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Quando uma nova criatura desperta nas montanhas da Noruega e ameaça cidades inteiras, a pesquisadora Nora Tidemann volta à linha de frente para impedir uma guerra entre humanos e trolls. Três anos após os eventos do primeiro filme, a continuação dirigida por Roar Uthaug amplia a escala da ameaça, leva a ação para diferentes regiões do país e tenta responder uma pergunta que ficou em aberto desde o longa original. Ainda existe espaço para convivência entre os dois mundos?

Lançado em 2025 pela Netflix, “O Troll da Montanha 2” retoma a história de Nora, interpretada por Ine Marie Wilmann. Desde seu encontro com o Rei Troll, ela abandonou o trabalho junto ao governo norueguês e passou a viver isolada em uma cabana distante. A paz, porém, dura pouco. Andreas Isaksen, vivido por Kim S. Falck-Jørgensen, surge com notícias preocupantes sobre uma descoberta mantida em absoluto sigilo pelas autoridades.

Os dois seguem para Vemork, onde uma instalação subterrânea abriga um enorme troll adormecido conhecido pelo codinome Jotun. O local é administrado por Marion Rhadani, personagem de Sara Khorami. Ali também trabalham o professor Møller e o professor Wangel, estudiosos que tentam desvendar documentos antigos ligados ao rei Olaf, figura histórica cercada por mitos dentro da narrativa.

Um erro que desperta uma ameaça

Uma visita ao laboratório termina em desastre. Durante uma aproximação aparentemente segura, Jotun desperta e escapa da instalação, deixando mortos pelo caminho.

A partir desse momento, a trama vira uma corrida contra o tempo. O governo norueguês passa a enxergar a criatura apenas como uma ameaça militar. Nora insiste que a situação é mais complexa. Ela acredita que eliminar o troll pode provocar consequências ainda maiores e tenta convencer as autoridades a buscar outra alternativa.

Essa divergência cria boa parte da tensão do filme. Enquanto políticos e militares procuram formas de destruir Jotun, Nora busca compreender suas intenções. O roteiro faz questão de mostrar que conhecimento e força raramente caminham lado a lado quando o medo passa a ditar decisões.

A criatura que carrega o passado

Roar Uthaug amplia a escala da produção sem abandonar elementos que funcionaram no primeiro longa. Os trolls continuam impressionantes, mas a narrativa reserva espaço para algo além da destruição de prédios e estradas.

Durante a investigação, Nora retorna à caverna onde o Rei Troll surgiu anos antes. É ali que ela reencontra o filho da criatura, agora adulto. O jovem troll recebe o apelido de Beautiful e se torna uma peça importante da história.

A relação construída entre os dois rende algumas das passagens mais interessantes do filme. Enquanto soldados observam tudo com desconfiança, Nora tenta estabelecer comunicação usando uma antiga canção ensinada por seu pai. O recurso pode soar estranho quando descrito no papel, mas funciona dentro da lógica proposta pela trama.

Beautiful acaba servindo como ponte entre dois mundos que insistem em permanecer separados. Sua presença ajuda a transformar a aventura em algo mais rico do que uma simples caçada a monstros gigantes.

Mistério sob as igrejas da Noruega

Conforme Jotun avança pelo país, os protagonistas descobrem que sua movimentação segue uma rota específica. Essa pista leva o grupo até Trondheim, antiga capital norueguesa e lar da Catedral de Nidaros.

É nesse trecho que “O Troll da Montanha 2” chega no seu ponto mais interessante. A busca deixa de ser apenas física e passa a envolver segredos enterrados pela própria história do país. Documentos esquecidos revelam que o rei Olaf talvez não tenha sido o exterminador de trolls que as versões oficiais registraram durante séculos.

As descobertas alteram completamente a forma como os personagens enxergam o conflito. O passado deixa de funcionar apenas como pano de fundo e passa a influenciar decisões importantes tomadas no presente.

Há também um mérito considerável na maneira como o roteiro utiliza locais históricos. Igrejas, túmulos e arquivos antigos não aparecem apenas para compor cenário. Cada descoberta fornece informações que ajudam a compreender os objetivos da criatura e a dimensão do perigo.

Ação, fantasia e emoção familiar

Embora seja vendido principalmente como um filme de aventura, “O Troll da Montanha 2” faz seus melhores momentos nas relações humanas. Nora carrega culpa, dúvidas e lembranças que ainda pesam sobre suas escolhas. Andreas surge como parceiro fiel durante a crise. Marion ganha espaço progressivamente e se torna uma presença relevante na equipe.

O elenco funciona bem porque os personagens possuem objetivos claros. Cada um procura resolver o problema por caminhos diferentes, o que impede que a narrativa fique presa apenas a perseguições e batalhas.

Roar Uthaug também mostra habilidade ao administrar o ritmo. As sequências de ação são frequentes, mas não sufocam os momentos de investigação. Quando uma cena termina, a seguinte normalmente acrescenta uma nova informação ou cria um obstáculo diferente para os protagonistas.

Há espaço até para pequenos momentos de leveza. Afinal, um filme sobre trolls gigantes tentando atravessar a Noruega possui uma dose inevitável de absurdo. A produção reconhece isso e utiliza a situação a seu favor sem transformar a aventura em paródia.

Uma continuação maior e mais ambiciosa

“O Troll da Montanha 2” não possui o mesmo fator surpresa do original. O público já conhece as regras daquele universo e sabe o que esperar das criaturas. Em compensação, a continuação aposta em uma história mais ampla, mais movimentada e emocionalmente mais madura.

O filme preserva o encanto das lendas escandinavas enquanto adiciona elementos históricos, religiosos e políticos que enriquecem a narrativa. Nem todas as ideias recebem o mesmo desenvolvimento, mas a produção mantém o interesse do começo ao fim graças à combinação eficiente entre mistério, aventura e fantasia.

Para quem gostou do primeiro longa, a continuação entrega exatamente aquilo que promete. Mais trolls, mais descobertas e uma protagonista que continua acreditando que compreender o outro pode ser tão importante quanto derrotá-lo.


Filme: O Troll da Montanha
Diretor: Roar Uthaug
Ano: 2025
Gênero: Ação/Aventura/Fantasia/Suspense
Avaliação: 3/5 1 1
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