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Resolvi fazer um exercício de check-up mental, dar uma checada rápida em cada parte do meu corpo, e o que eu concluí foi isso:

Olhos — Uso dois óculos, um de leitura e outro para longe. Preciso dirigir usando óculos, está escrito na minha carteira. De vez em quando, eu me engano, pego os óculos de longe para tentar ver de perto, ou vice-versa, e não enxergo nada direito. Confesso que, às vezes, faço isso de propósito para não enxergar a realidade mundial.

Ouvidos — Acho que escuto bem. Não percebo perda de audição ainda. Mas, às vezes, quando escuto algum sucesso sertanejo, eu finjo que estou perdendo a audição. Por outro lado, quando escuto a explicação de algum deputado para ter guardado milhões de reais em dinheiro vivo em sua casa, eu acho que não estou escutando direito.

Cabelos — Acho que não vou ficar careca, mas sinto que os fios estão se esforçando cada vez mais para permanecerem na cabeça. A verdade é que os meus cabelos estão cada vez mais parecidos com as eleições brasileiras: muitos brancos e nulos.

Pele — Pego pouco sol e uso protetor solar, mas o tempo que fiquei exposto ao sol sem proteção quando eu tinha vinte anos está cobrando a conta, e pareço a seleção brasileira: muitas vezes rolam umas perebas. Assim que uma aparece, eu trato logo de ir ao dermatologista para tirar fora, antes que cause problema. Exatamente o contrário do que o Ancelotti fez com os perebas da nossa seleção.

Coração — Levei um susto há alguns anos e coloquei um stent no coração. Hoje, aparentemente, estou bem do coração, meu colesterol está sob controle, assim como a inflação no Brasil, nos dois casos graças principalmente a alguns remédios. Tenho que me cuidar, porque coração de tricolor leva muito susto.

Cabeça — Acho que a cabeça está boa, ando esquecendo de algumas coisas, mas só o que não interessa, é uma espécie de memória seletiva. Acho que não sou candidato a ter aquela doença… Como é mesmo o nome dela? Aquela que a gente esquece tudo… Al alguma coisa. Al… Al… Al Hilal! Isso, não disse que lembrava o nome do time que o Fluminense venceu na Copa de Clubes?

Barriga — A minha companheira mais antiga, minha barriga, me acompanha desde garoto. Sempre comigo, às vezes enorme, outras vezes só grande, mas ela está sempre lá. Ultimamente, ela diminuiu, deu uma estabilizada, mas continua firme e forte, quer dizer, nem tão firme assim, meio flácida. Assim como o STF, a minha barriga precisa de um código de ética, ela não pode aceitar tantos almoços e jantares.

Coluna — A minha lombar gosta de chamar a atenção. De vez em quando, ela dá um chilique e me deixa uma semana meio torto. Quase sempre a culpa é minha, que resolvo me abaixar para pegar coisas pesadas, como se fosse um fisiculturista. Ultimamente, a lombar anda quietinha, mas sei que é preciso tomar cuidado, pois ela é que nem a democracia: se não cuidar, pode ser atacada a qualquer momento.

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