Jessica espera num ponto de ônibus, fala ao telefone, anda de um lado para outro e só então a câmera revela a barriga de oito meses. Jean-Pierre e Luc Dardenne começam “Jovens Mães” acompanhando uma adolescente que aguarda alguém habituado a não aparecer, imagem suficiente para estabelecer o mundo das cinco protagonistas acolhidas numa casa materna perto de Liège. Jessica, Perla, Julie, Ariane e Naïma ainda aprendem a organizar a própria vida enquanto dão banho nos bebês, preparam mamadeiras, procuram emprego, enfrentam recaídas e decidem se conseguirão criar os filhos ou se deverão confiá-los a outra família. O filme belga-francês de 2025, com 104 minutos, recebeu o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes.
Abandonada ao nascer, Jessica quer conhecer Morgane, a mãe interpretada por India Hair. A busca nasce de uma pergunta incômoda e bastante concreta. Como alguém que nunca foi amada pela própria mãe aprenderá a amar um filho? Babette Verbeek protege a personagem de qualquer sentimentalismo fácil, mantendo-lhe a ansiedade nos passos rápidos, na voz que vacila e no esforço de parecer indiferente quando finalmente se encontra diante da mulher que procurava. Morgane recebe a filha com uma frieza doméstica, sem explosões ou revelações convenientes, e os Dardenne conservam as duas no mesmo espaço durante o tempo necessário para que Jessica compreenda que o parentesco não produz ternura por obrigação.
Perla empurra o carrinho de Noé e persegue uma ideia de família construída em torno de Robin, recém-saído de uma instituição para menores. O rapaz aceita um baseado e mal olha para a criança; Lucie Laruelle, atenta à obstinação adolescente da personagem, demora a reconhecer o desprezo que a plateia identifica no primeiro encontro. Ariane enfrenta outro tipo de cerco. Ela pretende entregar o bebê para adoção, enquanto Nathalie, sua mãe alcoólatra e agressiva, deseja que as duas voltem a morar juntas e lhe ofereçam a oportunidade de reparar com a neta o que destruiu na educação da filha. Janaïna Halloy Fokan compõe Ariane sem melodrama, deixando a decisão surgir na maneira como ela observa o apartamento da mãe e percebe que ali continuam os mesmos homens violentos, as mesmas garrafas e a mesma promessa quebrada.
Mães, filhas e promessas quebradas
Julie parece ter recebido a situação menos cruel. Dylan permanece a seu lado, demonstra carinho por Mia e tenta construir com as duas uma rotina. O problema acompanha Julie por dentro, nos impulsos que a conduzem de volta às drogas e fazem do afeto do namorado uma corda já esgarçada. Elsa Houben transmite a fadiga de quem se envergonha antes mesmo de repetir o erro. Naïma, interpretada por Samia Hilmi, ocupa menos tempo, embora sua saída da casa para retomar os estudos ofereça ao filme uma possibilidade de futuro que não depende de milagre, casamento ou súbita prosperidade. Ela carrega caixas, recebe orientações e parte. Os Dardenne entendem que, para aquelas garotas, conquistar um quarto próprio e chegar à escola no horário já constitui uma revolução de consequências práticas.
A casa materna poderia converter-se num cenário de benevolência institucional, povoado por educadoras santificadas e adolescentes reduzidas a exemplos de uma tese social. Os diretores evitam o expediente ao filmar no espaço verdadeiro que inspirou o roteiro, sem acrescentar iluminação cinematográfica ou redesenhar os cômodos. Benoît Dervaux acompanha as jovens com a câmera à mão, conservando os ruídos dos corredores, o choro das crianças e os intervalos em que ninguém encontra o que dizer. Os planos longos não exibem virtuosismo; servem para impedir a fuga. Quando Jessica encontra Morgane ou Ariane volta ao apartamento de Nathalie, o corte tardio obriga o espectador a permanecer naquela sala, junto às duas, sem a proteção de uma música que indique o sentimento correto.
Quando o formato coral cobra seu preço
O formato coral cobra seu preço. Cinco trajetórias em pouco mais de uma hora e quarenta minutos deixam lacunas, e Naïma termina reduzida a uma presença promissora que o roteiro mal consegue desenvolver. Essa dispersão também confere ao filme sua força, pois nenhuma das garotas é convocada a representar sozinha a maternidade precoce, a pobreza ou o abandono. Verbeek, Laruelle, Houben, Halloy Fokan e Hilmi oferecem corpos, vozes e reações distintas a problemas que assistentes sociais costumam registrar em formulários semelhantes. O cuidado das educadoras aparece em procedimentos miúdos, numa conversa sobre adoção, numa instrução para alimentar o bebê, numa porta que permanece aberta durante uma crise.
Ao fim, “Jovens Mães” continua próximo da primeira imagem de Jessica no ponto de ônibus. Cada uma espera alguém ou alguma coisa, uma mãe capaz de acolher, um rapaz disposto a assumir o filho, uma vaga na escola, uma família que cuide do bebê. Os Dardenne não providenciam todos esses encontros. Sua câmera permanece com as meninas enquanto elas descobrem quais esperas precisam abandonar. É um dos trabalhos mais serenos da dupla, e também um dos mais duros, porque a esperança ali nunca cai do céu; chega carregando uma criança, uma mala e a chave provisória de algum quarto.

