El Mariachi (Antonio Banderas) chega a uma pequena cidade mexicana levando uma caixa de violão cheia de armas. Ele procura Bucho (Joaquim de Almeida), traficante que matou sua companheira e feriu a mão que usava para tocar. A vingança parece simples no papel, mas o criminoso controla bares, ruas e comerciantes locais. Para alcançar seu alvo, o músico precisa descobrir onde Bucho vive antes que os capangas identifiquem seu rosto e fechem todas as saídas.
“A Balada do Pistoleiro”, lançado em 1995, é dirigido e escrito por Robert Rodriguez. O longa retoma o personagem apresentado em “El Mariachi”, agora vivido por Antonio Banderas. A mudança de ator acompanha uma produção maior, embora Rodriguez preserve o espírito artesanal do primeiro trabalho. As armas aumentaram, as perseguições ganharam fôlego e o protagonista passou a caminhar com a segurança de quem sabe que uma entrada bem feita já resolve metade da cena.
Uma história espalha o medo
Buscemi (Steve Buscemi) entra num bar e conta que encontrou um pistoleiro capaz de eliminar vários homens sozinho. Seu relato fica mais impressionante a cada frase e chega aos ouvidos de Short Bartender (Cheech Marin), ligado ao grupo de Bucho. A conversa transforma El Mariachi numa lenda antes mesmo de sua chegada. Também oferece aos criminosos uma descrição útil do sujeito vestido de preto que carrega um estojo de instrumento.
Pouco depois, El Mariachi visita o estabelecimento em busca de informações. Os funcionários desconfiam do estranho e tentam impedi-lo de investigar as atividades do traficante. O músico abre a caixa, retira as pistolas e reage ao ataque com habilidade quase acrobática. Ele vence os homens presentes, mas sai ferido e ainda desconhece o esconderijo de Bucho. A passagem pelo bar deixa muitos corpos, poucas pistas e uma cidade inteira procurando o mesmo visitante.
Robert Rodriguez filma o tiroteio com velocidade e gosto pelo exagero. Corpos atravessam o espaço, armas surgem de lugares improváveis e cada disparo parece obedecer a uma coreografia particular. A realidade fica do lado de fora, provavelmente esperando a poeira baixar. O diretor aposta numa violência estilizada, distante do realismo, e transforma a luta numa apresentação em que Banderas ocupa o centro com elegância e confiança.
Carolina acolhe o desconhecido
Ferido, El Mariachi recebe ajuda de Carolina (Salma Hayek), proprietária de uma livraria frequentada por Bucho. Ela cuida do ferimento e esconde o visitante, embora ainda desconheça toda a história dele. A decisão coloca seu comércio sob ameaça. Bucho ajudou a financiar o local e acredita possuir autoridade sobre a dona, os livros e qualquer pessoa que atravesse aquela porta.
Carolina percebe que o hóspede trouxe uma guerra para dentro da livraria, mas também nota a dor escondida atrás de sua pose. El Mariachi guarda poucas palavras para falar do passado. Sua mão ferida, a dificuldade para tocar e a insistência em procurar Bucho revelam o tamanho da perda. Antonio Banderas interpreta o personagem com uma mistura de tristeza e vaidade. Ele sofre, porém faz questão de sofrer bem vestido.
A proximidade entre El Mariachi e Carolina ganha espaço durante a recuperação. Salma Hayek dá firmeza à personagem e impede que ela permaneça apenas como interesse amoroso do herói. Carolina oferece abrigo, questiona as escolhas do músico e precisa considerar o preço de desafiar Bucho. O romance nasce sob vigilância e coloca os dois em perigo, pois os homens do traficante procuram qualquer pessoa capaz de ajudar o invasor.
Bucho domina a cidade
Bucho acompanha a caçada por telefone e distribui ordens aos capangas. Ele possui dinheiro, veículos, armas e informantes espalhados pela região. Mesmo assim, seus homens apresentam relatos confusos e passam a perseguir qualquer sujeito de preto com uma caixa nas mãos. Joaquim de Almeida interpreta o criminoso com autoridade, mas deixa a irritação crescer quando as mortes se acumulam e o inimigo continua solto.
A chegada de Navajas (Danny Trejo), assassino especializado no uso de facas, aumenta a confusão. Seu rosto marcado e seus movimentos precisos fazem dele uma presença ameaçadora sem necessidade de grandes falas. Os homens de Bucho desconhecem suas ordens, enquanto El Mariachi ainda tenta descobrir quem o enviou. A cidade passa a abrigar duas caçadas paralelas, e Carolina perde a segurança que sua ligação com o traficante oferecia.
Rodriguez mantém o público próximo de El Mariachi e libera as informações na mesma velocidade com que ele as recebe. As pausas são curtas, pois uma conversa pode ser interrompida pela chegada de outro homem armado. Esse ritmo favorece a ação, embora deixe personagens secundários com pouco espaço. Buscemi, Short Bartender e Navajas cumprem tarefas importantes no enredo, mas desaparecem quando a missão avança para Bucho e sua rede de proteção.
Violões carregados de armas
Sem muitos aliados na cidade, El Mariachi procura Campa (Carlos Gallardo) e Quino (Albert Michel Jr.), companheiros preparados para enfrentar os homens de Bucho. Os músicos carregam estojos adaptados para o combate, levando a ideia central do longa ao ponto mais divertido. Rodriguez sabe que uma caixa de violão cheia de pistolas já desperta curiosidade. Várias delas reunidas transformam o grupo numa banda que dificilmente será contratada para animar um casamento.
As cenas de ação possuem inventividade, energia e uma saudável falta de compromisso com as leis da física. Banderas salta, gira e dispara sem perder a pose, enquanto os adversários raramente conseguem acertá-lo. O exagero combina com o universo criado por Rodriguez, no qual cada porta pode esconder um criminoso e qualquer instrumento pode guardar munição. A repetição dos tiroteios pesa em alguns trechos, pois o enredo oferece menos surpresas do que a encenação promete.
“A Balada do Pistoleiro” ganha força na presença de Antonio Banderas e Salma Hayek. Os dois sustentam o romance, dão personalidade às pausas e preservam o interesse entre uma perseguição e outra. Joaquim de Almeida completa o trio com um vilão elegante, cruel e cada vez mais pressionado pela chegada do músico. Quando El Mariachi reúne os companheiros e segue em busca de Bucho, a caixa de violão deixa de esconder sua intenção. Ela passa a anunciar que o pistoleiro está perto.

