De tempos em tempos, a possível legalização das drogas alcança o heterogêneo interesse da sociedade, e então teorias as mais vesanas sobre essa ou aquela possível consequência tomam conta das rodas de conversa nos botecos, nas escolas, universidades, gabinetes ministeriais e na Suprema Corte, fenecendo do mesmo jeito repentino e atabalhoado como quando aparecera. O consumo de cannabis sativa remonta a dez milênios, mas se ela, por alguma razão misteriosa, desaparecesse da face da Terra para sempre, histórias a exemplo da que é contada em “Magnatas do Crime” ainda teriam relevância. Nos oito episódios da primeira temporada, Guy Ritchie esgaravata os bastidores de uma disputa familiar em torno de um império erguido sobre negócios suspeitos, mantidos a salvo graças à esperteza de um patriarca moribundo. Passados dois anos, Ritchie soma ao argumento do filme homônimo, de 2019, novas considerações acerca dos motivos de tanta gente ainda se deixar entorpecer por promessas de dopamina tão fácil quanto ruinosa. Há explicações simples e as que tocam aos meandros da lei e da ciência.
Da caserna para o castelo
Eddie Horniman estava muito bem como um capitão do exército britânico servindo numa missão da ONU na fronteira entre a Turquia e a Síria, até ser forçado a abandonar seu posto para atender ao chamado do pai milionário no leito de morte. Um ano depois, Eddie é agora o duque de Halstead, título que o pai lhe deixa de herança junto com um verdadeiro império, cujas terras escondem um tesouro, ilegal e cobiçado. Ritchie e mais quatro corroteiristas encarniçam-se do duque, detalhando a rápida metamorfose que faz dele um mercador astuto e ambicioso, costurando apoio para a liberação da maconha. Para isso, ele quer ser eleito para o Parlamento, e precisa do apoio de um tal Lord Hawthorne, um aristocrata decadente encantado por Jack Glass, irmão de Susie, sua parceira comercial. O diretor leva a narrativa para um terreno plano e sem grandes riscos, tirando proveito do belo elenco para incluir sexo na paisagem bucólica do lago Maggiore, entre a Itália e a Suíça. Novos personagens preenchem essa outra leva de oito episódios, mas Theo James e Kaya Scodelario continuam a dar o tom nessa trama sobre a união de old money e ilicitudes.

