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Freya (Emily Blunt) vive na corte da irmã Ravenna (Charlize Theron), anos antes dos acontecimentos de “Branca de Neve e o Caçador”. Apaixonada pelo nobre Andrew (Colin Morgan), ela acredita que poderá abandonar o reino ao lado dele e da filha recém-nascida. Uma tragédia destrói esses planos, desperta seus poderes de gelo e transforma uma mulher apaixonada em uma rainha disposta a banir o amor. É nesse passado de castelos, florestas e territórios do norte que “O Caçador e a Rainha do Gelo”, lançado em 2016 e dirigido por Cedric Nicolas-Troyan, apresenta a origem de uma guerra que alcançará os caçadores Eric (Chris Hemsworth) e Sara (Jessica Chastain).

Freya deixa o reino de Ravenna e ocupa as terras do norte, onde constrói uma fortaleza cercada por gelo. Para formar seu exército, ela invade povoados, captura crianças e as transforma em combatentes. Os jovens recebem treinamento militar, comida e abrigo, mas perdem o direito de escolher a própria vida. A única lei realmente inegociável proíbe qualquer relação amorosa entre os soldados.

A regra nasce da experiência pessoal de Freya. Depois de sofrer uma perda devastadora, ela passa a enxergar o amor como uma ameaça à disciplina e ao poder. Emily Blunt interpreta a rainha com uma tristeza permanente, mesmo quando a personagem ordena invasões ou pune seus subordinados. Sua crueldade não surge do prazer espalhafatoso de ferir. Ela nasce de uma dor que ganhou exército, palácio e autoridade.

Eric e Sara desafiam a rainha

Eric e Sara crescem na fortaleza e se tornam dois dos melhores caçadores de Freya. Ele luta com machados, ela prefere arco e flechas. Os dois compartilham missões, treinamentos e uma intimidade que precisa permanecer escondida. O romance ameaça a lei central do reino e, por isso, também coloca em risco a permanência deles entre os soldados.

Chris Hemsworth retoma Eric com o carisma físico que marcou sua participação em “Branca de Neve e o Caçador”. O personagem continua forte, habilidoso e um tanto convencido, mas agora recebe um passado afetivo mais elaborado. Jessica Chastain oferece a Sara a mesma energia. Ela não ocupa o posto de companheira indefesa, tampouco espera que Eric resolva tudo sozinho. Quando os dois dividem uma luta, há parceria. Quando discutem, há uma competição quase doméstica, embora machados e flechas tornem qualquer desavença bem menos civilizada.

Ao descobrir o relacionamento, Freya usa seus poderes para separar o casal. A rainha não precisa vencer Eric e Sara apenas pela força. Ela manipula o que ambos veem e faz cada um acreditar numa versão diferente do ocorrido. O plano destrói a confiança entre os dois e mantém a fortaleza sob seu domínio. Eric deixa o norte carregando a convicção de que perdeu Sara, enquanto ela permanece presa às consequências da mentira.

O filme avança alguns anos e alcança o período posterior à derrota de Ravenna. A mudança liga esta história aos acontecimentos da produção anterior, embora Branca de Neve permaneça distante da ação. A escolha permite que a aventura acompanhe Eric sem repetir a disputa central do primeiro longa.

O Espelho Mágico desaparece

Depois da queda de Ravenna, o Espelho Mágico continua exercendo uma influência perigosa sobre o reino. Branca de Neve manda transportar o objeto até um santuário, onde ele deverá permanecer protegido. A escolta, porém, desaparece durante a viagem. Eric recebe a missão de localizar os soldados e recuperar a relíquia antes que ela caia nas mãos de Freya.

O caçador parte pela floresta acompanhado dos anões Nion (Nick Frost) e Gryff (Rob Brydon). A dupla suaviza a solenidade da aventura com reclamações, provocações e discussões bastante mundanas para homens que procuram um objeto capaz de desequilibrar reinos. Mais tarde, Bromwyn (Sheridan Smith) e Doreena (Alexandra Roach) entram na expedição e tornam o grupo ainda mais movimentado.

