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Jann Mardenborough (Archie Madekwe) mora em Cardiff, trabalha numa loja de roupas e passa boa parte do tempo jogando Gran Turismo. Seu pai, Steve Mardenborough (Djimon Hounsou), gostaria que o rapaz procurasse uma profissão mais segura e enxerga o videogame como passatempo. Jann, porém, conhece circuitos, curvas e pontos de frenagem com uma precisão que surpreende até quem acompanha corridas reais. Lançado em 2023, “Gran Turismo: De Jogador a Corredor” conta como essa habilidade abre uma porta que parecia reservada a pilotos ricos ou formados desde a infância.

A oportunidade surge em Tóquio, onde o executivo Danny Moore (Orlando Bloom) apresenta à Nissan uma campanha ousada. A empresa convidará os melhores jogadores de Gran Turismo para uma seleção, na qual eles terão de provar que conseguem pilotar carros reais. A proposta também pretende aproximar a marca de um público jovem, embora exista um problema bastante sério. Colocar alguém habituado a um controle dentro de um carro de competição custa dinheiro e envolve riscos que nenhuma boa apresentação empresarial consegue esconder.

Danny procura Jack Salter (David Harbour), ex-piloto que trabalha com automóveis e conhece os perigos do circuito. Jack recebe a ideia com a simpatia de quem preferiria consertar um motor de olhos vendados. Para ele, velocidade virtual e automobilismo profissional pertencem a universos separados. Mesmo desconfiado, aceita preparar os selecionados da GT Academy e estabelece regras severas. Quem quiser permanecer no programa deverá ter resistência física, disciplina e domínio emocional, além de saber dirigir.

O controle fica para trás

Jann conquista sua vaga na academia após um bom desempenho no jogo, mas percebe que o simulador era apenas a primeira etapa. Ele passa a disputar espaço com outros jovens igualmente habilidosos, entre eles Matty Davis (Darren Barnet), americano competitivo que considera o galês um adversário importante. Jack coloca o grupo em exercícios físicos, provas de direção e atividades destinadas a revelar quem suporta o peso de uma corrida. Cada falha pode significar a eliminação, enquanto Danny acompanha tudo de olho na imagem da Nissan.

A passagem do videogame para a pista rende algumas das melhores situações do longa. Os candidatos sabem decorar curvas e escolher linhas de corrida, porém precisam lidar com calor, força física, barulho e medo. Não há botão para reiniciar uma volta ruim, detalhe que Jack faz questão de repetir com sua habitual delicadeza de sargento. David Harbour interpreta o treinador com irritação, cansaço e afeto contido. Seu personagem fala duro porque conhece o preço de um erro, ainda que prefira demonstrar preocupação por meio de broncas.

Archie Madekwe mantém Jann próximo do público. O jovem possui talento, mas não chega à academia cheio de segurança. Ele precisa conquistar a confiança de Jack, enfrentar a concorrência e suportar a desaprovação do pai, que teme ver o filho apostar o futuro numa promessa publicitária. Steve conhece dificuldades financeiras e gostaria de oferecer proteção à família. Essa preocupação torna o conflito doméstico mais sensível, pois nenhum dos dois age por crueldade. Pai e filho apenas enxergam futuros diferentes para a mesma pessoa.

A licença exige resultados

Vencer a seleção não basta para transformar Jann em profissional. O jovem ainda precisa participar de competições oficiais, alcançar resultados mínimos e obter a licença necessária para seguir correndo. A resistência dos pilotos experientes aumenta a pressão. Muitos consideram sua presença uma afronta ao automobilismo e rejeitam a ideia de dividir o circuito com alguém formado num videogame. Jann carrega, portanto, a própria ambição e a reputação de todos os participantes da GT Academy.

Danny também depende do sucesso do projeto. Orlando Bloom interpreta o executivo com entusiasmo comercial e uma confiança que nem sempre parece tão firme quanto seu sorriso. Se Jann fracassar, a Nissan poderá tratar a academia como uma campanha malsucedida e arquivar a experiência. Jack, por sua vez, precisa escolher até onde pode pressionar o aluno sem colocá-lo em perigo. O vínculo entre os três cresce a partir dessa necessidade comum, embora cada um procure algo diferente na pista.

Corridas vistas de dentro

Neill Blomkamp aproxima a câmera do cockpit e registra volante, pedais, capacete e retrovisores durante as provas. A montagem intercala referências do jogo com elementos do carro, ligando aquilo que Jann aprendeu no simulador às decisões tomadas nas corridas. Esses recursos ajudam o espectador a acompanhar a ação sem exigir conhecimento prévio de automobilismo. O barulho dos motores, a velocidade e a pequena distância entre os veículos tornam cada disputa compreensível até para quem mal sabe localizar o freio de mão.

“Gran Turismo: De Jogador a Corredor” segue uma estrutura conhecida do drama esportivo. Há o jovem desacreditado, o treinador endurecido, o executivo que apostou a reputação numa ideia estranha e a família preocupada. O roteiro simplifica certas resistências e deixa alguns personagens adversários próximos da caricatura, mas preserva o interesse pelo destino de Jann. A origem real da história também oferece uma curiosidade rara, já que o próprio Mardenborough trabalhou nas cenas de direção como dublê de Madekwe.

O longa acerta ao tratar o videogame como parte legítima da formação do protagonista, sem fingir que a experiência virtual resolve todas as dificuldades da pista. Jann precisa treinar, sofrer cobranças e conquistar cada nova oportunidade. Leve e emocionante, a produção entrega corridas bem construídas, personagens simpáticos e uma história fácil de acompanhar. Quando o jovem assume o volante, o que está em jogo deixa de ser uma pontuação salva no console e passa a decidir se ele continuará autorizado a correr.


Filme: Gran Turismo: De Jogador a Corredor
Diretor: Neill Blomkamp
Ano: 2023
Gênero: Ação/Aventura/Drama/Esporte
Avaliação: 4/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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