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Ser jovem nunca foi fácil. A juventude se nos apresenta como um ajuntamento de autocobranças, satisfações que achamos que devemos ao universo — quando o universo não faz a menor ideia de quem somos —, dilemas existenciais característicos, muitos profundos como um balde, e dúvidas quanto ao que reserva-nos o futuro, essas de fato preocupantes. E tudo fica ainda pior quando sente-se despertar no espírito o chamado imperioso da arte. Chegar à glória inspirando nos outros o que não se explica requer sacrifícios e cobra seu preço. Deixam-se de lado família, amigos, prazeres, momentos de reconexão com o espírito, e talvez nunca se chegue a nada que se pareça com o triunfo. Sophie Birenbaum vai tomando pé das tantas dificuldades do estrelato (e recebe outras valiosas lições) em “Não Deseje Boa Sorte”, um musical infantojuvenil à primeira vista tolo, mas estimulante. Julia Hart propõe reflexões sobre talento, efemeridade da vida, morte e as várias naturezas do amor. Com leveza, claro.

Vendem-se ilusões

Sophie é uma garota como outra qualquer. Popularidade não é o seu forte, mas ela tem sua turma, conta com uma família que a apoia em tudo e a amizade com Carolyn Morales não sofre nenhum grande abalo nunca, mesmo que as duas apresentem diferenças que Hart e os corroteiristas Jordan Horowitz, seu marido, e Laura Hankin detalharão no segundo ato. A remontagem de “Waitress” (2007), baseado no filme homônimo dirigido por Adrienne Shelly (1966-2006), tem ocupado os pensamentos de Sophie, mas ela precisará dividir a atenção com um problema grave demais para seus verdes anos. Aa diretora mistura sequências da mocinha ao lado dos colegas no auditório da escola com as passagens junto aos pais e aos irmãos caçulas, bastante preocupados com o agravamento do câncer de sua mãe, Elizabeth, lances que vão apontando para uma cadência melodramática sem exageros e com ótimas cenas de Sunny Sandler e Melanie Lynskey. Poder-se-ia dizer que Sunny só teve essa grande oportunidade graças a Adam Sandler, um dos produtores. Pura maledicência, como se verifica em “Um Maluco no Golfe 2” (2025), de Kyle Newacheck, onde a fedelha encaçapa o papai. Quebre a perna, Sunny!


Filme: Não Deseje Boa Sorte
Diretor: Julia Hart
Ano: 2026
Gênero: Comédia/Drama/Musical
Avaliação: 4/5 1 1
Giancarlo Galdino

Depois de sonhos frustrados com uma carreira de correspondente de guerra à Winston Churchill e Ernest Hemingway, Giancarlo Galdino aceitou o limão da vida e por quinze anos trabalhou com o azedume da assessoria de políticos e burocratas em geral. Graduado em jornalismo e com alguns cursos de especialização em cinema na bagagem, desde 1º de junho de 2021, entretanto, consegue valer-se deste espaço para expressar seus conhecimentos sobre filmes, literatura, comportamento e, por que não?, política, tudo mediado por sua grande paixão, a filosofia, a ciência das ciências. Que Deus conserve.

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