No colégio onde estudam, Ellie Pearse (Sara Waisglass) e Nate Reed (Chase Hudson) entram na disputa pelo grêmio para tentar recuperar seus antigos namoros. Ela quer provocar ciúmes no ex, que também concorre à presidência. Ele espera que a campanha convença a ex-namorada de que é capaz de levar alguma coisa a sério. Os dois têm bons motivos para desconfiar um do outro. Talvez por isso a parceria seja a parte mais divertida de “Como Perder sua Popularidade”.
Ellie é estudiosa, organizada e cuidadosa com a própria aparência. Ainda assim, sua dedicação pouco ajuda quando o assunto é ser notada pelos colegas. Depois do término do namoro, ela decide apoiar a candidatura de Nate à presidência do grêmio. Ver os dois trabalhando juntos, acredita, pode despertar o ciúme do ex. Nate aceita porque também saiu de um relacionamento e quer mostrar à antiga namorada uma versão mais responsável de si mesmo.
O acordo junta pessoas com reputações quase opostas. Ellie sabe planejar, mas tem dificuldade em deixar algo fora de seu controle. Nate é popular e chama atenção por onde passa, embora nem sempre pense antes de agir. Para disputar uma eleição, ela precisa da facilidade que ele tem com os colegas. Ele, por sua vez, precisa provar que consegue fazer mais do que posar de rapaz descolado. A campanha começa com interesses bem definidos, mesmo que nenhum deles queira admitir o quanto ainda sofre pelo término.
Há uma ironia simpática na escolha de Ellie. Seu ex terminou o namoro incomodado com sua mania de controlar tudo. Diante da perda, ela monta outro plano, desta vez envolvendo uma eleição e um parceiro que dificilmente seguirá suas instruções à risca. O roteiro poderia tratar esse traço apenas como motivo de piada. Sara Waisglass, porém, deixa transparecer a insegurança por trás da aluna que parece sempre ter escolhido a roupa certa e preparado a fala adequada.
Nate precisa ser levado a sério
Chase Hudson interpreta Nate com a autoconfiança de quem está acostumado a receber atenção. Suas expressões e seu jeito de falar reforçam a pose exibida do personagem, sobretudo quando Ellie tenta fazê-lo se concentrar na candidatura. Nate pode ser desagradável em algumas situações, mas o filme não o transforma num valentão para depois exigir que o público esqueça seu comportamento. Aos poucos, aparece o desconforto de um rapaz que gostaria de ser visto além da fama que conquistou na escola.
Esse detalhe dá sentido à participação dele na eleição. Recuperar a ex-namorada é o objetivo declarado, mas trabalhar com Ellie exige um esforço que as pessoas próximas nem sempre parecem esperar dele. Ela cobra compromisso, critica suas atitudes e, quando ele corresponde, percebe que há mais ali do que a figura popular dos corredores. Nate também passa a enxergar Ellie fora do papel de aluna que organiza a vida dos outros. A convivência dá aos dois uma atenção que haviam procurado nas pessoas erradas.
O romance cresce durante a disputa
A comédia nasce principalmente do atrito entre os protagonistas. Ellie tenta manter a campanha sob controle. Nate traz consigo a imprevisibilidade que a irrita e, em algumas ocasiões, a diverte. O filme é mais agradável quando acompanha essas pequenas mudanças do que quando procura uma piada. Quem espera muitas gargalhadas talvez encontre menos do que a classificação de comédia promete. O interesse está na maneira como a dupla passa a gostar da companhia um do outro enquanto insiste em falar dos ex.
Ellie demora a abandonar a esperança de recuperar o antigo namorado. Esse apego torna sua aproximação com Nate mais interessante, pois ela não acorda de repente apaixonada por outra pessoa. Precisa reconhecer o que fez naquele relacionamento e perceber que sua vontade de consertá-lo pode estar prejudicando alguém diante dela. Waisglass trabalha bem essa hesitação. Hudson acompanha a mudança quando deixa a pose de lado e permite que Nate pareça menos seguro do que gostaria.
A direção de Stephen S. Campanelli mantém a história leve, mesmo quando os personagens precisam admitir erros. O destino romântico da parceria é previsível, e o filme não faz grande esforço para escondê-lo. Ainda assim, a química entre Waisglass e Hudson sustenta o interesse. As cenas mais afetuosas funcionam porque Ellie e Nate passam tempo suficiente discutindo, colaborando e revendo suas impressões antes de considerar a possibilidade de ficarem juntos.
“Como Perder sua Popularidade” entrega uma história adolescente conhecida, com a eleição escolar como desculpa engenhosa para aproximar duas pessoas feridas por términos recentes. Falta um pouco mais de graça às situações cômicas, mas sobra espaço para que seus protagonistas sejam falhos sem perder a simpatia. Ellie entra na campanha para chamar a atenção do ex. Nate quer impressionar a antiga namorada. Quando precisam decidir o que fazer um com o outro, os votos já deixaram de ser a parte mais importante da disputa.

