Dois cadáveres flutuam numa espaçonave enquanto Ryland Grace tenta descobrir quem é, um rebanho abandona o pasto para investigar a morte do pastor e cinco bailarinas trocam sapatilhas por golpes improvisados numa pousada tomada por homens armados. A calmaria dura pouco nos lançamentos do Prime Video em 2026. Até He-Man passa quinze anos longe de Eternia antes de reencontrar a espada que o obriga a voltar para casa, onde Skeletor decerto não esperou pacientemente por sua chegada.
Também sobram homens que desejam abandonar vidas perigosas e descobrem, tarde demais, que profissões desse tipo não aceitam pedidos de demissão. Mike Davis planeja um último roubo de joias em Los Angeles; Michael Mason esconde-se num farol escocês até salvar uma menina de um naufrágio; Jack Ryan tenta acomodar-se à vida civil, tarefa tão improvável para ele quanto para Jason Statham passar um filme inteiro sem quebrar ossos alheios. Em outro extremo, Chris Raven tem noventa minutos para convencer uma inteligência artificial de que não matou a esposa, julgamento no qual os arquivos conhecem cada passo do acusado e a juíza digital desconhece aquela dúvida elementar que às vezes livra um inocente.
Entre piratas aposentadas, irmãos que se reencontram no Havaí e ladrões perseguidos pela Highway 101, o filme que ocupa o primeiro lugar começa com um professor sozinho diante do fim do mundo, ainda sem saber que a criatura capaz de ajudá-lo não pertence à espécie humana.
Devoradores de Estrelas (2026), Phil Lord e Christopher Miller
Ryland Grace acorda sozinho numa espaçonave, sem saber quem é, onde está ou por que dois cadáveres dividem com ele aquele laboratório perdido no cosmos. Aos poucos, o professor de ciências recupera a memória e descobre que foi enviado para estudar uma substância responsável por reduzir a energia do Sol, fenômeno que ameaça extinguir a vida na Terra. A missão muda quando ele encontra Rocky, representante de outra civilização atingida pelo mesmo problema. Ryan Gosling sustenta a passagem do mistério científico para uma amizade improvável, eixo afetivo de uma aventura que combina humor, investigação, sobrevivência e a velha mania humana de imaginar que pode consertar o universo com fórmulas, improviso e alguma sorte.
As Ovelhas Detetives (2026), Kyle Balda
George passa as noites lendo romances policiais para seu rebanho, sem suspeitar de que aquelas histórias logo servirão como manual de investigação. Quando o pastor é encontrado morto em circunstâncias estranhas, as ovelhas decidem procurar o assassino, saem do campo pela primeira vez e tentam aplicar ao mundo dos homens a lógica aprendida nos livros. A ideia poderia render apenas uma brincadeira infantil esticada por quase duas horas, porém o roteiro encontra graça na seriedade com que os animais examinam pistas, interrogam suspeitos e interpretam hábitos humanos que lhes parecem francamente absurdos. Hugh Jackman lidera o elenco, enquanto Julia Louis-Dreyfus, Emma Thompson e outros nomes emprestam voz a uma investigação leve, melancólica e engenhosamente tresmalhada.
Caminhos do Crime (2026), Bart Layton
Um ladrão de joias atravessa Los Angeles cometendo assaltos precisos ao longo da Highway 101, sem deixar rastros, cadáveres ou a vaidade que costuma pôr criminosos na cadeia. Mike Davis pretende abandonar o ofício depois de um último golpe, decisão perturbada pelo encontro com Sharon Colvin, corretora de seguros presa numa vida profissional que já não suporta. Enquanto os dois calculam riscos e possíveis saídas, o detetive Lou Lubesnick percebe um padrão entre os roubos e se aproxima do responsável. Chris Hemsworth, Halle Berry e Mark Ruffalo conduzem esse jogo em que ninguém deseja exatamente o dinheiro; todos procuram uma porta por onde escapar do que se tornaram. Bart Layton mantém a tensão sem transformar cada esquina da cidade numa explosão.
Dupla Perigosa (2026), Ángel Manuel Soto
Jonny e James são meios-irmãos que passaram anos sem se falar e se reencontram no Havaí depois da morte misteriosa do pai. O primeiro resolve conflitos avançando sobre eles; o segundo prefere disciplina, cálculo e certa aparência de normalidade. A investigação obriga os dois a atravessar uma conspiração ligada ao passado da família, acompanhados por sujeitos que sabem muito mais do que admitem. Jason Momoa e Dave Bautista exploram suas diferenças físicas e cômicas numa aventura cuja história é deliberadamente simples, deixando que brigas, perseguições e provocações fraternas comandem o espetáculo. Ángel Manuel Soto entende que o verdadeiro caso a ser resolvido está na relação entre os protagonistas, dois brutamontes incapazes de conversar sem que algum móvel acabe destruído.