O roteiro encontra sua porção mais agradável nessa convivência. Eric tenta manter a missão sob controle, enquanto os anões discutem dinheiro, coragem, comida e relações amorosas. Nem todas as piadas funcionam, mas elas dão alguma respiração a uma história cercada por mortes, encantamentos e paisagens congeladas. O resultado fica mais leve quando os personagens conversam como pessoas cansadas de caminhar, e não apenas como figuras encarregadas de salvar um reino.

A busca pelo espelho também devolve Sara à vida de Eric. O reencontro está longe de ser caloroso. Ela acredita que foi abandonada, enquanto ele carrega outra lembrança sobre a separação. Nenhum dos dois possui todas as informações, e Freya continua protegida pela mentira criada anos antes. Antes de retomarem a parceria, eles precisam descobrir o que ocorreu na fortaleza e decidir se ainda podem confiar um no outro.

Uma aventura dividida em duas histórias

“O Caçador e a Rainha do Gelo” funciona ao mesmo tempo como história anterior e continuação de “Branca de Neve e o Caçador”. A primeira parte apresenta a formação do exército de Freya e o romance proibido entre Eric e Sara. A segunda acompanha a busca pelo Espelho Mágico após a derrota de Ravenna. Essa construção oferece contexto ao protagonista, mas também deixa o filme dividido entre duas aventuras que nem sempre parecem pertencer ao mesmo ritmo.

Cedric Nicolas-Troyan mantém a ação compreensível e dá espaço para que cada integrante do grupo participe das batalhas. Os poderes de Freya interferem no terreno, bloqueiam passagens e afastam os soldados de seus objetivos. O Espelho Mágico, por sua vez, preserva informações e ameaça devolver poder a quem conseguir dominá-lo. Esses elementos não aparecem apenas como decoração. Eles determinam quem possui vantagem, quem permanece preso e quem consegue atravessar a floresta.

A fragilidade está no excesso de compromissos assumidos pelo roteiro. O filme precisa explicar Freya, recuperar Ravenna, desenvolver Sara, acompanhar Eric e ainda encontrar espaço para quatro anões. Algumas figuras recebem menos atenção do que mereciam, sobretudo Freya, cuja transformação oferece uma história mais sensível do que a guerra convencional entre rainhas.

Charlize Theron domina a fantasia

Charlize Theron retorna como Ravenna com a imponência conhecida do primeiro longa. A atriz aceita o caráter grandioso da feiticeira e transforma cada entrada numa demonstração de poder. Ravenna gosta de ser observada e trata a própria maldade com a elegância de quem escolheu a roupa certa para destruir um reino. Theron sabe disso e interpreta a personagem sem timidez.

Emily Blunt segue por outro caminho. Freya fala menos, preserva emoções e usa o gelo para manter pessoas afastadas. A atriz sugere que a rainha ainda carrega a mulher ferida apresentada no começo, embora tenha construído uma fortaleza para escondê-la. Jessica Chastain sustenta Sara como guerreira e parceira de Eric, enquanto Hemsworth oferece espontaneidade ao caçador. A relação dos dois possui afeto, ressentimento e uma dose saudável de impaciência.

“O Caçador e a Rainha do Gelo” entrega batalhas, criaturas fantásticas, florestas encantadas e figurinos dignos de uma realeza que jamais ouviu falar em discrição. A história perde firmeza ao tentar unir passado e presente, mas permanece acessível graças ao romance de Eric e Sara e à presença das duas rainhas. A aventura ganha força quando abandona a pompa por alguns minutos e acompanha seus personagens procurando confiança, liberdade e uma saída do território congelado. Cada passo de Eric e Sara retira de Freya uma parte do controle construído desde a infância dos caçadores.


Filme: O Caçador e a Rainha do Gelo
Diretor: Cedric Nicolas-Troyan
Ano: 2016
Gênero: Ação/Aventura/Drama/Fantasia/Guerra/Romance/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
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