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Em 79 d.C., o gladiador escravizado Milo chega a Pompeia, apaixona-se por Cassia e luta para sobreviver à destruição provocada pelo Vesúvio. Dirigido por Paul W. S. Anderson, “Pompeia” mistura ação, aventura, romance e desastre histórico em uma história bastante conhecida na forma, mas eficiente quando entra na arena. Kit Harington interpreta um homem privado da família e da liberdade, enquanto Emily Browning vive a jovem aristocrata presa aos interesses de Roma. Entre eles está Corvus, senador vivido por Kiefer Sutherland, disposto a usar dinheiro, soldados e prestígio político para conseguir o que deseja.

Milo (Kit Harington) ainda é criança quando soldados romanos exterminam seu povo, na Britânia. O responsável pelo massacre é Corvus (Kiefer Sutherland), comandante que ordena a morte dos habitantes e deixa o menino sem família. Capturado por mercadores de escravos, Milo cresce entre violência, combates e obediência forçada.

Dezessete anos depois, ele se tornou um gladiador habilidoso. Sua rapidez com as armas e a frieza diante dos adversários chamam a atenção de Graecus (Joe Pingue), comerciante que compra lutadores para apresentá-los ao público. Milo deixa Londínio e segue para Pompeia, onde participará dos jogos organizados na cidade. Embora seja admirado nas arenas, permanece acorrentado e sujeito às ordens de quem lucra com seus combates.

Durante a viagem, ele cruza o caminho de Cassia (Emily Browning), filha do rico comerciante Severus (Jared Harris) e de Aurelia (Carrie-Anne Moss). A jovem retorna para casa depois de passar um período em Roma. Quando um dos cavalos de sua carruagem sofre um ferimento grave, Milo encerra a dor do animal. O gesto desperta a atenção de Cassia e estabelece uma aproximação entre duas pessoas que ocupam lugares opostos naquela sociedade.

Ela pertence a uma família influente e pode circular pela cidade. Ele dorme em uma cela e aguarda a próxima luta. O interesse entre os dois nasce desse encontro breve, embora as diferenças sociais deixem pouca margem para qualquer romance.

Cassia volta para uma casa ameaçada

O retorno de Cassia deveria representar alívio depois da temporada em Roma. A tranquilidade dura pouco. Corvus chega a Pompeia acompanhado por soldados e retoma uma perseguição iniciada na capital. O senador deseja casar-se com ela, apesar das recusas anteriores, e transforma sua influência política em instrumento de pressão.

Severus pretende investir na expansão de Pompeia e precisa do apoio financeiro de Roma. Corvus oferece os recursos necessários, mas aproxima o acordo comercial de seus interesses por Cassia. O pai percebe o perigo, porém está diante de um representante poderoso do império. Aurelia também tenta proteger a filha, embora a família tenha pouca força para contrariar um homem cercado por guardas.

Kiefer Sutherland interpreta Corvus sem nenhuma preocupação em torná-lo discreto. O senador fala, sorri e circula pela casa com a segurança de quem considera todas as recusas um pequeno atraso burocrático. A atuação chega perto da caricatura em certos trechos, mas combina com a proposta grandiosa de “Pompeia”. Nesse universo, até a arrogância usa armadura.

Cassia resiste às investidas enquanto se aproxima de Milo. Emily Browning oferece firmeza à personagem e não permite que ela seja apenas a jovem rica esperando por um salvador. Cassia toma decisões, enfrenta o senador e procura proteger a própria família. Ainda assim, sua liberdade depende de homens que controlam dinheiro, soldados e acordos políticos.

A rivalidade dentro da arena

No alojamento dos gladiadores, Milo conhece Atticus (Adewale Akinnuoye-Agbaje), lutador experiente que espera conquistar a liberdade depois de mais uma vitória. Os dois começam como adversários porque foram treinados para disputar espaço, prestígio e sobrevivência. Aos poucos, percebem que pertencem ao mesmo grupo de homens usados para divertir a população.

