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Em “Fallen”, lançado em 2016 e dirigido por Scott Hicks, Lucinda “Luce” Price (Addison Timlin) chega ao reformatório Sword & Cross após ser acusada de envolvimento na morte de um rapaz. Aos 17 anos, ela insiste que não cometeu o crime, mas sua versão encontra pouco espaço em uma instituição sombria, severa e interessada em disciplina. A partir dessa entrada forçada, o filme mistura drama adolescente, fantasia, romance e suspense para acompanhar uma garota que perde a antiga vida antes mesmo de compreender o que aconteceu.

A nova rotina de Luce é marcada por vigilância, regras e desconfiança. Sword & Cross parece menos uma escola e mais um lugar onde jovens problemáticos são mantidos sob controle, com corredores escuros, salas austeras e adultos que tratam qualquer pergunta com frieza. Para piorar, Luce também convive com visões estranhas, sombras e lembranças confusas que a deixam ainda mais vulnerável. Ela tenta se defender, mas o próprio medo vira prova contra ela, e cada gesto seu passa a ser observado.

Daniel e Cam entram na história

Nesse ambiente hostil, dois alunos chamam a atenção da protagonista. Daniel Grigori (Jeremy Irvine) surge como uma figura distante, fechada e desconfortável com a presença de Luce. A reação dele não parece simples antipatia. Há algo em seu olhar que sugere reconhecimento, embora ele prefira afastá-la sempre que a aproximação ameaça virar conversa. Luce percebe essa tensão e insiste, movida por uma sensação que não sabe explicar. O problema é que Daniel age como alguém que guarda uma informação perigosa.

Cam Briel (Harrison Gilbertson), por outro lado, aparece com charme, presença e uma disposição maior para se aproximar. Ele oferece atenção em um lugar onde Luce recebe mais suspeita do que acolhimento. Essa diferença cria uma divisão central no romance. Daniel desperta uma ligação quase intuitiva, mas se mantém inacessível. Cam parece mais aberto, mas também carrega uma aura de mistério. Entre os dois, Luce tenta descobrir em quem pode confiar, enquanto sua permanência no reformatório fica cercada por sinais que ninguém se apressa em explicar.

O triângulo amoroso é a parte mais reconhecível de “Fallen”, mas o filme ganha interesse quando trata essa disputa como uma questão de informação. Luce está em desvantagem porque sabe menos do que todos ao redor. Daniel e Cam parecem conhecer capítulos de uma história que ela ainda não acessou. O romance, então, não nasce apenas de olhares demorados e frases interrompidas. Ele cresce dentro de uma desigualdade incômoda, na qual a protagonista precisa escolher sem receber todas as peças.

As visões aumentam o risco

As sombras que perseguem Luce dão ao suspense uma função importante. Elas não existem apenas para assustar, mas para afastar a garota da normalidade que ela tenta recuperar. Quando as visões surgem, a confiança dos outros diminui, e sua própria percepção fica sob suspeita. Addison Timlin interpreta Luce com uma mistura de teimosia e fragilidade que ajuda a sustentar essa dúvida. A personagem não é uma vítima passiva, mas também não tem força suficiente para atravessar sozinha um lugar onde todos parecem saber mais.

A presença de Pennyweather “Penn” Van Syckle-Lockwood (Lola Kirke) ajuda a quebrar a rigidez de Sword & Cross. Penn funciona como uma aliada possível, alguém que oferece alguma leveza dentro daquele ambiente carregado. A amizade entre as duas permite que Luce tenha uma ponte com a vida comum, algo essencial em uma história dominada por segredos, castigos e rapazes misteriosos demais para uma adolescente recém-chegada. Sem Penn, o filme ficaria preso apenas ao clima de romance proibido. Com ela, a protagonista respira um pouco.

Também há espaço para personagens que reforçam a sensação de ameaça ao redor de Luce, como Molly Zane (Sianoa Smit-McPhee), uma presença áspera dentro do reformatório, e Gabbe Givens (Hermione Corfield), que participa desse círculo de jovens marcados por algo maior do que a rotina escolar. O roteiro nem sempre dá a todos o mesmo peso, mas deixa evidente que Sword & Cross reúne pessoas com histórias escondidas. O lugar, portanto, não é apenas cenário. Ele guarda uma rede de vínculos, rivalidades e segredos.

A fantasia muda o romance

Quando a mitologia dos anjos caídos entra com mais força, “Fallen” assume de vez seu lado fantástico. Daniel e Cam deixam de ser apenas dois estudantes enigmáticos e passam a representar forças antigas, ligadas a escolhas que atravessam mais de uma vida. O filme usa essa revelação para transformar a paixão adolescente em uma disputa maior, na qual amor, culpa e destino pesam sobre a protagonista. Ainda assim, o ponto mais interessante continua sendo Luce, porque é ela quem precisa lidar com as consequências sem ter pedido para entrar nessa guerra.

Scott Hicks aposta em uma atmosfera de mistério, com pausas, olhares e cenas que seguram informações por mais tempo do que o habitual. Essa opção combina com a ideia de uma jovem cercada por verdades incompletas, embora também deixe o ritmo irregular em alguns momentos. O filme às vezes parece tão interessado em criar clima que demora a fortalecer certas relações. Ainda assim, há uma coerência no modo como a dúvida acompanha Luce. Ela não investiga por curiosidade. Ela investiga porque sua liberdade, sua memória e seus afetos foram colocados em disputa.

Um romance de culpa e destino

“Fallen” pertence à linhagem dos romances juvenis sobrenaturais que fizeram sucesso ao unir internatos sombrios, amores impossíveis e criaturas condenadas a sentimentos intensos. A comparação com “Crepúsculo” surge quase por reflexo, mas a história de Luce tem um ponto próprio. Aqui, a protagonista começa marcada por uma acusação grave, isolada em uma instituição disciplinar e cercada por pessoas que conhecem sua história melhor do que ela. Isso dá ao romance um peso menos confortável, porque amar também significa correr o risco de acreditar na pessoa errada.

O filme não acerta tudo. Alguns personagens poderiam ter mais desenvolvimento, e certas passagens pedem mais densidade emocional. Mesmo assim, “Fallen” tem uma premissa sedutora e uma atmosfera que conversa bem com quem gosta de fantasia romântica, mistério adolescente e paixões atravessadas por forças maiores. Sem entregar os principais desdobramentos, a obra acompanha Luce enquanto ela tenta recuperar controle sobre a própria vida. Ao sair de cada corredor de Sword & Cross com uma nova pergunta, ela perde um pouco da inocência e ganha mais urgência para decidir em quem confiar.


Filme: Fallen
Diretor: Scott Hicks
Ano: 2016
Gênero: Drama/Fantasia/Romance/Suspense
Avaliação: 3/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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