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Há amizades que sobrevivem graças à distância. Os encontros ficam protegidos do cotidiano, as manias parecem divertidas por uma semana e ninguém precisa descobrir como o outro acorda numa terça-feira de mau humor, atrasado para o trabalho e sem disposição para sustentar a própria versão encantadora. Poppy Wright e Alex Nilsen passam doze anos vivendo assim em “De Férias com Você”, adaptação do romance de Emily Henry dirigida por Brett Haley. Ela coleciona destinos, roupas coloridas e episódios que possam render matéria para uma revista de viagens; ele prefere livros, horários e a previsibilidade de Linfield, a pequena cidade de Ohio para onde ambos retornam depois da faculdade. Emily Bader e Tom Blyth sustentam o filme da Netflix, indicado ao Emmy de Melhor Filme para Televisão em 2026, apoiados por Sarah Catherine Hook, Jameela Jamil, Lucien Laviscount e Lukas Gage.

Poppy conhece Alex durante uma viagem de carro e se comporta como se a intimidade fosse um direito adquirido assim que duas pessoas dividem o mesmo veículo. Ela fala demais, invade espaços e transforma qualquer incidente em brincadeira; ele a observa com o desconforto de quem passou a vida inteira organizando até as próprias emoções. Brett Haley encontra uma boa cadência nesse encontro, porque Bader permite que a excentricidade de Poppy também denuncie ansiedade, enquanto Blyth faz da contenção de Alex uma forma de medo. A aproximação nasce no atrito e logo se estabelece o acordo que organiza a história. Uma vez por ano, os dois viajarão juntos.

Doze verões em movimento

O roteiro de Yulin Kuang, Amos Vernon e Nunzio Randazzo avança e recua pelas férias da dupla. Há acampamentos no Canadá, aventuras em Nova Orleans, uma temporada na Toscana e o casamento em Barcelona que os reúne depois de dois anos de silêncio. O livro de Emily Henry remetia deliberadamente a “Harry e Sally — Feitos um para o Outro” e invertia os temperamentos tradicionais dos protagonistas, deixando à mulher a impulsividade e ao homem o romantismo doméstico; Haley preserva a referência, por vezes com devoção excessiva.

Bader domina os deslocamentos de Poppy, sobretudo quando a personagem percebe que sua carreira de viajante profissional se converteu numa maneira bem remunerada de fugir. Cada destino oferece-lhe uma nova paisagem e a mesma insatisfação. Blyth trabalha numa frequência mais baixa. Alex observa, espera, corrige uma frase, tenta manter sob controle o sentimento que sua expressão já denunciou. A química dos dois existe e impede que a sucessão de cartões-postais reduza o filme a uma propaganda turística. Poppy e Alex convencem quando estão espremidos num carro, discutindo num quarto ou embaraçados diante de amigos; as cidades fotografadas para deslumbrar tornam-se, em vários momentos, cenário caro para conflitos modestos.

A Toscana rompe o equilíbrio

A viagem à Toscana altera o equilíbrio. Os dois estão acompanhados, e o desconforto provocado pela presença de Sarah torna visível o que Poppy insiste em tratar como amizade. Alex escolhe uma vida estável, chega a ficar noivo e encerra as férias anuais, decisão que atinge Poppy com a violência reservada às perdas que ninguém pode lamentar em público. Dois anos depois, o casamento de David em Barcelona oferece a reconciliação e também expõe o problema central. Ela deseja transformar o mundo em casa; ele quer que a casa o proteja do mundo. O filme explica esse conflito reiteradas vezes, ainda que Bader e Blyth já o tenham demonstrado em olhares, afastamentos e silêncios menos açucarados.

Sarah Catherine Hook dá a Sarah uma serenidade que torna a protagonista menos inocente. Ela não é uma noiva má nem uma intrusa destinada a ser descartada quando o casal verdadeiro finalmente se reconhecer; é uma mulher cansada de disputar espaço com uma relação que sempre se apresentou sob nome falso. O filme cresce quando permite que os coadjuvantes percebam Poppy e Alex sem o filtro romântico dos dois. Enfraquece ao usar as viagens, as canções e a montagem temporal para acelerar emoções que pediam algum repouso.

O final entrega a declaração, a mudança de cidade e as férias agora assumidamente amorosas. Nada surpreende, conforme manda a tradição do gênero. “De Férias com Você” encontra sua melhor imagem antes dessa confirmação, quando Poppy precisa voltar a Linfield e procurar Alex no lugar do qual passou a vida tentando escapar. Para ficar com ele, ela percorre o caminho inverso de todas as suas viagens. Brett Haley conduz o percurso com excessiva doçura, e ainda assim Bader e Blyth fazem o destino parecer menos importante que a companhia.


Filme: De Férias com Você
Diretor: Brett Haley
Ano: 2026
Gênero: Comédia/Drama/Fantasia/Romance/Terror
Avaliação: 3.5/5 1 1
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