“Matrix Revolutions”, de The Wachowskis, começa com Neo inconsciente em uma nave do mundo real e, por isso, incapaz de agir onde a guerra acontece. A consciência dele surge em Mobil Ave, uma estação usada como corredor entre sistemas. Uma família de programas ocupa o espaço e Rama Kandra apresenta a regra como fato: a travessia tem dono. Neo tenta embarcar no trem, encontra o Trainman no caminho e é dominado, preso no mesmo ponto, sem passagem e sem saída.
Seraph procura Morpheus e Trinity sob orientação da Oracle e entrega um diagnóstico direto: Neo está confinado naquele entre-lugar. “Matrix Revolutions” transforma a libertação em tarefa logística, com endereço e guardião. O trio vai ao Club Hel, entra no território do Merovingian e empurra a conversa para o confronto. A negociação vira imposição, e a consequência vem de imediato: o eixo que estava travado volta a se mover com Neo liberado da estação.
Neo procura a Oracle e ouve uma advertência prática, sem margem para descanso: Smith representa risco tanto para a Matrix quanto para o mundo real. A partir dali, o problema deixa de ser apenas atravessar portas e passa a incluir a perda de controle dentro do próprio sistema. Keanu Reeves sustenta esse deslocamento com uma presença seca, mais eficaz quando o personagem precisa decidir e avançar do que quando é obrigado a esperar a permissão alheia. O tempo gasto com intermediários passa a soar como atraso caro, porque a ameaça cresce enquanto a travessia emperra.
Smith toma Seraph e a Oracle
Smith acelera justamente porque não discute; ele toma. A assimilação de Seraph e, depois, da Oracle retira peças centrais do tabuleiro e coloca informação nas mãos do inimigo. A mudança aparece no que fica indisponível: aliados deixam de operar como antes, e a vantagem de Smith se expande por captura, não por discurso. O risco dentro da Matrix passa a ser medido pelo que ele incorpora e pelo que os outros perdem em capacidade de reação.
Zion, enquanto isso, lida com uma pressão que não admite pausa. Os Sentinels apertam o cerco, a batalha chega ao estaleiro e as forças humanas recuam para esperar o próximo ataque. O movimento de enfrentar e ceder transforma a defesa em rotina de sobrevivência, sem promessa de avanço. A ideia de “segurar tempo suficiente” ganha forma nesse recuo que já anuncia repetição: cada onda empurra o limite de resistência, e o intervalo entre ataques parece curto demais.
A Logos e a infiltração de Bane
A Logos desloca o risco para dentro de um espaço fechado. Niobe oferece a nave a Neo e viabiliza a viagem com Trinity, mas a mesma abertura permite a infiltração de Bane. O ataque acontece de perto, com um cabo de energia que cega Neo e muda sua condição de operação em segundos. Carrie-Anne Moss atravessa o episódio com precisão física: Trinity precisa manter a missão em movimento enquanto o perigo está ao lado, dentro da própria nave, e não apenas adiante.
Neo não sai dessa emboscada por acaso; a reação vem de uma mudança concreta de percepção. Mesmo cego, ele passa a ver “código-fonte” no mundo real e vence a luta contra Bane, recuperando a possibilidade de seguir viagem. A marcha retoma o rumo, mas o quadro geral permanece travado nos dois eixos já apresentados: Zion recua sob ataque anunciado, e Smith continua acumulando vantagem ao assimilar programas centrais, encurtando o tempo disponível para qualquer decisão do outro lado.
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