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Listas de melhores filmes têm sempre alguma coisa de injustiça premeditada. O ano ainda nem terminou, outras produções chegarão aos cinemas e às plataformas, algumas das escolhas feitas agora irão envelhecer mal e aquela obra que passou despercebida talvez cresça tanto na memória que em dezembro já pareça absurdo não tê-la colocado entre as primeiras. É do jogo. A esta altura de 2026, contudo, há material suficiente para se arriscar um balanço, e dos bons.

Para chegar aos quinze títulos abaixo, ficaram de fora documentários e animações, bem como filmes que, por mais celebrados que tenham sido mundo afora, ainda não podem ser vistos legalmente no Brasil. Também não bastou ser grande produção, juntar astros ou fazer dinheiro. O ponto de partida foi a recepção da crítica, submetida a um segundo filtro, menos matemático e muito mais importante: o filme precisava ter alguma coisa a dizer depois que as luzes se acendessem. Christopher Nolan encontra Homero; Sam Raimi volta a se divertir com a desgraça alheia; Gregg Araki continua interessado no que adultos fazem quando ninguém está olhando; e Steven Spielberg, ainda às voltas com o céu, pergunta de novo se estamos mesmo preparados para saber o que há lá em cima. Pelo visto, 2026 não pretende passar em branco.

01

O Convite (2026)

COMÉDIA; DRAMA Direção de Olivia Wilde

Casamentos não costumam ruir de uma hora para outra, embora os divorciados gostem de localizar o desastre numa frase, numa noite, numa traição, qualquer coisa que torne mais suportável a constatação de que a erosão vinha de muito antes. Joe e Angela já estão perigosamente próximos dessa zona de ninguém quando convidam os vizinhos Hawk e Piña para jantar, e Olivia Wilde transforma o encontro em algo bem mais incômodo que uma comédia sobre gente rica tomando vinho e falando de sexo. Seth Rogen e a própria Wilde encarnam um casal cansado até de seus próprios cansaços, enquanto Edward Norton e Penélope Cruz chegam como duas ameaças muito bem-vestidas, felizes, desinibidas e, portanto, suspeitas. A conversa vai avançando, aparecem certas propostas e aquilo que parecia apenas libertinagem alheia começa a revelar as fraturas dos anfitriões. O problema nunca foi o convite. Era o que eles já traziam de casa.

Por que assistir

Wilde transforma um jantar numa pequena arena de ressentimentos, vaidades e desejos que ninguém sabe muito bem como confessar. O quarteto central sustenta a tensão sem recorrer a grandes truques.

02

Ardente Vingança (2026)

DRAMA; THRILLER Direção de Aleshea Harris

Vingança é um desses assuntos que a civilização condena em público e saboreia na ficção desde que o mundo é mundo. Aleshea Harris conhece a hipocrisia e parte para cima dela ao acompanhar Racine e Anaia, duas irmãs gêmeas marcadas por uma infância brutal, incumbidas pela própria mãe de encontrar o homem responsável pela desgraça da família. Parece simples, e justamente por isso não é. O acerto de contas vai engolindo tudo à volta das duas, atravessando o sul dos Estados Unidos sob a forma de um western negro, violento, às vezes engraçado na medida em que o grotesco também pode ser, e Kara Young e Mallori Johnson resistem à tentação de transformar suas personagens em mártires. São mulheres magoadas, furiosas, capazes de barbaridades e conscientes de quase todas elas. Harris não pergunta se a vingança compensa. Pergunta o que sobra depois que ela é a única herança possível.

Por que assistir

Aleshea Harris aproxima tragédia familiar, western e humor macabro sem transformar suas protagonistas em instrumentos de uma moral fácil. É nessa região incômoda entre justiça e selvageria que o filme encontra sua força.

