allen Hughes mantém a investigação acessível mesmo quando o roteiro reúne corrupção policial, campanha eleitoral, chantagem e especulação imobiliária. Algumas coincidências deixam a apuração mais conveniente do que deveria. Certos personagens também entram com grande importância e recebem pouco espaço. Ainda assim, “Linha de Ação” preserva o interesse ao transformar uma suspeita de adultério numa rede de favores políticos e crimes.

A vida pessoal de Billy também sofre. Natalie participa de uma produção cinematográfica e enfrenta a reação agressiva do namorado diante de seu trabalho. A bebida piora a discussão e expõe um homem ainda preso ao episódio que encerrou sua carreira. Essa parte acrescenta vulnerabilidade ao protagonista, embora permaneça afastada do núcleo político durante boa parte do longa.

Um policial fora da polícia

“Linha de Ação” funciona melhor quando coloca Billy diante das consequências de suas próprias escolhas. Ele matou um suspeito, aceitou a proteção do prefeito e, anos depois, recebeu dinheiro do mesmo homem. Sua busca por provas nasce também da necessidade de interromper uma dívida que nunca deixou de existir.

A direção de Allen Hughes privilegia gabinetes, corredores, estacionamentos e ruas noturnas, espaços onde informações mudam de mãos longe dos eleitores. A ação física ocupa menos espaço do que o título brasileiro sugere. O suspense depende mais de fotografias, contratos e gravações do que de perseguições. Quem espera duas horas de Wahlberg distribuindo socos pode estranhar, mas a trama oferece uma briga política mais interessante.

“Linha de Ação” traz uma história envolvente sobre um investigador que entra num serviço pelo pagamento e descobre tarde demais o verdadeiro valor das imagens que produziu. Billy precisa escolher quanto está disposto a perder para enfrentar o homem que salvou sua liberdade e destruiu sua carreira. A decisão coloca seu passado de volta ao tribunal e entrega às provas um destino que já não depende apenas dele.


Filme: Linha de Ação
Diretor: Allen Hughes
Ano: 2013
Gênero: Ação/Crime/Drama/Mistério/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fer Kalaoun

Fer Kalaoun é editora na Revista Bula e repórter especializada em jornalismo cultural, audiovisual e político desde 2014. Estudante de História no Instituto Federal de Goiás (IFG), traz uma perspectiva crítica e contextualizada aos seus textos. Já passou por grandes veículos de comunicação de Goiás, incluindo Rádio CBN, Jornal O Popular, Jornal Opção e Rádio Sagres, onde apresentou o quadro Cinemateca Sagres.

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