Mestres do Universo (2026), Travis Knight
Separado de Eternia durante quinze anos, o príncipe Adam vive na Terra enquanto lembranças fragmentadas de outro mundo invadem sua rotina. O reaparecimento da Espada do Poder confirma que aquelas imagens não eram fantasias e o conduz de volta ao reino dominado pelo Esqueleto. Para libertar a família e assumir a identidade de He-Man, ele precisa unir-se a Teela e Duncan, o Homem de Armas. Travis Knight abraça sem constrangimento a origem espalhafosa da franquia, preservando cores, nomes e criaturas que uma adaptação excessivamente sisuda tentaria esconder. Nicholas Galitzine oferece ao herói uma inocência útil, enquanto Camila Mendes e Idris Elba sustentam uma aventura que sabe que a discrição jamais teve lugar em Eternia.
The Bluff (2026), Frank E. Flowers
Ercell Bodden abandonou a pirataria e construiu uma vida tranquila nas Ilhas Cayman, escondendo dos filhos o sangue deixado para trás. A paz termina quando Connor, seu antigo capitão, desembarca à frente de um grupo disposto a cobrar dívidas antigas. Cercada em casa e obrigada a proteger a família, Ercell recupera técnicas que preferia esquecer e transforma o cenário paradisíaco numa arena de combate. Priyanka Chopra Jonas assume o centro físico da produção, enfrentando Karl Urban em lutas brutais, duelos de lâminas e perseguições que abandonam o romantismo tradicional das aventuras de piratas. Frank E. Flowers dedica mais energia ao cerco e à vingança que à navegação, fazendo do passado da protagonista uma arma que ela torna a empunhar.
Missão: Refúgio (2026), Ric Roman Waugh
Michael Mason vive isolado num farol da costa escocesa, acompanhado por um cachorro e pelas lembranças de uma carreira que preferiria manter enterrada. Durante uma tempestade, ele salva Jessie, uma menina que perde os responsáveis num naufrágio, e o gesto rompe o anonimato que o mantinha a salvo. Antigos superiores passam a persegui-lo, obrigando-o a atravessar o país enquanto tenta proteger a garota e descobrir por que sua eliminação tornou-se tão urgente. Jason Statham repete o tipo que domina há duas décadas, o homem lacônico que deseja sossego e recebe em troca um batalhão de assassinos. Ric Roman Waugh tempera a ação com a relação entre Mason e Jessie, a única força capaz de atrasar alguns minutos a inevitável pancadaria.
Pretty Lethal (2026), Vicky Jewson
Cinco bailarinas seguem para uma competição importante quando o ônibus quebra numa floresta e as obriga a buscar abrigo numa pousada isolada. O estabelecimento é comandado por Devora Kasimer, antiga prodígio do balé interpretada por Uma Thurman, cuja hospitalidade logo adquire contornos sinistros. Quando homens armados transformam a estadia numa caçada, as jovens precisam abandonar rivalidades e usar anos de treinamento como método de defesa. Vicky Jewson tira proveito da combinação improvável entre sapatilhas, disciplina corporal e violência, fazendo com que giros, saltos e movimentos ensaiados sirvam a embates físicos bastante menos elegantes. Iris Apatow, Lana Condor, Millicent Simmonds, Avantika e Maddie Ziegler compõem um grupo desigual que aprende depressa que sobreviver exige outra coreografia.
Jack Ryan de Tom Clancy: Guerra Fantasma (2026), Andrew Bernstein
Afastado da CIA e instalado numa vida civil que nunca pareceu lhe servir muito bem, Jack Ryan é chamado por James Greer quando uma operação internacional secreta revela a existência de uma unidade clandestina rebelde. Ele volta a trabalhar com Mike November e encontra Emma Marlow, agente do MI6 que tenta impedir que a conspiração avance. John Krasinski retorna ao personagem depois de quatro temporadas, agora também envolvido no roteiro, enquanto Andrew Bernstein comprime no formato de longa-metragem o tipo de crise que antes dispunha de vários episódios para crescer. O resultado preserva ação, espionagem, perseguições e antigas alianças, ainda que alguns conflitos precisem correr contra o relógio.
Justiça Artificial (2026), Timur Bekmambetov
Chris Raven desperta preso a uma cadeira e descobre que será julgado pelo assassinato da esposa. No sistema judicial daquele futuro próximo, uma inteligência artificial analisa provas, interroga o réu e executa a sentença sem a lentidão dos tribunais humanos. O detetive dispõe de noventa minutos para demonstrar sua inocência à juíza digital que ele próprio ajudara a legitimar. Chris Pratt passa quase todo o filme diante de telas, arquivos e reconstruções virtuais, ao passo que Rebecca Ferguson fornece voz e rosto à autoridade algorítmica. Timur Bekmambetov transforma a investigação numa contagem regressiva tecnológica, explorando o desconforto de um homem submetido a uma máquina incapaz de esquecer erros, tolerar contradições ou compreender por que inocentes também parecem culpados.

