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Todos parecem saber que à medida que encerram-se tempos marcados por pesar e sacrifício, começa uma nova fase, só para que, uma vez mais, raiem dias de inconstância, desespero, toda sorte de aflição, e a roda dos infortúnios vai girando até a eternidade. Vivemos como se estivéssemos num picadeiro repleto de leões, sem saber como estaremos num futuro, próximo ou distante, marcado por cenários extremos, de privação de recursos básicos como a água e intempéries furiosas. Neste ponto é que pretende entrar Lindsay Gossling em “13 Minutos de Tormenta”, misturando desastre e crítica social. Despretensiosamente, Gossling usa lugares-comuns de maneira original, contornando o óbvio até dizer o que é necessário. Sem esticar muito a corda.

Morte lenta

Antes que a catástrofe se imponha, a comunidade da fictícia Minnennewah já não experimenta seus dias mais felizes há anos. Gossling e o corroteirista Travis Farncombe revigoram a fórmula, mostrando os habitantes de uma mistura de Oklahoma City, El Reno e Minco como um ajuntamento de rednecks fanáticos, preconceituosos e negacionistas, todos praguejando uns contra os outros enquanto a estiagem avança e a lavoura morre. A exceção é Jess, uma cristã progressista que parece ter um passado meio nebuloso do qual saiu Maddy, a filha cabeleireira que, como ela, também teve uma gravidez indesejada e agora pode tornar-se mãe aos dezenove anos. Dilemas existenciais e conflitos religiosos aparecem de forma meio oblíqua, porém é estimulante a discussão do possível aborto de Maddy por Tammy, a médica que faz da consulta uma aula de catequese forçada. Thora Birch e Anne Heche (1969-2022) levam bons lances num filme exigente, que parece implorar que o público saiba ler as entrelinhas.


Filme: 13 Minutos de Tormenta
Diretor:
Ano: 2021
Gênero: Drama/Suspense
Avaliação: 4/5 1 1
Giancarlo Galdino

Depois de sonhos frustrados com uma carreira de correspondente de guerra à Winston Churchill e Ernest Hemingway, Giancarlo Galdino aceitou o limão da vida e por quinze anos trabalhou com o azedume da assessoria de políticos e burocratas em geral. Graduado em jornalismo e com alguns cursos de especialização em cinema na bagagem, desde 1º de junho de 2021, entretanto, consegue valer-se deste espaço para expressar seus conhecimentos sobre filmes, literatura, comportamento e, por que não?, política, tudo mediado por sua grande paixão, a filosofia, a ciência das ciências. Que Deus conserve.

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