03

Devoradores de Estrelas (2026)

FICÇÃO CIENTÍFICA; AVENTURA Direção de Phil Lord e Christopher Miller

Ryland Grace acorda numa nave, sozinho, sem memória e longe o bastante da Terra para que qualquer pedido de socorro soe como uma piada ruim. Phil Lord e Christopher Miller aproveitam o expediente para voltar ao básico da boa ficção científica: primeiro instala-se o mistério, depois vêm as respostas, e quando o espectador pensa que já entendeu o filme, surge uma criatura que muda tudo. Ryan Gosling está especialmente à vontade como esse professor de ciências convocado para uma missão da qual sequer consegue se lembrar, herói por circunstância e não por vocação, o que sempre rende personagens mais interessantes. A ameaça envolve o Sol, a sobrevivência da espécie e uma quantidade generosa de conceitos científicos, mas o grande pulo do gato é outro. “Devoradores de Estrelas” fala de comunicação, amizade e confiança entre dois seres que deveriam ser absolutamente estranhos um ao outro. O universo é imenso. A solidão, muito maior.

Por que assistir

Lord e Miller usam a escala cósmica como moldura para algo muito mais íntimo. Ryan Gosling conduz ciência, aventura, humor e solidão sem deixar que os efeitos engulam o personagem.

04

A Odisseia (2026)

AVENTURA; DRAMA; FANTASIA Direção de Christopher Nolan

Homero poderia se espantar com muitas coisas neste nosso século, mas dificilmente com o fato de sua história continuar rendendo. Christopher Nolan toma para si a viagem de Odisseu depois da Guerra de Troia e, como era de esperar, faz do Mediterrâneo uma arena onde homens parecem minúsculos diante da natureza, dos deuses e, sobretudo, do tempo. Matt Damon encarna o rei de Ítaca com uma gravidade adequada a quem passa anos tentando regressar para a mulher e o filho, encontrando pelo caminho monstros, feiticeiras, sereias e toda sorte de provação que três milênios de tradição acabaram domesticando. Nolan devolve-lhes alguma ferocidade. Anne Hathaway, Tom Holland e Robert Pattinson ajudam a compor esse universo que já conhecemos sem jamais tê-lo visto assim, mas o filme é mesmo de Damon e do desespero de seu Odisseu. Voltar para casa parece banal até que a casa se transforma no lugar mais distante do mundo.

Por que assistir

Nolan reencontra em Homero homens submetidos ao tempo e a forças muito maiores que eles. Matt Damon impede que a grandiosidade do espetáculo engula a humanidade de Odisseu.

05

Heartstopper Para Sempre (2026)

DRAMA; ROMANCE Direção de Wash Westmoreland

Há uma fase dos primeiros amores em que duas pessoas sinceramente acreditam que toda a experiência humana anterior nada lhes ensinou, porque ninguém jamais amou daquele jeito. Nick e Charlie chegam à idade em que essa deliciosa presunção começa a ser submetida à realidade, e “Heartstopper Para Sempre” acerta ao não inventar vilões grandiloquentes para explicar o que acontece quando o colégio termina, a universidade se aproxima e a vida exige decisões que não cabem em mensagens acompanhadas de coraçõezinhos. Wash Westmoreland conserva a delicadeza que tornou a história popular, mas Kit Connor e Joe Locke já não interpretam os mesmos garotos. Nick prepara-se para sair; Charlie começa a descobrir que também existe sem ele. O que se põe à prova não é apenas a continuidade do romance, e sim a identidade dos dois fora dessa relação. Amadurecer, afinal, também consiste em descobrir que amar alguém não significa impedir que esse alguém mude.

Por que assistir

Westmoreland conserva a ternura da série e permite que a entrada na vida adulta complique o que parecia resolvido. Kit Connor e Joe Locke já conhecem seus personagens o bastante para fazer dos silêncios parte da história.

06

Socorro! (2026)

TERROR; THRILLER Direção de Sam Raimi

Sam Raimi sempre soube que há alguma coisa engraçada em ver gente arrogante descobrir, da pior maneira possível, que não controla absolutamente nada. Rachel McAdams e Dylan O’Brien sobrevivem a um acidente aéreo e acabam presos numa ilha, situação em que fome, sede e ferimentos logo dividem espaço com um problema talvez ainda mais grave: eles não se suportam. Raimi estica essa animosidade até onde pode, fazendo da sobrevivência uma guerra de escritório sem escritório, salário, departamento de recursos humanos ou qualquer autoridade capaz de ordenar que os dois se comportem como adultos. McAdams vai muito bem quando sua personagem percebe que as regras do mundo de antes já não valem, ao passo que O’Brien desmonta pouco a pouco o sujeito convencido de que lhe caberia naturalmente o comando. “Socorro!” tem sangue, humor e crueldade, combinação bastante familiar ao diretor. A ilha só revela quem aqueles dois sempre foram.

