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Toda idade tem seus desafios, que podem tanto nos arrastar numa espiral de avanços quanto para o limbo de derrotas que tardam a serem superadas. Quando não se tem preocupações sobre como pagar as contas, ou não se precisa fazer nenhum empréstimo para garantir a reforma da casa, sobra tempo para se pensar em assuntos bem mais urgentes, como de que maneira chegar aos corações e mentes dos colegas de escola, dando início a uma jornada de pequenos poderes que pode ir bem longe. Essas são as angústias que vão se avolumando em “Como Perder Sua Popularidade”, típica comédia romântica adolescente cuja narrativa balança entre um, vá lá, cálculo político e as armadilhas que o desejo vai preparando. Stephen S. Campanelli é hábil em explorar conflitos paralelos em situações limitadas, talento que faz a diferença em filmes assim.

Batalha de egos

Um flashback já na primeira sequência mostra Ellie Pearse como uma garota de que pode-se gostar ou ter-se certa antipatia, mas à qual ninguém fica indiferente. Ela ganha o apelido de Max por uma razão meio escatológica, continua a ser chamada dessa forma pela década seguinte, mas conquista respeito e benquerença de todos, embora não o bastante para reivindicar uma indicação da diretora ao posto de líder num projeto acadêmico. Diligentes, os roteiristas Dorian Keyes e Kaitlin Reilly sobrepõem as qualidades e os defeitos da protagonista, nessa ordem, e logo surge uma personalidade carismática, mercurial até, capaz de ir às últimas consequências por uma briga que julga necessária. Aí começa o filme, com a guerra de Ellie para vingar-se de Rowan, o namorado que a deixa por sentir que ela não leva muita fé nele, tirando do nada a exitosa campanha de Nate Reed, o playboy do colégio, à presidência do grêmio estudantil. Cartesianamente, Sara Waisglass costura as várias subtramas, em especial aquela que vai detalhando o envolvimento romântico entre Ellie e Nate, com Chase Hudson empenhado em demonstrar em cena a polivalência de tiktoker.


Filme: Como Perder Sua Popularidade
Diretor: Stephen S. Campanelli
Ano: 2026
Gênero: Comédia/Romance
Avaliação: 4/5 1 1
Giancarlo Galdino

Depois de sonhos frustrados com uma carreira de correspondente de guerra à Winston Churchill e Ernest Hemingway, Giancarlo Galdino aceitou o limão da vida e por quinze anos trabalhou com o azedume da assessoria de políticos e burocratas em geral. Graduado em jornalismo e com alguns cursos de especialização em cinema na bagagem, desde 1º de junho de 2021, entretanto, consegue valer-se deste espaço para expressar seus conhecimentos sobre filmes, literatura, comportamento e, por que não?, política, tudo mediado por sua grande paixão, a filosofia, a ciência das ciências. Que Deus conserve.

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