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Lançado em 2017, “Inimigo Mortal” é um filme de ação, suspense e ficção científica dirigido por Leo Zhang, com Jackie Chan, Nana Ouyang e Show Lo no elenco. A história acompanha Lin Dong (Jackie Chan), um agente especial que precisa proteger Nancy (Nana Ouyang), uma jovem ligada a uma pesquisa de longevidade. O problema é que Andre (Callan Mulvey), um criminoso com recursos tecnológicos avançados, também quer chegar até ela. Para Lin, a missão nasce como trabalho, mas logo passa a envolver perda, culpa e uma ligação pessoal que o obriga a seguir mesmo quando tudo ao redor parece fora de controle.

O filme começa colocando Lin Dong em uma escolha cruel. Ele é chamado para uma operação importante enquanto enfrenta uma situação delicada com a filha. A ordem profissional pesa de um lado, a família pesa do outro, e Jackie Chan carrega essa divisão com a expressão de quem já sabe que qualquer decisão cobrará juros altos. A missão envolve proteger um cientista e impedir que uma pesquisa sensível caia nas mãos erradas. A partir desse ponto, o roteiro mistura laboratório, perseguição e conspiração, criando uma trama que usa a ciência menos como reflexão profunda e mais como combustível para correria, pancadaria e perigo constante.

Uma jovem cercada por segredos

Nancy, vivida por Nana Ouyang, aparece como uma garota marcada por algo que não controla totalmente. Ela está no centro de um experimento ligado à possibilidade de prolongar a vida, mas não é tratada apenas como peça científica. A personagem vira alvo porque carrega uma informação valiosa, e também porque seu próprio corpo passa a ser disputado por gente que não vê problema algum em transformar uma pessoa em produto. Essa é uma das ideias mais interessantes de “Inimigo Mortal”, mesmo quando o filme prefere correr para a próxima cena de ação em vez de respirar um pouco mais sobre o assunto.

Andre, interpretado por Callan Mulvey, funciona como o vilão que quer sobreviver a qualquer custo. Ele tem dinheiro, soldados, tecnologia e uma obstinação quase burocrática para recuperar o que considera seu. Não há grande sutileza em sua construção, mas há eficiência. O personagem existe para empurrar Lin Dong e Nancy para uma fuga constante, com ameaças que surgem em diferentes lugares e deixam pouca margem para erro. Quando Andre se aproxima, o filme ganha urgência. Quando se afasta, a história tenta costurar as relações familiares e os segredos que ligam os personagens.

Jackie Chan ainda sabe cair

A presença de Jackie Chan é o grande trunfo da produção. Mesmo em uma ficção científica cheia de aparelhos futuristas, laboratórios suspeitos e vilões com aparência de pesadelo tecnológico, ele continua sendo mais interessante quando usa o corpo como ferramenta narrativa. Lin Dong luta, corre, apanha, se levanta e improvisa. Não há ali a leveza absoluta dos clássicos de sua carreira, e isso até ajuda o personagem. Chan já não parece o herói que atravessa tudo sem custo. Ele parece cansado, pressionado e consciente de que cada minuto longe da filha deixou uma dívida emocional difícil de pagar.

Esse desgaste dá humanidade ao filme. “Inimigo Mortal” até exagera na mistura de tons, passando do drama familiar para a ficção científica e da ação pesada para a comédia de apoio, mas Jackie Chan segura boa parte desse trânsito com carisma. Ele não precisa explicar demais o que Lin sente. Basta olhar para Nancy com estranheza, hesitar por um segundo antes de agir ou se jogar em outra briga para que a missão deixe de ser apenas protocolo policial. O roteiro aponta para uma conexão maior entre eles, mas preserva seus principais detalhes, o que mantém a curiosidade sem entregar demais.

Show Lo entra para bagunçar

Leeson, vivido por Show Lo, entra na trama com uma função mais leve. Ele é um hacker, trapaceiro, falastrão e inconveniente na medida certa para quebrar a seriedade excessiva de algumas passagens. Sua relação com Nancy começa com interesse e atrevimento, mas aos poucos ele se aproxima do centro da conspiração. O personagem ajuda a história a sair da lógica de perseguição pura, porque oferece atalhos, contatos e informações que Lin Dong não conseguiria alcançar apenas com força física. Quando a dupla se cruza, o filme ganha respiro e um pouco de bagunça bem-vinda.

A comicidade de Leeson também revela uma fragilidade da direção de Leo Zhang. O filme tem muita vontade de ser várias coisas ao mesmo tempo. Quer ser thriller policial, drama de pai e filha, aventura tecnológica e espetáculo de pancadaria. Em alguns trechos, essa mistura diverte. Em outros, parece que a montagem corre para compensar lacunas do roteiro. Ainda assim, há algo simpático nessa ambição desajeitada. “Inimigo Mortal” não se contenta em colocar Jackie Chan apenas em brigas convencionais. Ele o joga em uma trama internacional, com cientistas, criminosos, hackers e uma jovem que precisa descobrir por que tanta gente a persegue.

A ficção científica vira pretexto

A parte científica do filme é mais chamativa do que convincente. A pesquisa de longevidade move a história, mas não recebe tratamento muito rigoroso. O interesse está menos na explicação do experimento e mais nas consequências dele. Quem controla a descoberta ganha poder. Quem protege Nancy passa a correr risco. Quem tenta usá-la revela até onde aceita ir para vencer a morte. Essa escolha deixa o filme mais próximo de uma aventura de ação com verniz futurista do que de uma ficção científica preocupada com detalhes técnicos.

Ainda assim, a premissa rende bons conflitos. Lin Dong precisa proteger Nancy sem dominar todas as peças do caso. Nancy precisa sobreviver enquanto tenta compreender o próprio passado. Leeson tenta ser útil mesmo quando a própria vaidade atrapalha. Andre avança com brutalidade porque vê a jovem como chave para seus planos. O roteiro nem sempre organiza essas forças com elegância, mas mantém o espectador acompanhando o básico, quem quer proteger, quem quer capturar e quem está disposto a destruir tudo pelo caminho.

Um espetáculo irregular, mas vivo

“Inimigo Mortal” funciona melhor quando aceita seu lado exagerado. Há vilões espalhafatosos, cenas de ação grandiosas, tecnologia em excesso e reviravoltas que pedem certa boa vontade. O filme perde força quando tenta soar sério demais, pois sua maior graça está na energia de aventura. É aquele tipo de produção que parece ter sido feita com pressa, entusiasmo e um desejo sincero de colocar Jackie Chan em uma missão maior que a realidade permite. Nem tudo encaixa, mas quase nada fica parado.

Como crítica, vale reconhecer os limites sem desprezar o prazer simples da sessão. Leo Zhang entrega um filme irregular, por vezes confuso, mas sustentado por um protagonista que ainda sabe transformar movimento em emoção. Nana Ouyang dá a Nancy uma vulnerabilidade importante, Show Lo injeta leveza e Callan Mulvey assume o vilão com presença suficiente para manter a ameaça em curso. “Inimigo Mortal” pode não estar entre os grandes momentos da carreira de Jackie Chan, mas oferece ação, ficção científica e afeto familiar em uma mistura barulhenta, curiosa e, em boa parte do tempo, divertida.


Filme: Inimigo Mortal
Diretor: Leo Zhang
Ano: 2017
Gênero: Ação/Ficção Científica/Suspense
Avaliação: 3/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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