Todos parecem saber que à medida que encerram-se tempos marcados por pesar e sacrifício, começa uma nova fase, só para que, uma vez mais, raiem dias de inconstância, desespero, toda sorte de aflição, e a roda dos infortúnios vai girando até a eternidade. Vivemos como se estivéssemos num picadeiro repleto de leões, sem saber como estaremos num futuro, próximo ou distante, marcado por cenários extremos, de privação de recursos básicos como a água e intempéries furiosas. Neste ponto é que pretende entrar Lindsay Gossling em “13 Minutos de Tormenta”, misturando desastre e crítica social. Despretensiosamente, Gossling usa lugares-comuns de maneira original, contornando o óbvio até dizer o que é necessário. Sem esticar muito a corda.
Morte lenta
Antes que a catástrofe se imponha, a comunidade da fictícia Minnennewah já não experimenta seus dias mais felizes há anos. Gossling e o corroteirista Travis Farncombe revigoram a fórmula, mostrando os habitantes de uma mistura de Oklahoma City, El Reno e Minco como um ajuntamento de rednecks fanáticos, preconceituosos e negacionistas, todos praguejando uns contra os outros enquanto a estiagem avança e a lavoura morre. A exceção é Jess, uma cristã progressista que parece ter um passado meio nebuloso do qual saiu Maddy, a filha cabeleireira que, como ela, também teve uma gravidez indesejada e agora pode tornar-se mãe aos dezenove anos. Dilemas existenciais e conflitos religiosos aparecem de forma meio oblíqua, porém é estimulante a discussão do possível aborto de Maddy por Tammy, a médica que faz da consulta uma aula de catequese forçada. Thora Birch e Anne Heche (1969-2022) levam bons lances num filme exigente, que parece implorar que o público saiba ler as entrelinhas.

