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Após perder a mãe, Joe Scaravella (Vince Vaughn) decide abrir em Staten Island um restaurante comandado por avós italianas. Inspirado em uma história real, “Nonnas”, dirigido por Stephen Chbosky, acompanha esse nova-iorquino que investe o dinheiro recebido do seguro de vida materno em uma homenagem às mulheres que alimentaram sua família. O problema é que ele conhece muito mais sobre lembranças afetivas do que sobre restaurantes, licenças, fornecedores e contas a pagar.

Joe trabalha como mecânico e leva uma vida modesta. A morte de Maria, sua mãe, deixa um vazio que nem a rotina consegue disfarçar. Ele volta a pensar na infância no Brooklyn, durante os anos 1970, quando a casa da família se enchia de parentes, música e comida preparada por Maria e pela avó. Eram refeições demoradas, feitas para muita gente, nas quais cozinhar significava cuidar de todos sem precisar anunciar o gesto.

Ao tentar reproduzir aqueles pratos, Joe (Vince Vaughn) percebe que algumas receitas desapareceram com as mulheres da família. Ele conhece os sabores, lembra-se dos cheiros, mas não domina todos os ingredientes. A dificuldade ganha peso porque cada tentativa o aproxima da mãe e, ao mesmo tempo, confirma que certas informações já não podem ser recuperadas.

Bruno (Joe Manganiello), seu melhor amigo, e Stella (Drea de Matteo), mulher de Bruno, acompanham o abatimento. Durante um jantar, os dois sugerem que Joe faça algo significativo com o dinheiro do seguro deixado por Maria. Ele poderia guardar a quantia ou seguir trabalhando no mesmo emprego, mas prefere apostar quase tudo em uma ideia improvável.

Durante uma visita a Staten Island, Joe encontra um imóvel comercial fechado e decide transformá-lo na Enoteca Maria, restaurante batizado em homenagem à mãe. O lugar está longe de ficar pronto e exige reforma, documentos e equipamentos. Antes de servir qualquer prato, ele já compromete boa parte dos recursos disponíveis.

Quatro avós assumem os fogões

Joe (Vince Vaughn) não deseja contratar cozinheiros formados em escolas sofisticadas. Sua proposta depende de mulheres capazes de preparar os pratos que aprenderam dentro de casa, repetidos por décadas em almoços familiares. Ele procura avós italianas e reúne quatro cozinheiras com histórias, temperamentos e origens regionais bem diferentes.

Roberta (Lorraine Bracco), antiga amiga de Maria, chega à Enoteca com intimidade suficiente para discordar do proprietário. Antonella (Brenda Vaccaro) carrega receitas próprias e não aceita que outra pessoa determine o modo correto de preparar um prato. Gia (Susan Sarandon), ex-cabeleireira, ocupa o espaço com energia e segurança. Teresa (Talia Shire), uma freira aposentada, fala menos, mas também não entrou naquela cozinha para obedecer silenciosamente.

A contratação oferece ao restaurante o elemento que Joe procurava, embora crie um problema novo. Cada nonna considera sua receita a mais fiel, seu tempero o mais adequado e sua região italiana a verdadeira guardiã da boa mesa. As divergências surgem durante a escolha do cardápio, no uso dos ingredientes e até na maneira de mexer uma panela. Joe planejava ser o chefe, mas descobre que entregou os fogões a quatro mulheres pouco interessadas em receber ordens de um homem que mal sabe preparar o molho de domingo.

As melhores passagens cômicas nascem dessa convivência. Lorraine Bracco e Brenda Vaccaro transformam discussões culinárias em disputas pessoais, enquanto Susan Sarandon aproveita a desenvoltura de Gia para ocupar qualquer silêncio. Talia Shire trabalha Teresa com discrição e guarda pequenas surpresas na serenidade da personagem. O riso vem do temperamento das cozinheiras e da aflição de Joe, obrigado a separar brigas enquanto calcula despesas.

