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A publicidade envelhece seus profissionais com a mesma velocidade com que aposenta bordões, jingles e celebridades instantâneas. Joe ainda ocupa um escritório confortável em Nova York, veste-se bem e acredita conhecer o consumidor, até seus chefes concluírem que ele perdeu o contato com a geração que deveriam convencer a comprar uma nova vodca. Tim Story extrai daí o argumento de “72 Horas em Miami” — “72 Hours”, de 2026 —, comédia escrita por Matt Mider, Kevin Burrows, Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg e construída ao redor de Kevin Hart, novamente às voltas com um personagem pequeno, barulhento e desesperado para demonstrar que continua relevante.

Joe é incluído por engano num grupo de mensagens em que quatro rapazes planejam uma despedida de solteiro. Em vez de sair da conversa, ele observa os memes, as confissões e os planos para Miami, enxergando naqueles desconhecidos uma pesquisa de mercado pronta. Sem revelar suas verdadeiras intenções, Joe junta-se ao noivo e aos amigos, rapazes vinte anos mais novos, numa viagem de três dias regada a festas, álcool, drogas e decisões desastrosas. O plano profissional rapidamente desanda, envolvendo o grupo em conflitos amorosos, confusões com criminosos e situações cada vez mais absurdas. Enquanto tenta parecer jovem e controlar o caos que ajudou a criar, Joe precisa reconsiderar a relação com Jennifer, sua companheira, e admitir que experiência não significa compreender tudo. A aventura transforma uma pesquisa oportunista num acerto de contas pessoal.

Quatro rapazes contra o tio publicitário

A diferença de idade fornece as melhores situações, sobretudo quando os rapazes demonstram uma intimidade que Joe julgava incompatível com homens de vinte e poucos anos. Eles perguntam como o outro está, guardam fotografias num álbum físico e tratam uma crise amorosa com uma seriedade que o executivo reserva apenas às reuniões de trabalho. Marcello Hernández dá a Nick uma confiança algo suspeita; Mason Gooding mantém o noivo longe da caricatura; Kam Patterson usa a ingenuidade de Freshman sem transformá-lo num idiota; Ben Marshall, como Hunter, rouba várias cenas ao fazer do choro uma modalidade esportiva. Hart funciona quando reage a esse quarteto e aceita ser ridicularizado. O filme perde ar sempre que os outros se convertem em figurantes da agitação do protagonista.

Story parece desconfiar de que uma despedida de solteiro, um iate, drogas, garotas e um homem de meia-idade com dores nas costas não sejam material suficiente. Entra em cena Jaze, o traficante de Michael Mando, convencido de que Joe é um rival. Depois de cheirar cocaína, o publicitário assume uma identidade cubana inspirada no Tony Montana de “Scarface”, passa a chamar-se Ricardo Montana e atravessa sequências em que a graça depende de sotaques, estereótipos e da disposição do público para assistir a Hart repetir seu conhecido repertório de gritos. Há ainda uma água-viva, uma situação com a anatomia de uma baleia e um grupo de mulheres que droga e rouba os rapazes. O acúmulo revela quatro roteiristas tentando salvar a mesma piada por métodos diferentes.

Teyana Taylor recebe o papel ingrato de Jennifer, médica e companheira de Joe, deixada em Nova York enquanto o namorado posterga qualquer decisão sobre casamento e transforma uma crise profissional em turismo sexual disfarçado de pesquisa. A atriz tem presença suficiente para alterar o eixo da comédia, e Story prefere mantê-la ao telefone, aguardando a evolução de um homem que já deveria ter chegado pronto. “72 Horas em Miami” acerta algumas vezes ao expor a velhice precoce da indústria publicitária e a ternura inesperada dos rapazes. O restante parece a própria campanha de Joe, cheio de cores, corpos, frases estudadas e uma ideia antiga apresentada como descoberta. Kevin Hart sobrevive às três noites. A comédia chega à manhã seguinte com a roupa amarrotada, a conta alta e poucas lembranças realmente engraçadas.


Filme: 72 Horas em Miami
Diretor: Tim Story
Ano: 2026
Gênero: Comédia
Avaliação: 3/5 1 1
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