Muitas vezes, grandes problemas podem ser resolvidos com pequenas viagens, ainda que ninguém garanta que novas questões e ainda mais absorventes não surjam pelo caminho, exigindo soluções que acabam se perdendo. Nada é tão inspirador para alguém que vai experimentando desilusões de naturezas variadas que o recomeço num lugar novo, argumento essencial de “Recém-Chegada”. Numa mistura de serenidade e algum escracho, Jonas Elmer conta a história de uma mulher que se faz de durona, mas que também não se furta a despir a máscara e revelar o espírito vulnerável capaz de amolecer outros corações arenosos. Os roteiristas C. Jay Cox e Ken Rance às vezes pesam no nonsense que cerca a protagonista, mas ela mesma alivia um qualquer incômodo.
Duas mulheres e um homem
Lucy Hill não é a única mulher determinada de New Ulm — até porque ela não é de lá, e talvez não seja de lugar nenhum. Lucy trocou o sol eterno de Miami pela neve furiosa de Minnesota por uma questão profissional e se esforça para adaptar-se o quanto antes, embora a resistência dos nativos exceda muito o limite do tolerável. Nas primeiras cenas, Blanche Gunderson, uma figura diametralmente oposta à da forasteira, cola recortes num álbum com as vizinhas, representação pictórica com que Elmer congela o olhar do espectador naquela paisagem branca, destacada pela bela fotografia de Chris Seager. Ao longo de 97 minutos, Siobhan Fallon Hogan é a coadjuvante de que Renée Zellweger precisa, e qualquer filme que disponha de J.K. Simmons leva o público a um ponto que ele deve conhecer.

