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Há amizades que sobrevivem porque os envolvidos nunca cometem a imprudência de perguntar que nome deveria ser dado ao que sentem. Poppy Wright e Alex Nilsen passam doze anos protegidos por esse acordo silencioso, reunindo-se nas férias de verão e regressando depois a vidas montadas em cidades diferentes, com trabalhos, parceiros e rotinas que parecem adequados enquanto nenhum dos dois examina a própria felicidade de perto. Brett Haley transforma o romance publicado por Emily Henry em 2021 numa comédia romântica de 118 minutos, sustentada por Emily Bader e Tom Blyth, dois atores que precisam convencer o público de que seus personagens conseguem conhecer-se profundamente e, assim mesmo, permanecer cegos diante da evidência.

O encontro acontece durante uma viagem de carro, na volta da faculdade para Linfield, Ohio. Poppy fala demais, derruba comida, escolhe Paula Abdul para a trilha sonora e trata o desconforto como se fosse uma modalidade de entretenimento; Alex dobra-se sobre o banco do passageiro com a cautela de quem gostaria de chegar ao destino sem contrair uma infecção ou revelar qualquer particularidade embaraçosa. Haley estabelece aí a dinâmica do casal, conferindo a Bader o movimento e a Blyth a resistência. A atriz faz de Poppy uma criatura solar sem lhe esconder a aflição de parecer excessiva, e Blyth encontra em Alex uma comicidade que surge da contenção, do instante em que ele abandona sua compostura e permite que a amiga conheça o homem estranho, brincalhão e até desajeitado oculto sob aquela aparência de professor metódico.

Um álbum de viagens fora de ordem

A história avança e recua pelas viagens anuais, marcadas como páginas de um álbum que alguém insiste em folhear fora de ordem. Há acampamentos na Colúmbia Britânica, ruas úmidas em Nova Orleans, colinas na Toscana e uma viagem à Noruega cancelada porque Poppy adoece. Esse episódio, realizado quase todo entre sofá, remédios e cobertores, é justamente um dos momentos em que o filme melhor compreende seus personagens. Alex não precisava de um hotel de gelo, de fotografias diante de monumentos ou de passagens aéreas para estar de férias. Bastava-lhe ficar ao lado dela. Haley acerta quando deixa os destinos perderem importância e erra ao transformar algumas cidades em cartões-postais tão polidos que parecem escolhidos por uma agência encarregada de vender pacotes para casais indecisos.

Trey e Sarah surgem como parceiros adequados demais, condenados desde a escalação a ocupar o papel ingrato dos obstáculos educados. Lucien Laviscount dá ao fotógrafo de Poppy uma desenvoltura calculada, enquanto Sarah Catherine Hook faz de Sarah a mulher organizada com quem Alex poderia construir a vida estável que julga desejar. Na viagem dos quatro à Toscana, uma suspeita de gravidez aproxima Poppy e Alex num banheiro, os rostos quase se encontram e ela recua para a palavra que os tem protegido há anos. “Melhor amigo” soa, naquele instante, como uma sentença. Alex pede Sarah em casamento na manhã seguinte, Poppy acusa-o de se acomodar e as férias terminam sem que qualquer um deles consiga admitir a própria responsabilidade pelo desastre. O roteiro de Yulin Kuang, Amos Vernon e Nunzio Randazzo manipula a coincidência com alguma desfaçatez, embora a mágoa entre os dois tenha espessura suficiente para não parecer uma interrupção fabricada.

Barcelona, calor e confissões adiadas

Dois anos depois, eles se reencontram em Barcelona, onde David, o irmão de Alex vivido por Miles Heizer, vai se casar. O hotel está em obras, o ar-condicionado não funciona e o calor transforma a convivência numa lenta modalidade de tortura. Poppy abre um rasgo na cobertura plástica da varanda para que possam respirar, a chuva cai e o filme chega à declaração que vinha adiando desde a estrada de Ohio. Haley conhece bem as engrenagens de “Harry e Sally — Feitos um para o Outro” (1989), “O Casamento do Meu Melhor Amigo” (1997) e “Um Lugar Chamado Notting Hill” (1999), referências assumidas na concepção do longa, e segue seus mestres com reverência excessiva. A chuva, a música e os corpos molhados entram no minuto previsto; Bader e Blyth impedem que a cena se reduza a uma fórmula porque fazem a confissão soar como o fim de uma briga muito antiga, travada sob disfarces cordiais.

Alex ainda exige que Poppy decida se ele é parte de sua vida ou somente outra viagem da qual ela voltará com boas fotografias. Ela regressa a Linfield e corre atrás dele, uma atividade que detesta, até conseguir dizer que não procura um lugar novo, e sim uma existência em que ele esteja. O desfecho é confortável, vistoso e obediente ao gênero, como seria de esperar, embora “De Férias com Você” encontre alguma honestidade ao admitir que o verdadeiro impedimento nunca esteve na distância, nos namorados ou nos calendários. Poppy e Alex precisaram atravessar o mundo para descobrir que vinham usando os aeroportos como rota de fuga. Brett Haley os leva para casa com doçura e algum açúcar a mais do que a receita pedia.


Filme: De Férias com Você
Diretor: Brett Haley
Ano: 2026
Gênero: Comédia/Romance
Avaliação: 3.5/5 1 1
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