Atticus se torna uma das presenças mais interessantes do filme. Adewale Akinnuoye-Agbaje dá ao personagem força física, ironia e lucidez. Ele conhece as promessas dos romanos e sabe que uma regra pode desaparecer quando deixa de favorecer os donos da arena. Sua relação com Milo cresce sem grandes declarações, apoiada pela necessidade de permanecer vivo.

Corvus descobre o interesse entre Milo e Cassia e interfere nos jogos. A arena, que já era um lugar perigoso, passa a ser utilizada para uma punição pessoal. Milo e Atticus enfrentam adversários em condições planejadas para impedir que saiam vivos. A sequência dá ao filme sua melhor parte, com combates fáceis de acompanhar e uma boa percepção do espaço ocupado por cada lutador.

Paul W. S. Anderson tem familiaridade com ação e sabe manter o público atento quando coloca personagens correndo, lutando ou procurando uma saída. O problema surge nos intervalos. O romance entre Milo e Cassia recebe pouco tempo para crescer, e a atração precisa sustentar um peso emocional maior do que o roteiro lhe oferece. Kit Harington trabalha bem o silêncio e a presença física, enquanto Emily Browning traz delicadeza e coragem. A relação convence mais pelo empenho dos atores do que pela construção escrita.

O Vesúvio muda todas as prioridades

Enquanto políticos discutem investimentos e gladiadores lutam pela vida, o Monte Vesúvio envia sinais de que a cidade corre perigo. Tremores atingem casas, animais ficam inquietos e rachaduras surgem pelo caminho. Os moradores tratam os acontecimentos como incômodos passageiros porque ninguém possui a dimensão da catástrofe que se aproxima.

Quando o vulcão entra em erupção, “Pompeia” abandona parte das intrigas domésticas e assume sua vocação de filme-catástrofe. Pedras atingem construções, cinzas cobrem as ruas e a população tenta alcançar portões, barcos ou qualquer lugar que pareça seguro. Milo precisa sair da arena, localizar Cassia e atravessar uma cidade que perde suas rotas a cada novo abalo.

A erupção também retira de Corvus parte da autoridade que sustentava suas ameaças. Dinheiro e prestígio valem pouco diante de ruas bloqueadas e edifícios em queda. Mesmo assim, o senador continua perseguindo Cassia, levando a disputa pessoal para o centro da destruição. O roteiro exagera em algumas coincidências, mas preserva a facilidade de compreensão. O espectador sempre sabe quem procura quem, qual passagem foi fechada e quanto perigo existe pelo caminho.

As referências a “Gladiador” e “Titanic” são evidentes. De um lado, há o escravizado talentoso enfrentando Roma dentro da arena. Do outro, um casal separado pela classe social tenta permanecer unido enquanto uma catástrofe histórica elimina as saídas. “Pompeia” não possui a profundidade dramática desses filmes, mas entrega uma aventura acessível e movimentada.

Paul W. S. Anderson prefere o espetáculo às sutilezas. Essa escolha produz personagens simples, romance apressado e um vilão que praticamente entra em cena carregando uma placa com a palavra “perigo”. Também oferece combates vigorosos, cenários grandiosos e uma erupção capaz de manter a tensão sem confundir o enredo.

“Pompeia” ganha força quando Milo deixa de lutar para divertir uma plateia e passa a lutar por uma escolha pessoal. O filme pode ser previsível, mas conserva sensibilidade ao colocar um homem escravizado diante da possibilidade de decidir por si mesmo. Cercado pelas cinzas do Vesúvio, ele já não busca aplausos, vitória ou prestígio. Procura Cassia antes que a cidade inteira desapareça sob seus pés.


Filme: Pompéia
Diretor: Paul W.S. Anderson
Ano: 2014
Gênero: Ação/Aventura/Épico
Avaliação: 3.5/5 1 1
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