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No início de uma temporada da liga secundária de beisebol, na Carolina do Norte, Annie Savoy (Susan Sarandon) escolhe um jogador do Durham Bulls para orientar durante os meses seguintes. Desta vez, sua atenção se volta para Ebby Calvin LaLoosh (Tim Robbins), um jovem arremessador com força de sobra e pouco controle. Para ajudá-lo a amadurecer dentro do campo, o clube contrata Crash Davis (Kevin Costner), um veterano perto do encerramento da carreira. É desse encontro entre desejo, experiência e ambição que nasce “Sorte no Amor”, comédia romântica esportiva dirigida por Ron Shelton e lançada em 1988.

Annie acompanha o Durham Bulls com uma dedicação que ultrapassa a paixão comum de uma torcedora. Para ela, o beisebol possui rituais, crenças e uma lógica própria. A cada temporada, escolhe um atleta para receber seus conselhos, sua atenção e, dependendo da situação, sua companhia amorosa. Seus escolhidos costumam viver bons meses no time, o que alimenta a fama de que Annie exerce alguma influência quase religiosa sobre o desempenho deles.

Um talento difícil de controlar

Ebby Calvin LaLoosh parece o candidato ideal para ocupar esse lugar. O jovem consegue lançar a bola em uma velocidade impressionante, mas raramente sabe onde ela irá parar. Sua confiança é enorme, embora o conhecimento do jogo ainda seja limitado. Quando pensa demais, perde precisão. Quando ignora qualquer orientação, transforma a partida numa loteria perigosa para rebatedores, companheiros e até mascotes distraídos.

Annie logo percebe que o nome Ebby não combina com a imagem que ele deseja construir. Ela passa a chamá-lo de Nuke, apelido que reforça sua força e combina com o espetáculo provocado por seus arremessos. Nuke aceita a novidade com entusiasmo. Ele quer subir para a liga principal, ser reconhecido e aproveitar tudo o que a fama puder oferecer. O problema está em acreditar que seu braço resolverá sozinho aquilo que ainda falta em disciplina.

O Durham Bulls sabe que uma bola veloz pode atrair olheiros, mas também sabe que talento sem controle raramente sustenta uma carreira. Por isso, o clube chama Crash Davis. O veterano passou muitos anos nas ligas menores, conhece as manias dos jogadores e sabe ler uma partida com poucos movimentos. Sua missão é simples apenas no papel. Ele precisa ensinar Nuke a pensar antes de lançar, respeitar os sinais do receptor e preservar a cabeça quando as arquibancadas, os treinadores e o próprio ego começam a pressioná-lo.

Crash conhece o preço da espera

Crash chega a Durham carregando uma experiência que os demais jogadores ainda não possuem. Ele já esteve perto da liga principal, conhece a frustração de permanecer tanto tempo longe dos grandes estádios e sabe que sua carreira está perdendo espaço. A contratação lhe oferece mais uma temporada, mas também confirma uma verdade incômoda. O clube deseja sua inteligência para preparar um atleta mais jovem, não para apostar novamente em seu futuro.

Kevin Costner dá a Crash uma mistura de segurança, cansaço e ironia. O personagem fala com firmeza porque passou anos observando erros que se repetem em qualquer vestiário. Ele sabe quando aconselhar, quando provocar e quando deixar Nuke lidar com o resultado das próprias escolhas. O veterano também não aceita ser tratado como peça decorativa na vida de Annie, embora a atração entre os dois seja evidente desde o primeiro encontro.

Annie está acostumada a controlar as regras de suas relações, mas Crash rejeita participar de uma disputa planejada por ela. Ele deseja Annie, porém não aceita que o romance seja tratado como um prêmio concedido ao vencedor da temporada. Essa resistência desperta a curiosidade dela e deixa Nuke preso entre dois professores muito diferentes. Annie trabalha sua confiança e sua identidade. Crash corrige seus hábitos dentro do campo e lembra que nenhuma fama resiste por muito tempo a uma sequência de partidas ruins.

O romance entra em campo

O triângulo formado por Annie, Crash e Nuke sustenta a parte romântica de “Sorte no Amor”, mas Ron Shelton não abandona o cotidiano do beisebol para criar essa relação. Os encontros, ciúmes e provocações permanecem ligados aos treinos, às viagens e às partidas. Quando Nuke ganha confiança, Crash corre o risco de se tornar dispensável. Quando o jovem perde o controle, o veterano precisa intervir. Annie acompanha os dois, embora suas certezas também sejam abaladas pela presença de um homem que não aceita suas regras sem questioná-las.

A comédia nasce principalmente das diferenças entre os personagens. Nuke deseja parecer sofisticado, mas ainda precisa aprender tarefas elementares. Crash conhece muito do esporte, embora continue preso a uma divisão que oferece pouco prestígio. Annie fala sobre beisebol com seriedade espiritual, mesmo quando seus rituais deixam os jogadores mais confusos do que inspirados. O filme encontra graça nessas contradições sem transformar seus protagonistas em caricaturas.

Tim Robbins trabalha bem a ingenuidade arrogante de Nuke. O personagem não é um rapaz cruel ou desonesto. Ele apenas recebeu uma habilidade rara antes de desenvolver maturidade para administrá-la. Susan Sarandon, por sua vez, dá a Annie inteligência, independência e uma segurança capaz de intimidar jogadores acostumados a dominar qualquer ambiente. A personagem conhece o clube, acompanha seus resultados e fala com os atletas sem pedir licença.

Uma temporada de escolhas

Ron Shelton havia jogado beisebol profissional nas ligas menores, e essa experiência ajuda a dar autenticidade ao cotidiano do Durham Bulls. Os atletas reclamam, brincam, viajam e tentam sobreviver a uma rotina distante do glamour associado às grandes equipes. Poucos chegarão à liga principal. Muitos serão substituídos sem cerimônia. Cada partida pode garantir mais algumas semanas de salário ou encerrar uma oportunidade que talvez não volte.

“Sorte no Amor” usa esse ambiente para tratar do desejo de permanecer relevante. Nuke olha para o futuro e acredita que sua chance está próxima. Crash observa o tempo passar e tenta conservar respeito num esporte que valoriza juventude e desempenho. Annie ocupa um lugar próprio entre os dois. Ela não joga nem trabalha para o clube, mas conhece aquela rotina o bastante para reconhecer talento, insegurança e vaidade antes de muitos treinadores.

A direção mantém a história leve, mesmo quando aborda frustração profissional, envelhecimento e medo de fracassar. O romance não apaga o esporte, e o esporte não serve apenas como cenário para encontros amorosos. As partidas interferem na intimidade dos personagens, enquanto os sentimentos levados para fora do estádio influenciam suas atitudes no campo.

Mais de três décadas depois, “Sorte no Amor” é uma comédia romântica adulta, divertida e bastante humana. Seus personagens falham, exageram e fazem escolhas questionáveis, mas raramente perdem o vínculo com aquilo que desejam. Nuke quer provar que merece uma chance maior. Crash tenta preservar a dignidade construída durante anos de trabalho. Annie procura alguém que compartilhe sua paixão sem aceitar apenas o papel que ela decidiu oferecer. Durante uma temporada, os três descobrem que controlar uma bola veloz pode ser menos complicado do que administrar orgulho, desejo e medo de ficar para trás.


Filme: Sorte no Amor
Diretor: Ron Shelton
Ano: 1988
Gênero: Comédia/Esporte/Romance
Avaliação: 4/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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