Malgrado continuem a surgir filmes que arranquem do chão a escassa poesia do mundo, não adianta: houve uma época em que o cinema era, sim, mais suave, mais inspirado, como um bolo cheio de camadas do qual poderia pular uma bela mulher convidando todos a cair na dança. Despretensiosamente, “Adeus, Amor” encarna aquela Era de Ouro de Hollywood, em que até a sucata era preciosa, e ainda seduz o público com beleza e inocência. George Sidney (1916-2002) reproduz na tela os números musicais do sucesso da Broadway valendo-se de movimentos de câmera sutis, mas firmes, e uma edição que destaca a inventividade do elenco, evitando o pastiche.
Abaixo os ídolos fabricados
Conrad Birdie leva ao delírio as tietes, tocando sua guitarra como um deus e rebolando feito o diabo. Birdie, uma óbvia caricatura de Elvis Presley (1935-1977), é convocado para o serviço militar, mas antes de encarar o fronte, participa de uma campanha que promete um beijo dele a uma fã escolhida por meio de um concurso no programa de Ed Sullivan (1901-1974). Quem também pode se dar bem é o compositor Albert F. Peterson, ganhando o dinheiro de que precisa para livrar-se da mãe opressora e casar com sua secretária, Rosie. Sidney e os corroteiristas Irving Brecher (1914-2008) e Michael Stewart (1924-1987) tecem uma ode a uma juventude que, pena, nunca voltará a existir, mas não deixa de ser inspirador assistir às performances de Jesse Pearson (1930-1979), Janet Leigh (1927-2004) e o centenário Dick Van Dyke botando para quebrar, sem sinal de bengala nenhuma.

