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Desde a antiguidade, narrativas sobre seres mitológicos e os indivíduos excepcionais que com eles estabelecem alguma conexão caem no gosto do público. Poderes ocultos que desafiam a razão e constituem um atalho do humano para o divino tornam-se uma metáfora acerca da força que paira entre o céu e a terra, revelando grandeza sob a aparente fragilidade. O problema sempre foi discernir o que levaria ao bem dos tantos logros do demônio, e essa singela questão supera o entendimento de muitos, despertando o interesse de todos. Cabem muitas coisas na história de um rei guerreiro caído em desgraça após um período de glórias e uma sucessão de fiascos, e Terry Ingram faz de “Odisseu e a Ilha da Neblina” uma versão aplicada do mito, apostando em efeitos especiais que divertem.

Mitologia e aventura

Chega um momento na vida em que, se tínhamos alguma ilusão quanto a sermos capazes de liquidar os problemas do mundo e mesmo os nossos, essa quimera de onipotência é soterrada pelo tempo. O senhor da razão e de tudo quanto há de ilógico, não para nunca, não admite ser desapontado e, caprichoso, tem as suas vontades e os seus planos para o homem. Odisseu, o soberano de Ítaca, anseia por voltar a sua terra depois de vinte anos errando por Éolo, Ismaro e Telepilo, e foi dar na tal ilha do título. Ele está sem seu navio, e é sondado por uma mulher misteriosa, que a deusa Atena lhe diz tratar-se de Perséfone, a rainha do Submundo, aquela capaz de decidir o destino de quem vive. Os roteiristas Brook Durham e Kevin Leeson destrincham episódios como este, e a cena de abertura, réplica impressionante do ataque das sereias, dá o tom quanto ao que se pode esperar: um filme com aquele jeito de programação para a TV. Lenda e nostalgia foram feitas uma para a outra.


Filme: Odisseu e a Ilha da Neblina
Diretor: Terry Ingram
Ano: 2008
Gênero: Ação/Aventura/Fantasia
Avaliação: 4/5 1 1
Giancarlo Galdino

Depois de sonhos frustrados com uma carreira de correspondente de guerra à Winston Churchill e Ernest Hemingway, Giancarlo Galdino aceitou o limão da vida e por quinze anos trabalhou com o azedume da assessoria de políticos e burocratas em geral. Graduado em jornalismo e com alguns cursos de especialização em cinema na bagagem, desde 1º de junho de 2021, entretanto, consegue valer-se deste espaço para expressar seus conhecimentos sobre filmes, literatura, comportamento e, por que não?, política, tudo mediado por sua grande paixão, a filosofia, a ciência das ciências. Que Deus conserve.

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