O bairro olha com desconfiança

Staten Island possui uma comunidade italiana numerosa, o que poderia garantir público à Enoteca Maria. Essa proximidade também aumenta a cobrança. Os moradores conhecem os pratos, reconhecem diferenças entre regiões e não parecem dispostos a confiar facilmente em um mecânico que resolveu virar proprietário de restaurante.

Bruno (Joe Manganiello) ajuda Joe (Vince Vaughn) na reforma e participa do projeto desde os primeiros passos. A amizade, porém, sofre com a falta de dinheiro e com as escolhas impulsivas do futuro restaurateur. Joe acredita que a lembrança da mãe basta para sustentar sua aposta. Bruno precisa lidar com ferramentas, pagamentos e problemas que não desaparecem diante de uma boa intenção.

O roteiro de Liz Maccie deixa evidente que abrir a Enoteca exige mais do que selecionar receitas. Existem inspeções, equipamentos danificados, contas acumuladas e prazos que ameaçam a inauguração. Essas dificuldades impedem que a história permaneça somente no terreno confortável da saudade. Joe arrisca o dinheiro herdado e pode perder o restaurante antes mesmo de provar que sua ideia possui público.

Um romance entre papéis e panelas

A visita ao mercado também devolve Olivia (Linda Cardellini) à vida de Joe (Vince Vaughn). Ela foi sua paixão na juventude e agora trabalha como advogada. O reencontro recupera uma ligação interrompida há muitos anos, mas ambos carregam experiências que tornam a aproximação mais delicada.

Olivia ajuda Joe com questões legais da Enoteca Maria e passa a acompanhar os problemas do restaurante. Linda Cardellini oferece à personagem uma presença afetuosa sem transformá-la apenas em prêmio romântico. Olivia tem suas próprias perdas, conhece Antonella (Brenda Vaccaro) e ocupa um lugar relevante na comunidade. O romance cresce entre documentos, obras e lembranças escolares, sempre ligado ao risco financeiro assumido por Joe.

Vince Vaughn abandona boa parte da fala acelerada associada às suas comédias mais conhecidas. Seu Joe é contido, desajeitado e, por vezes, teimoso. O ator preserva alguma ironia, mas permite que o luto permaneça no rosto e nas pausas. Essa escolha combina com um homem que demonstra carinho por meio de decisões grandiosas, mesmo quando o dinheiro recomenda prudência.

Afeto servido sem cerimônia

Stephen Chbosky trata a comida como parte da ação. As receitas determinam quem ganha espaço na cozinha, provocam discussões e revelam histórias que Joe desconhecia. Panelas, mesas e ingredientes aparecem ligados ao funcionamento da Enoteca, sem interromper o enredo para admirar pratos bonitos. Sempre existe uma conta, um prazo ou uma divergência esperando ao lado do fogão.

“Nonnas” abraça a emoção com pouca vergonha e algumas conveniências. Certos conflitos seguem caminhos conhecidos, enquanto algumas avós mereciam mais tempo fora da cozinha. Ainda assim, Lorraine Bracco, Talia Shire, Brenda Vaccaro e Susan Sarandon dão personalidade às cozinheiras e impedem que elas formem apenas um grupo simpático ao redor de Joe.

O filme acerta principalmente ao oferecer trabalho, desejo e autoridade a mulheres mais velhas. Elas discutem, criam, erram e defendem conhecimentos acumulados durante décadas. Joe abre o restaurante para homenagear a mãe, mas precisa aceitar que a Enoteca Maria pertence também às avós que preparam cada prato. Quando essas mulheres vestem os aventais e ocupam os fogões, a ideia deixa de ser apenas uma lembrança familiar e ganha cheiro, sabor e gente esperando à mesa.


Filme: Nonnas
Diretor: Stephen Chbosky
Ano: 2025
Gênero: Comédia/Drama/Romance
Avaliação: 3.5/5 1 1
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