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“The Old Guard 2” mostra Andy (Charlize Theron) e seu grupo de guerreiros imortais em uma nova missão internacional. Agora mortal, a antiga líder precisa enfrentar Discord (Uma Thurman), uma inimiga que conhece os segredos da imortalidade e pretende destruir a equipe por dentro. Dirigido por Victoria Mahoney, o longa retoma personagens, conflitos e feridas deixados pelo primeiro filme, enquanto prepara uma disputa maior do que aquela que consegue entregar nesta sequência.

Andy passou séculos entrando em guerras, salvando desconhecidos e sobrevivendo a ferimentos que encerrariam a vida de qualquer pessoa. Essa proteção desapareceu. Em “The Old Guard 2”, ela ainda participa das operações, mas já não pode atravessar tiros, facas e quedas contando com a recuperação do próprio corpo. Cada missão carrega uma possibilidade real de morte, detalhe que aproxima a personagem do público e oferece a Charlize Theron um caminho mais sensível.

A atriz preserva a força física de Andy, porém acrescenta cansaço e insegurança a uma mulher acostumada a controlar situações perigosas. A vulnerabilidade não a transforma em alguém passivo. Ela continua lutando, tomando decisões e tentando manter o grupo unido, mesmo quando os companheiros percebem que a antiga comandante já não possui a mesma vantagem.

A equipe vive uma nova fase

Nile (KiKi Layne) ocupa um espaço maior entre os imortais. A jovem apresentada no primeiro filme já domina suas habilidades, participa das missões com confiança e questiona algumas escolhas de Andy. A relação entre as duas ganha interesse porque mistura respeito, cuidado e divergência. Andy ainda assume a liderança, enquanto Nile começa a demonstrar que poderá ocupar essa função no futuro.

KiKi Layne traz firmeza à personagem e forma uma boa parceria com Charlize Theron. A sequência, porém, divide sua atenção entre tantos integrantes que nem sempre oferece tempo suficiente para desenvolver essa aproximação. Nile recebe novas responsabilidades, mas algumas mudanças chegam por meio de diálogos breves, quando mereciam permanecer mais tempo em cena.

Joe (Marwan Kenzari) e Nicky (Luca Marinelli) também voltam à história. O casal enfrenta o desgaste de uma relação que atravessou séculos, guerras e incontáveis mortes. O roteiro sugere uma distância entre eles, embora aproveite pouco o conflito. Os dois continuam importantes durante as missões, mas passam boa parte do longa afastados do centro emocional.

James Copley (Chiwetel Ejiofor), antigo adversário do grupo, agora trabalha ao lado dos imortais. Ele pesquisa documentos, organiza deslocamentos e usa seus contatos para apoiar as operações. Como não possui poderes, Copley corre os mesmos riscos de Andy, o que poderia aproximar os dois. O filme toca nessa semelhança, mas prefere avançar para as ameaças seguintes.

Quỳnh retorna movida pela raiva

O retorno de Quỳnh (Veronica Ngô) representa uma das maiores promessas de “The Old Guard 2”. Companheira de Andy durante séculos, ela foi presa dentro de uma estrutura metálica e lançada ao fundo do mar. Como era imortal, morreu afogada inúmeras vezes, sempre despertando para repetir o sofrimento. Andy passou anos procurando por ela, sem conseguir localizá-la.

Quando Quỳnh reaparece, a alegria do reencontro perde espaço para a raiva. Ela culpa Andy por tê-la abandonado e se aproxima de Booker (Matthias Schoenaerts), outro integrante afastado do grupo. Booker carrega a punição recebida depois de trair os companheiros no primeiro filme e vive isolado, esperando o fim de um castigo que pode durar décadas.

A parceria entre Booker e Quỳnh nasce da solidão e do ressentimento. Matthias Schoenaerts preserva o ar abatido do personagem, enquanto Veronica Ngô interpreta Quỳnh com uma agressividade marcada por séculos de sofrimento. O problema está na pressa do roteiro. Uma relação tão carregada de culpa, abandono e desejo de vingança recebe menos atenção do que deveria.

Uma Thurman entra na guerra

Discord (Uma Thurman) surge como a mais antiga entre os imortais conhecidos. Ela acredita que os humanos desperdiçam as oportunidades oferecidas ao longo da história e enxerga os integrantes da Velha Guarda como peças de um plano maior. Sua experiência também lhe permite conhecer regras que Andy e os demais nunca dominaram por completo.

A vilã procura registros mantidos por Tuah (Henry Golding), responsável por uma biblioteca dedicada à história dos imortais. Os livros guardam informações sobre o surgimento dessas pessoas, a perda dos poderes e as possíveis ligações entre elas. Quem controla esse conhecimento obtém uma vantagem decisiva, e Discord usa o material para pressionar Andy e atrair Quỳnh.

Uma Thurman constrói a personagem com serenidade e ameaça. Discord não precisa levantar a voz para ocupar a cena. Um olhar e uma frase curta bastam para indicar que ela sabe mais do que revela. A atriz parece pronta para assumir uma presença marcante, mas passa muito tempo distante dos protagonistas. Quando começa a agir com maior intensidade, o longa já se aproxima de sua conclusão.

A ação perde força entre tantos caminhos

Victoria Mahoney organiza perseguições, lutas com espadas, tiroteios e deslocamentos por diferentes cidades. Charlize Theron continua convincente nas cenas físicas, e KiKi Layne acompanha o ritmo com segurança. Ainda assim, algumas sequências são interrompidas por cortes frequentes, que dificultam a leitura dos golpes e diminuem o peso dos combates.

A direção encontra uma ideia interessante ao unir lembranças e espaços do presente. Andy atravessa ambientes ligados à própria história enquanto encara pessoas que marcaram sua longa existência. Esses trechos ajudam a dimensionar sua relação com Quỳnh e mostram o tamanho da culpa acumulada. O recurso, porém, aparece de forma breve e não resolve a quantidade de conflitos disputando espaço.

“The Old Guard 2” quer desenvolver Andy, Nile, Quỳnh, Booker, Joe, Nicky, Copley, Tuah e Discord dentro de uma única aventura. A lista é grande, e o tempo oferecido a cada personagem é pequeno. O roteiro apresenta dramas familiares, romances desgastados, punições, segredos e disputas pelo comando, mas encerra várias conversas antes que elas alcancem maior peso.

A sequência é movimentada, bem interpretada e cheia de ideias promissoras, embora dependente demais de uma continuação. Charlize Theron sustenta Andy com presença e fragilidade. KiKi Layne confirma Nile como peça central do grupo. Veronica Ngô oferece a dor mais forte da história, enquanto Uma Thurman deixa a sensação de que ainda guarda sua melhor participação.

Quando “The Old Guard 2” termina, a ameaça continua aberta, os registros permanecem disputados e a equipe ainda precisa resolver suas divisões. O filme entrega ação e avança na mitologia dos imortais, mas reserva muitas respostas para outra produção. A Velha Guarda sobrevive mais uma vez, embora o público saia com a impressão de ter assistido à preparação de uma batalha que ainda não começou por inteiro.


Filme: The Old Guard 2
Diretor: Victoria Mahoney
Ano: 2025
Gênero: Ação/Aventura/Fantasia/Suspense
Avaliação: 3/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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