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A história de “O Último dos Moicanos” ocorre em 1757, durante a Guerra Franco-Indígena, conflito travado na América do Norte entre franceses e britânicos, ambos apoiados por diferentes povos nativos. Hawkeye (Daniel Day-Lewis) é um homem branco criado pelo moicano Chingachgook (Russell Means). Ele vive nas florestas ao lado do pai adotivo e de Uncas (Eric Schweig), seu irmão. O trio prefere manter distância dos exércitos, mas essa escolha deixa de ser possível após uma emboscada contra uma escolta inglesa.

O grupo atacado transportava Cora Munro (Madeleine Stowe) e Alice Munro (Jodhi May), filhas do coronel Edmund Munro (Maurice Roëves). As jovens pretendiam chegar a Fort William Henry, onde o pai comandava as tropas britânicas. O major Duncan Heyward (Steven Waddington) era o responsável pela proteção das duas, embora conhecesse pouco os perigos da floresta. O guia da comitiva era Magua (Wes Studi), guerreiro hurão que escondia interesses ligados ao passado de Munro.

Hawkeye, Chingachgook e Uncas salvam os sobreviventes do ataque e assumem a tarefa de levá-los até o forte. A decisão coloca os três dentro de uma guerra que desejavam manter longe de casa. Eles conhecem os rios, os caminhos estreitos e os sinais deixados na mata, mas também sabem que Magua continua por perto. Chegar ao destino passa a exigir silêncio, velocidade e confiança entre pessoas que, poucas horas antes, sequer se conheciam.

O abrigo também aprisiona

Fort William Henry deveria representar segurança. Quando o grupo alcança o local, porém, encontra a construção cercada pelos franceses e por seus aliados indígenas. O general Louis-Joseph de Montcalm (Patrice Chéreau) mantém a pressão sobre as tropas britânicas, enquanto Munro espera reforços que podem não chegar. O forte possui soldados e canhões, mas quem está dentro dele perde liberdade a cada novo ataque.

A situação também expõe um acordo feito entre o comando britânico e os colonos recrutados. Esses homens aceitaram combater sob a condição de voltar às propriedades caso suas famílias estivessem ameaçadas. Quando chegam notícias preocupantes, eles pedem autorização para partir. Munro se recusa a liberá-los, pois precisa de cada combatente disponível para defender o forte. Hawkeye toma o partido dos colonos e passa a ser visto pelas autoridades como um problema, embora sua cobrança tenha origem numa promessa feita pelo próprio Exército.

Michael Mann apresenta a guerra a partir de escolhas pessoais. Um coronel tenta preservar o forte. Colonos desejam proteger suas famílias. Povos indígenas participam do conflito por alianças, rivalidades e perdas anteriores. Hawkeye quer manter Cora viva, mas precisa enfrentar ordens que dificultam a fuga. Ninguém dispõe de muito tempo, e uma decisão tomada atrás dos muros pode custar vidas na floresta.

Um romance cercado por soldados

A aproximação entre Hawkeye e Cora acontece durante a travessia e ganha força dentro do forte. Ele admira a coragem da jovem, que não aceita permanecer calada diante dos militares. Cora, por sua vez, percebe que Hawkeye oferece uma proteção baseada no conhecimento do território, distante das formalidades do major Heyward. O romance cresce em poucas horas, algo bastante conveniente para o cinema e péssimo para Heyward, que esperava se casar com ela.

Daniel Day-Lewis interpreta Hawkeye com energia e firmeza. Seu personagem corre, luta e toma decisões sem perder o vínculo com Chingachgook e Uncas. Madeleine Stowe dá a Cora uma presença forte, mesmo quando a jovem está cercada por homens armados e decisões que não dependem dela. Russell Means adota um registro contido para Chingachgook, figura que protege os filhos sem precisar transformar cada gesto em discurso.

Wes Studi merece atenção especial como Magua. O personagem fala diferentes idiomas, circula entre grupos rivais e conhece as regras usadas pelos europeus. Sua ameaça nasce dessa inteligência aliada ao desejo de vingança. Magua possui um objetivo pessoal ligado à família Munro e aproveita a guerra para persegui-lo. Dessa forma, o perigo não desaparece quando os personagens atravessam os portões do forte.

A aventura preserva o fôlego

Michael Mann mantém a história em movimento sem transformar a sucessão de batalhas numa confusão. A floresta pode oferecer proteção, esconder inimigos ou impedir a passagem. O forte representa abrigo, mas também fecha saídas. A câmera acompanha os personagens por trilhas, rios e corredores enquanto revela apenas aquilo que eles conseguem perceber. Essa escolha mantém o público perto do grupo e aumenta a insegurança em cada deslocamento.

A música de Trevor Jones e Randy Edelman dá ritmo às corridas e peso ao romance, sempre ligada ao que acontece em cena. Os sons dos tiros, dos passos e dos tambores lembram que aquela região está ocupada por forças maiores do que qualquer personagem. Ainda assim, “O Último dos Moicanos” reserva espaço para sentimentos íntimos, relações familiares e escolhas feitas sob pressão.

O longa de 1992 permite acompanhar quem deseja chegar a algum lugar, quem tenta impedir a passagem e quanto cada decisão custa. Hawkeye entra na guerra para salvar Cora e Alice, mas sua participação também põe Chingachgook e Uncas em perigo. Entre soldados, caçadores e perseguidores, o grupo precisa continuar andando, pois parar na floresta significa entregar tempo e terreno a Magua.


Filme: O Último dos Moicanos
Diretor: Michael Mann
Ano: 1996
Gênero: Ação/Aventura/Drama/Guerra/Romance
Avaliação: 4/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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