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Nos Estados Unidos, Mike Banning tenta provar sua inocência após ser acusado de atacar o presidente que jurou proteger. Dirigido por Ric Roman Waugh, “Invasão ao Serviço Secreto” acompanha Mike Banning (Gerard Butler), experiente agente responsável pela segurança do presidente norte-americano Allan Trumbull (Morgan Freeman). Depois de sobreviver a um atentado que deixa o chefe de Estado hospitalizado, Banning passa de sobrevivente a principal suspeito. Perseguido pelo FBI e afastado do Serviço Secreto, ele precisa descobrir quem preparou as provas contra seu nome antes que os verdadeiros responsáveis alcancem o restante do governo.

Mike Banning salvou o presidente e impediu ataques de grande escala nos dois filmes anteriores da franquia. Sua fama de homem quase indestrutível, porém, já não combina com a realidade. Ele sente dores nas costas, sofre com insônia e depende de medicamentos para continuar trabalhando. A possibilidade de assumir a direção do Serviço Secreto surge como reconhecimento profissional, mas também exige condições físicas que Banning tenta esconder.

Durante um treinamento nas instalações da empresa militar Salient Global, o agente percebe que seus reflexos continuam eficientes, embora cada esforço deixe marcas. O local pertence a Wade Jennings (Danny Huston), antigo companheiro dos tempos de Exército e um dos poucos homens com quem Banning parece baixar a guarda. A amizade oferece apoio num período delicado, enquanto o agente decide se aceita um cargo de comando ou preserva a rotina que conhece.

Allan Trumbull confia em Banning e considera promovê-lo. Morgan Freeman interpreta o presidente com a serenidade habitual, sem transformar cada ordem numa cerimônia nacional. Banning, por sua vez, hesita em contar a verdade sobre a própria saúde. Se admitir a gravidade das dores, pode perder o trabalho. Se continuar escondendo o problema, arrisca falhar quando sua presença for indispensável.

Um ataque muda a história

A situação muda durante uma pescaria presidencial. Um grupo de drones armados avança sobre a equipe de segurança e transforma o passeio numa operação mortal. Banning consegue proteger Trumbull, mas ambos ficam feridos. O presidente entra em coma, enquanto o agente desperta num hospital sob custódia federal.

As provas reunidas apontam para Banning. Registros eletrônicos, dados bancários e materiais localizados pelos investigadores sustentam a suspeita de que ele teria participado do planejamento. A agente do FBI Helen Thompson (Jada Pinkett Smith) assume o caso e trata as evidências com a seriedade exigida por uma tentativa de assassinato presidencial. Para ela, a experiência de Banning no Serviço Secreto aumenta sua capacidade de organizar o atentado.

A acusação possui uma ironia cruel. Tudo o que transformou Banning num protetor eficiente passa a ser usado contra ele. O conhecimento sobre rotas, protocolos e segurança presidencial deixa de abrir portas e começa a fechar sua defesa. Gerard Butler interpreta essa mudança com menos pose heroica e maior cansaço. Seu personagem continua capaz de enfrentar grupos armados, mas agora precisa fazer isso enquanto sente dor, teme pela família e carrega o peso de uma culpa fabricada.

A fuga começa sem aliados

Banning foge da custódia porque sabe que permanecer preso oferece tempo aos responsáveis pelo ataque. A decisão agrava sua situação diante do FBI, que passa a tratá-lo como fugitivo perigoso. Sem distintivo, equipe ou acesso aos arquivos do governo, ele tenta localizar a origem das provas e descobrir quem teria recursos para organizar uma ofensiva daquela dimensão.

Helen Thompson fecha estradas, mobiliza agentes e acompanha qualquer contato realizado pelo suspeito. Banning conhece os procedimentos usados na caçada porque passou a vida trabalhando ao lado das pessoas que agora o procuram. Essa familiaridade ajuda em alguns momentos, mas também permite que os investigadores antecipem seus caminhos. Cada ligação pode revelar sua localização. Cada pessoa procurada por ele corre o risco de entrar no caso.

Ric Roman Waugh mantém boa parte da tensão nessa perseguição desigual. Banning precisa investigar enquanto foge, sem poder permanecer muito tempo no mesmo lugar. O suspense ganha força quando a história aproxima interesses militares das decisões da Casa Branca. O presidente permanece hospitalizado, o país exige uma resposta e outras autoridades ocupam o espaço deixado por Trumbull.

Um pai preparado para a guerra

Sem muitas opções, Banning procura Clay Banning (Nick Nolte), seu pai, um veterano que vive isolado e cercado por armadilhas. Os dois carregam anos de afastamento e ressentimento. Clay abandonou a família depois de voltar da guerra e transformou a desconfiança em estilo de vida. Receber o filho perseguido pelo governo está longe de ser uma reunião familiar tranquila.

Nick Nolte traz uma energia divertida ao filme sem transformar Clay num alívio cômico fora de lugar. O personagem reclama, provoca e demonstra afeto de maneira pouco convencional. Em vez de abraços demorados, oferece abrigo, armas e um terreno preparado para visitantes hostis. Para aquela família, carinho e munição ocupam prateleiras vizinhas.

O reencontro também permite que Mike reveja a própria relação com Leah Banning (Piper Perabo) e com a filha. Ele deseja proteger as duas, mas qualquer contato pode levá-las até seus perseguidores. A distância deixa de ser apenas parte do trabalho e vira uma escolha dolorosa. Ao tentar preservar a família, Banning também entrega a Leah horas de medo e poucas informações sobre o que realmente aconteceu.

A guerra entra no governo

A investigação aproxima Banning de empresas privadas interessadas em contratos militares e de autoridades dispostas a usar o atentado para defender novos conflitos. Wade Jennings conhece os métodos do antigo companheiro, enquanto o vice-presidente Martin Kirby (Tim Blake Nelson) assume o comando durante a internação de Trumbull. O caso passa a envolver poder político, dinheiro e acesso às decisões presidenciais.

“Invasão ao Serviço Secreto” preserva o gosto da franquia por tiroteios, perseguições e ameaças contra o governo norte-americano. Algumas sequências carregam no barulho, e certos personagens existem apenas para empurrar Banning até a próxima emboscada. Ainda assim, o desgaste físico do protagonista acrescenta alguma humanidade à ação. Ele cai, sente dor e depende de ajuda, algo quase revolucionário para um herói que passou dois filmes sobrevivendo ao impossível.

Gerard Butler sustenta bem essa versão cansada de Mike Banning. O ator mantém a presença física exigida pelo papel, mas permite que o medo atravesse a aparência de soldado infalível. Morgan Freeman oferece autoridade a Trumbull, enquanto Jada Pinkett Smith dá firmeza à investigação federal. Danny Huston e Nick Nolte representam lados diferentes do passado militar que Banning tentou deixar guardado.

Ric Roman Waugh entrega um suspense movimentado, acessível e interessado mais na perseguição do que na surpresa. O espectador conhece a inocência de Banning desde cedo. A questão está em saber quanto ele perderá até conseguir ser ouvido. Sem acesso ao Serviço Secreto e com o FBI em seu encalço, o agente precisa proteger a família, alcançar o presidente e recuperar o próprio nome antes que o governo arquive sua versão dos fatos.


Filme: Invasão ao Serviço Secreto
Diretor: Ric Roman Waugh
Ano: 2019
Gênero: Ação/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
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