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“Perseguição Explosiva” acompanha Danny Stratton (Orlando Bloom), um agente de segurança particular que tenta salvar a própria reputação depois de perder, sob sua supervisão, uma pintura rara de Van Gogh. Agora, em Xangai, ele recebe uma nova missão. Levar um vaso chinês antigo até Londres e provar que ainda pode proteger uma peça valiosa sem deixar tudo virar um desastre internacional com direito a perseguição, capangas armados e muita gente desconfiando de sua competência.

Dirigido por Charles Martin, o filme mistura ação e suspense em uma história de recuperação profissional. Danny não é apresentado como um herói infalível, daqueles que entram numa sala e todos respiram aliviados. Pelo contrário. Ele já chega marcado por um fracasso caro, daqueles que fazem clientes ricos franzirem a testa antes mesmo de assinar qualquer contrato. O roubo do Van Gogh virou uma mancha pública em sua carreira, e o novo trabalho surge menos como convite honroso e mais como última chance.

A missão parece simples apenas no papel. Um vaso chinês antigo precisa sair de Xangai e chegar a Londres em segurança. A peça vale muito dinheiro, atrai interesses perigosos e circula num ambiente em que arte, crime e prestígio caminham lado a lado. Para Danny, proteger o objeto significa também recuperar autoridade diante de pessoas que passaram a duvidar dele. O problema é que Long Fei (Xing Yu), um ladrão de arte ligado ao passado do agente, volta a atravessar seu caminho e transforma a operação em uma corrida de alto risco.

A equipe tenta segurar a missão

Danny não trabalha sozinho. Ele conta com Mach Ren (Simon Yam), J. Jae An (Hannah Quinlivan) e Ding Dong Tang (Lei Wu), integrantes de uma equipe especializada em recuperação e segurança. Cada um entra na operação com uma função bem definida. Mach Ren oferece força física e experiência. J. Jae An traz equilíbrio e leitura mais fria das situações. Ding Dong Tang, apesar do nome que parece ter saído de uma piada interna de escritório, cuida da parte tecnológica e ajuda a colocar a equipe no século certo.

Essa composição dá ao filme uma dinâmica mais leve. “Perseguição Explosiva” sabe que sua premissa é extravagante e não tenta fingir o contrário. Há um agente desacreditado, uma relíquia chinesa, um ladrão de arte vingativo, uma rota internacional e uma equipe que precisa impedir que tudo saia do controle. O roteiro trabalha com elementos conhecidos do cinema de ação, mas encontra alguma graça na forma atrapalhada com que Danny tenta parecer seguro quando, na verdade, está cercado por gente mais preparada em alguns momentos.

Orlando Bloom interpreta Danny com um ar de cansaço elegante. Ele não faz do personagem um superagente imbatível, e isso ajuda a dar algum charme à história. Danny erra, insiste, reage sob pressão e tenta compensar no corpo aquilo que perdeu em credibilidade. O filme ganha quando permite que ele seja competente sem ser brilhante, corajoso sem parecer invencível. A missão fica mais interessante porque sua reputação está tão ameaçada quanto o vaso que ele precisa entregar.

Long Fei volta ao jogo

Long Fei (Xing Yu) é o vilão que funciona melhor quando surge como lembrança incômoda do passado de Danny. Ele não quer apenas roubar uma peça valiosa. Seu retorno também mexe com a ferida aberta pelo caso do Van Gogh, pois cada ataque reforça a ideia de que Danny talvez não seja o homem certo para aquela tarefa. Essa pressão dá ao suspense um eixo simples. O agente precisa proteger o vaso, manter sua equipe viva e impedir que a própria história profissional seja enterrada de vez.

O filme também aproxima a missão de um vínculo pessoal. Ling Mo (Lynn Hung) entra nessa rede de relações e faz com que Danny tenha mais a perder do que um contrato. A presença dela retira a operação do campo puramente profissional e coloca o agente diante de escolhas mais delicadas. Quando os criminosos cercam a equipe, o valor do artefato deixa de ser o único problema. Pessoas passam a ocupar o centro do risco, e Danny precisa agir sem transformar sua tentativa de redenção em uma sequência ainda maior de perdas.

Charles Martin aposta em perseguições, deslocamentos e emboscadas para manter a história em movimento. A ação não tem a brutalidade mais seca de certos thrillers contemporâneos, mas trabalha bem com a pressa dos personagens. Xangai surge como cenário de circulação, fuga e ameaça. Ruas, veículos, galpões e pontos de passagem criam a sensação de que a equipe nunca tem tempo suficiente para respirar. Cada parada aumenta a chance de Long Fei chegar antes.

Ação com charme irregular

“Perseguição Explosiva” assume o prazer de uma aventura internacional com arte roubada, agentes privados, tecnologia, pancadaria e um vilão que aparece para cobrar uma dívida mal resolvida. Há momentos em que o roteiro parece simples demais, especialmente quando os personagens explicam suas funções com pouca sutileza. Ainda assim, a produção tem ritmo e sabe usar o carisma do elenco para contornar suas partes mais previsíveis.

Simon Yam dá peso a Mach Ren, um personagem que parece sempre pronto para resolver problemas com menos conversa e mais presença. Lei Wu traz energia a Ding Dong Tang, figura que poderia virar apenas alívio cômico, mas também ajuda a mover a operação. Hannah Quinlivan, como J. Jae An, ocupa o espaço da integrante mais centrada, capaz de dar ao grupo alguma ordem quando Danny se deixa levar pela urgência. O trio ajuda a equilibrar o protagonista e torna a equipe mais interessante do que uma simples escolta de luxo.

O filme transforma a entrega do vaso em prova pública de confiança. Danny precisa recuperar o objeto, proteger quem está ao redor e mostrar que o roubo anterior não definiu sua carreira. Essa camada dá ao enredo uma motivação compreensível, sem exigir grandes discursos. Ele quer voltar a ser levado a sério. Em um universo de colecionadores, criminosos e contratos milionários, isso significa chegar ao destino com a peça intacta e com menos gente apontando o dedo para ele.

Uma aventura sem solenidade

A graça de “Perseguição Explosiva” é sua disposição para tratar tudo com energia, sem pesar demais a mão. O filme tem vilão, relíquia, romance, parceria, correria e aquela sensação de que bastaria alguém guardar melhor uma obra de arte para muita gente poder dormir tranquila. Mas aí não haveria filme, nem Orlando Bloom correndo atrás de vaso chinês enquanto tenta reconstruir a própria imagem profissional.

Como crítica de ação, a produção entrega uma experiência irregular, porém simpática. O enredo é fácil de acompanhar, os personagens têm funções nítidas e o conflito central permanece visível do começo ao avanço da missão. Danny Stratton (Orlando Bloom) entra na história desacreditado e passa a lutar por algo maior que um pagamento. Ele precisa provar, diante de parceiros, inimigos e clientes poderosos, que ainda sabe proteger o que lhe foi confiado. Em “Perseguição Explosiva”, cada quilômetro entre Xangai e Londres cobra essa prova.


Filme: Perseguição Explosiva
Diretor: Charles Martin
Ano: 2017
Gênero: Ação/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
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