Por que assistir

Raimi reencontra seu melhor terreno ao arrancar humor de circunstâncias terríveis. Rachel McAdams e Dylan O’Brien transformam sobrevivência numa disputa de poder tão divertida quanto cruel.

07

Extermínio: O Templo dos Ossos (2026)

TERROR; FICÇÃO CIENTÍFICA Direção de Nia DaCosta

Uma vez destruída a civilização, não tarda para que alguém invente outra, quase sempre pior. Nia DaCosta parte desse princípio em “Extermínio: O Templo dos Ossos”, no qual os infectados continuam correndo, atacando e espalhando o velho horror da franquia, embora a verdadeira ameaça venha de homens perfeitamente capazes de falar, rezar e organizar-se. Ralph Fiennes volta como o doutor Kelson, espécie de racionalidade sobrevivente num mundo que já não parece ter muita utilidade para ela, enquanto Spike aproxima-se de Jimmy Crystal, líder de uma seita para a qual o apocalipse é menos uma tragédia que uma oportunidade. Jack O’Connell dá ao personagem a medida exata de fanatismo e ridículo, mistura perigosíssima em qualquer tempo. DaCosta compreende que zumbis assustam, claro, mas obedecem a impulsos elementares. Homens constroem doutrinas para justificar os seus. E então fica difícil saber de quem correr primeiro.

Por que assistir

DaCosta desloca o terror dos infectados para a capacidade humana de transformar brutalidade em doutrina. Ralph Fiennes e Jack O’Connell ocupam os extremos desse mundo sem ordem.

08

Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026)

AÇÃO; FICÇÃO CIENTÍFICA Direção de Destin Daniel Cretton

Peter Parker conseguiu a solidão perfeita. Ninguém sabe quem ele é, ninguém se recorda do que viveu ao lado dele e, em tese, essa anulação poderia permitir ao rapaz começar outra vez sem as dívidas emocionais que o acompanharam desde que uma aranha radioativa resolveu interferir em seu destino. Evidentemente, não funciona assim. Destin Daniel Cretton recupera o Homem-Aranha como um herói mais urbano, menos interessado em salvar universos inteiros e obrigado a cuidar de Nova York enquanto tenta levar uma vida que já não pode dividir com os mesmos amigos. Tom Holland aproveita bem essa versão mais melancólica de Peter, maduro o bastante para saber quanto perdeu e ainda jovem demais para aceitar a perda. Zendaya continua a pairar sobre a história como uma memória que só pertence a ele, e o filme ganha força justamente nesses silêncios. Superpoder algum serve para obrigar alguém a lembrar-se de você.

Por que assistir

Cretton reduz novamente a distância entre o super-herói e o rapaz dentro da máscara. Tom Holland encontra uma versão mais solitária e madura de Peter Parker sem perder a leveza da franquia.

09

Peaky Blinders: O Homem Imortal (2026)

CRIME; DRAMA Direção de Tom Harper

Tommy Shelby já fez dinheiro, guerra, política, inimigos e cadáveres em quantidade suficiente para várias existências, mas parece condenado àquela mesma que o acompanha desde Birmingham. Tom Harper recupera o personagem em plena Segunda Guerra Mundial, arrastado de volta ao jogo depois que o filho envolve-se num complô de inclinações nazistas, combinação que só poderia mesmo despertar o pior — ou o melhor, a depender do ponto de vista — desse gângster vestido como um cavalheiro. Cillian Murphy conhece Tommy de tal maneira que já não precisa fazer muito para torná-lo ameaçador; um olhar ligeiramente mais demorado e sabemos que alguém terá problemas. Rebecca Ferguson e Tim Roth acrescentam novos focos de suspeita a uma história em que lealdade nunca foi virtude abundante. A guerra muda a escala, não a natureza do conflito. Tommy continua tentando vencer homens parecidos com ele, e talvez essa seja a razão de jamais conseguir descansar.

