O passar do tempo não é garantia de nada. Sócrates (470 a.C. — 399 a.C) foi quem primeiro cantou a bola da inutilidade da velhice ao elaborar o pensamento que reza que quanto mais os anos se sobrepõem uns aos outros, mais o homem nota sua ignorância — o homem sensato ao menos —, sem mais dispor de toda aquela gordura para queimar, sem conseguir reacender a chama fria da curiosidade frente ao novo e aprimorar seu langoroso espírito. “Acampamento com as Amigas” parece ter uma boa receita para, de uma vez só, amansar a fera da vetustez e conduzir a uma ilação auspiciosa sobre como driblar suas tantas inconveniências. A diretora Castille Landon alcança tal efeito valendo-se de um trio de protagonistas que fazem do humor a ponte para a autodescoberta.
Em algum lugar do passado
O passado é como um monstro que pensamos encerrar numa gaiola de ouro, o nutrindo e acalentando, até que ele, afinal, revela sua força. Resta em algum lugar, escondido no coração, um baú de estrelas e de ossos do qual se tiram as lembranças de momentos bons e horas pálidas que, com alguma paciência, viram recordações que o tempo não apaga nunca. Ginny, Mary e Nora partilham memórias rosicleres de quando eram as meninas sonhadoras que passavam o verão no Acampamento Pináculo. Meio século depois, elas voltam a se encontrar onde tudo começou, e a diretora-roteirista aprofunda-se nessa longa amizade, realçando as diferenças entre as três. Kathy Bates, Alfre Woodard e Diane Keaton (1946-2025) usam o flashback inicial para mostrar ao público o que se tornaram aquelas garotinhas, porém à medida que o filme toma corpo, outras camadas ganham importância. Mágica que acontece com leveza, graças, claro, ao talento de cada uma, encadeado por Landon com a sensibilidade que permeia toda a história.

