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Jason, vivido por Wagner Moura, tenta manter a rotina da família enquanto enfrenta desemprego, contas atrasadas e uma casa que precisa de reparos caros. Tudo muda poucos dias antes do Natal, quando uma tempestade atinge a região e transforma a residência onde ele vive com a mulher, Ann, interpretada por Greta Lee, e os filhos Graham e Ruth em uma espécie de prisão. Dirigido por Louis Leterrier, “A Última Casa” parte de uma ideia bastante atraente para misturar ficção científica, suspense e drama familiar, embora nem sempre consiga administrar bem as perguntas que cria.

Uma tempestade que muda tudo

Antes de qualquer ameaça extraordinária, Jason já vive cercado por problemas bem conhecidos. Falta dinheiro, há contas vencidas e uma rachadura na estrutura da casa indica uma reforma muito mais cara do que a família pode pagar. Ainda assim, o ambiente doméstico é movimentado e afetuoso. Jason, Ann, Graham, vivido inicialmente por Noah Alexander Sosnowski, e Ruth, interpretada por Riley Chung, parecem acostumados a fazer o melhor possível com o que têm.

A tempestade chega sem causar grande preocupação. Chuva é chuva, afinal. O problema começa quando a internet deixa de funcionar e, pouco depois, Jason tenta abrir a porta de casa. Ela não se move. As janelas também permanecem fechadas, mesmo quando ele usa força e ferramentas. O que parecia um contratempo doméstico ganha outra dimensão quando fica evidente que alguma coisa do lado de fora selou completamente a residência.

A reação de Jason é procurar uma saída física. Ele força fechaduras, perfura partes da porta e examina frestas tentando descobrir o que impede a família de sair. Quanto mais insiste, menos sentido a situação parece fazer. A chuva possui uma consistência estranha e parece formar uma espécie de barreira ao redor da casa. Não há telefone, internet ou qualquer maneira convencional de pedir ajuda.

Os vizinhos também estão presos

Recados trocados com moradores próximos trazem uma informação ainda mais inquietante. O problema não está restrito à casa de Jason. Os vizinhos também não conseguem sair.

A confirmação muda a rotina da família. Ann e Jason começam a pensar menos em abrir a porta naquele momento e mais em quanto tempo conseguirão permanecer ali. Os alimentos são contabilizados, os recursos passam a ser usados com cuidado e a possibilidade de esperar alguns dias pela normalização da situação deixa de parecer tão simples.

Jason também revela que possui uma arma escondida, algo que Ann desconhecia. O objeto acrescenta outro desconforto ao confinamento. Além de uma ameaça desconhecida do lado de fora, existe agora uma pequena crise de confiança dentro de casa. Wagner Moura trabalha bem essa mistura de medo, frustração e necessidade de proteger os filhos, enquanto Greta Lee dá a Ann uma firmeza que impede a personagem de existir apenas como contraponto ao marido.

Natal dentro de uma casa fechada

Os dias passam e a família tenta preservar alguma rotina. As crianças estudam com os livros disponíveis, Ann monta uma pequena horta dentro da cozinha e Jason procura formas de ocupar o tempo. Até um velho aparelho de DVD volta à ativa, embora a quantidade de filmes disponíveis esteja longe de garantir uma programação especialmente variada.

O Natal também precisa ser improvisado. Sem possibilidade de sair para comprar uma árvore, a família constrói uma com objetos encontrados pela casa, coloca luzes e tenta criar uma noite festiva. Há música, dança e pequenas brincadeiras. Essas passagens fazem bem a “A Última Casa” porque lembram que pessoas confinadas continuam discutindo coisas banais, tentando divertir crianças e procurando alguma normalidade mesmo quando o mundo do lado de fora parece ter mudado completamente.

A graça vem muito dessa precariedade. Em um cenário no qual sair de casa virou missão impossível, um DVD antigo, alguns discos e alimentos guardados passam a ter importância inesperada. O filme fica mais interessante quando se aproxima dessas pequenas necessidades, pois elas tornam aquela família menos abstrata e mais reconhecível.

Ruth começa a ver alguma coisa

O suspense se desenvolve mais quando Ruth passa a afirmar que existe algo do lado de fora. A menina observa formas pouco definidas através das janelas, mas a chuva impede uma visão adequada. Jason e Ann não sabem se a filha realmente viu alguma criatura ou se o medo está preenchendo aquilo que os olhos não conseguem identificar.

É uma boa ideia porque o perigo permanece parcialmente escondido. O público vê pouco e os personagens sabem ainda menos. Leterrier aproveita a casa para limitar informações e transformar janelas, corredores e portas em pontos de atenção. Qualquer ruído pode significar alguma coisa, mas ninguém tem condições de conferir.

Com o avanço do tempo, a própria residência começa a apresentar sinais dessa longa permanência. Plantas e alimentos passam a ocupar espaços antes destinados a outras funções, enquanto a família aprende a sobreviver dentro daqueles poucos cômodos. Graham e Ruth crescem, passando a ser interpretados por Gabriel Barbosa e Emma Ho, e a mudança deixa evidente que o confinamento está longe de ser temporário.

Uma ótima ideia cercada por perguntas

É justamente nesse ponto que “A Última Casa” começa a sofrer com o próprio mistério. A chuva possui características incomuns, as portas permanecem bloqueadas e alguma presença parece circular do lado externo, mas o roteiro de Matthew Robinson acumula elementos sem dar a todos o mesmo peso.

Mistério não exige que cada detalhe receba uma explicação didática. Ainda assim, existe uma diferença entre manter informações escondidas e simplesmente deixar ideias espalhadas pelo caminho. Em vários momentos, “A Última Casa” parece mais interessado em acrescentar uma nova estranheza do que em desenvolver aquilo que já apresentou.

O tom também oscila bastante. Em alguns trechos, Jason e Ann formam um casal tentando preservar uma família relativamente alegre em circunstâncias absurdas. Em outros, os dois são levados a estados de desespero muito intensos. Moura e Lee se entregam às cenas, mas o roteiro nem sempre prepara emocionalmente essas mudanças, o que pode tornar algumas reações maiores do que a situação dramática construída até aquele instante.

Ainda assim, existe algo instigante naquela família obrigada a transformar a própria casa em escola, despensa, horta, abrigo e fronteira. “A Última Casa” possui uma premissa capaz de prender a atenção e um elenco forte o bastante para manter interesse mesmo quando o roteiro se complica. O problema é que a chuva fecha todas as portas para Jason e sua família, enquanto o filme abre perguntas demais e nem sempre sabe quais delas realmente merecem permanecer dentro de casa.


Filme: A Última Casa
Diretor: Louis Leterrier
Ano: 2026
Gênero: Ação/Ficção Científica/Mistério/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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