Por que assistir

Cillian Murphy já conhece Tommy Shelby o suficiente para ameaçar sem levantar a voz. O cinema amplia a escala histórica, mas preserva família, poder, paranoia e a permanente impossibilidade de descanso.

10

I Want Your Sex (2026)

COMÉDIA; DRAMA; ERÓTICO Direção de Gregg Araki

Gregg Araki não chegou até aqui para descobrir as virtudes da castidade. “I Want Your Sex” volta ao desejo, à obsessão e ao desequilíbrio de poder com a desenvoltura de quem sabe que sexo no cinema só é realmente interessante quando complica as coisas. Elliot, vivido por Cooper Hoffman, começa a trabalhar para Erika Tracy, uma artista célebre que também escolhe o rapaz como musa sexual, expressão suficientemente estranha para anunciar que dali não sairá nenhuma relação muito convencional. Olivia Wilde domina as cenas em que Erika testa os limites do novo protegido, enquanto ele oscila entre o fascínio, o medo e a vaidade de imaginar-se à altura de uma mulher que já entendeu o jogo antes que ele aprendesse as regras. Araki ri dos puritanos, mas também dos libertinos profissionais. Consentimento, desejo e poder misturam-se até que ninguém possa alegar inocência. Adultos fazem coisas complicadas quando pensam estar apenas se divertindo.

Por que assistir

Araki continua interessado no ponto em que desejo e poder deixam de ser facilmente separáveis. Olivia Wilde e Cooper Hoffman sustentam uma relação que jamais se acomoda na provocação fácil.

11

Caminhos do Crime (2026)

CRIME; THRILLER Direção de Bart Layton

Ladrões sofisticados têm a estranha convicção de que não pertencem à mesma espécie dos criminosos comuns, como se ternos bem cortados, planejamento e alguns milhões de dólares transformassem delito em ofício. Bart Layton explora essa vaidade ao colocar Chris Hemsworth na pele de um ladrão de joias que atravessa a costa do Pacífico executando roubos com precisão bastante para despertar o interesse de um detetive igualmente obstinado, vivido por Mark Ruffalo. Um caça o outro, e claro que os dois logo começam a parecer homens submetidos ao mesmo vício, apenas em lados distintos da lei. Halle Berry entra no ponto em que a matemática já começava a ficar confortável demais, obrigando o protagonista a lidar com algo para o qual nenhum plano funciona perfeitamente. Layton conhece o prazer de acompanhar um crime bem executado, mas também sabe que o espectador paga mesmo para assistir ao instante em que alguma coisa sai terrivelmente errada.

Por que assistir

Hemsworth e Ruffalo transformam perseguição em espelhamento entre duas obsessões. Bart Layton sabe que assaltos perfeitos só ficam realmente interessantes quando a perfeição começa a desmoronar.

12

Hit Para Dois (2026)

COMÉDIA; DRAMA; MUSICAL Direção de John Carney

Artistas fracassados têm duas opções: aceitar que o mundo cometeu uma injustiça ou admitir que talvez não fossem tão bons quanto pensavam, e a primeira costuma ser muito mais agradável. Rick, cantor de festas interpretado por Paul Rudd, não precisa tomar essa decisão porque uma velha canção sua chega às mãos de Danny, ex-astro adolescente vivido por Nick Jonas, que a transforma no sucesso que ele próprio jamais conseguiu fazer acontecer. O pequeno problema é que o crédito desaparece no caminho. John Carney volta ao ambiente musical que conhece bem para construir uma história sobre ambição e reconhecimento sem perder a leveza, tirando de Rudd o ressentimento de um homem que vê outro vivendo a vida que julgava reservada para si. Jonas, por sua vez, faz de Danny alguém vaidoso o bastante para ser irritante, mas não um monstro. Canções pertencem a quem as escreve. O sucesso, infelizmente, costuma ter outros donos.

Por que assistir

John Carney conhece bem demais artistas, sucesso e ressentimento para idealizá-los. Paul Rudd e Nick Jonas fazem da disputa por uma canção uma comédia amarga sobre reconhecimento.

13

Backrooms: Um Não-Lugar (2026)

TERROR; FICÇÃO CIENTÍFICA Direção de Kane Parsons

Corredores vazios, carpetes velhos, luzes fluorescentes e paredes de uma cor que ninguém escolheria voluntariamente para a própria casa bastaram para que a internet inventasse um de seus pesadelos mais eficazes. Kane Parsons leva os Backrooms ao cinema sem estragar inteiramente o mistério, façanha considerável num tempo em que todo monstro precisa ganhar origem, genealogia e franquia. Clark, o personagem de Chiwetel Ejiofor, está devastado pelo divórcio e começa a dormir na loja de móveis em que trabalha, até encontrar no porão uma passagem para um labirinto em que o espaço parece ter enlouquecido. Renate Reinsve entra como a terapeuta ainda conectada ao mundo de fora, enquanto Parsons resiste, felizmente, a explicar cada ruído e cada porta. O terror vem precisamente da ausência de resposta. Labirintos pressupõem saída. Os Backrooms parecem não ter assumido esse compromisso.

Por que assistir

Kane Parsons preserva o mistério e transforma arquitetura banal em ameaça. Chiwetel Ejiofor oferece humanidade suficiente para que os corredores vazios sejam mais perturbadores que qualquer monstro.

14

Alerta Apocalipse (2026)

TERROR; FICÇÃO CIENTÍFICA; COMÉDIA Direção de Jonny Campbell

Depois de bombas atômicas, inteligência artificial, alienígenas e epidemias, a humanidade finalmente encontra um adversário condizente com sua soberba: um fungo. “Alerta Apocalipse” começa quando um organismo mutante escapa de uma instalação mantida longe de olhos curiosos, porque governos no cinema jamais aprendem que esconder experimentos perigosos em instalações secretas é apenas uma maneira mais trabalhosa de provocar catástrofes. Joe Keery e Georgina Campbell são os infelizes da vez, funcionários transformados em defensores da espécie antes que consigam entender por que justamente eles, enquanto Liam Neeson dá a Robert Quinn a solenidade necessária para falar de esporos assassinos sem que tudo descambe para a comédia involuntária. Jonny Campbell, contudo, não foge do ridículo da premissa e faz bem. Há humor, horror corporal e ficção científica em doses desiguais. No fim, milhões de anos de evolução ameaçados por algo que se espalha pelo ar. Darwin talvez achasse graça.

Por que assistir

Jonny Campbell compreende que sua premissa funciona melhor quando o absurdo não é escondido. Joe Keery, Georgina Campbell e Liam Neeson sustentam o equilíbrio entre catástrofe, horror corporal e humor.

15

Dia D (2026)

FICÇÃO CIENTÍFICA; DRAMA Direção de Steven Spielberg

Steven Spielberg olha para o céu há quase cinquenta anos e ainda parece convencido de que alguma coisa pode descer de lá. Em “Dia D”, o diretor retorna à obsessão que atravessa “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977) e “E.T. — O Extraterrestre” (1982), agora menos interessado no maravilhamento infantil que na bagunça civilizatória que uma prova incontestável de vida extraterrestre provocaria. Emily Blunt ocupa o centro da história, cercada por Josh O’Connor, Colin Firth e Colman Domingo, à medida que fenômenos difíceis de explicar deixam governos e cientistas sem a confortável possibilidade de negar o óbvio. Spielberg conhece como poucos a escala dessas histórias, mas seus melhores momentos continuam a nascer de rostos olhando para alguma coisa que não compreendem. O filme pode falar de alienígenas; no fundo, volta à velha espécie humana e a seu pavor diante da descoberta de que o universo não lhe pertence.

Por que assistir

Spielberg retorna a uma obsessão essencial de sua filmografia, agora com menos inocência. Emily Blunt oferece um rosto humano ao assombro, enquanto a descoberta extraterrestre ganha consequências políticas, científicas e íntimas.

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