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Do Wattpad pro topo: o romance que virou #1 no Prime Video (e ninguém viu chegando) Divulgação / Amazon Prime Video

Do Wattpad pro topo: o romance que virou #1 no Prime Video (e ninguém viu chegando)

“Love Me, Love Me” coloca June em Milão, na Itália, quando ela decide mudar-se para recomeçar a vida após a morte do irmão. June chega com a mãe e tenta organizar rotina, estudos e relações no mesmo movimento. A cidade surge como dado concreto de deslocamento e adaptação, sem desvio para explicações externas. June age com pressa prática: precisa entrar no novo espaço, reconhecer regras e não perder o controle do próprio dia. A abertura mantém o foco em ações e reações e evita frases prontas sobre luto.

June entra em uma escola internacional de alto padrão e tenta encontrar seu lugar entre colegas que dominam códigos internos. June conhece pessoas, faz amizade e aprende a medir o que diz e o que cala para circular sem desgaste imediato. Will se aproxima e o namoro oferece um eixo mais estável dentro do colégio. James, melhor amigo de Will, provoca atritos com June e cria conflito direto dentro do grupo. June começa a desconfiar de atitudes e de informações que circulam, enquanto sinais de segredos aparecem no ambiente.

Mia Jenkins interpreta June com gestos econômicos e controle de voz, e sustenta a personagem sem transformar cada cena em explicação. Jenkins alterna contenção e impulso quando June precisa se aproximar, recuar e decidir como responder a provocações. A atriz mantém o luto como dado prático, visível em pausas e em escolhas de olhar, sem discurso. Jenkins dá firmeza a cenas de atrito com James e evita uma postura passiva para June. Esse trabalho dá consistência ao percurso da protagonista e reduz a sensação de repetição nos mesmos conflitos.

James e Will no triângulo

Pepe Barroso Silva compõe James com presença inquieta e associa o personagem a uma vida perigosa ligada a lutas clandestinas de MMA. Barroso Silva usa gestos diretos e uma postura de confronto para marcar risco no convívio escolar. Luca Melucci sustenta Will como aluno exemplar, com fala medida e postura constante, sem caricatura de “certinho”. A diferença entre James e Will fica clara por atitude e ritmo de cena, não por explicação verbal. A repetição do mesmo tipo de atrito entre os três pesa em pontos específicos e faz o andamento perder força antes de retomar o impulso.

Roger Kumble dirige com atenção à circulação dentro do colégio e resolve muita informação por encontros curtos em espaços comuns. Kumble mantém as cenas em ação: aproximar-se, confrontar, recusar, aceitar, voltar atrás. A direção privilegia cortes rápidos e mantém o ritmo alto, o que ajuda a situar relações e hierarquias sem alongar diálogos. Alguns trechos ficam menos nítidos quando informação e reação entram muito juntas e passam rápido. Ainda assim, o desenho geral mantém o movimento constante e força June a agir diante de cada pressão.

Desconfiança, segredos e alianças

Veronica Galli e Serena Tateo escrevem relações marcadas por desconfiança e por segredos dentro da escola de elite, sem recorrer a frases absolutas sobre todos ao redor. As roteiristas ligam cada avanço do namoro com Will a um novo atrito com James, mantendo o triângulo como problema prático. O texto injeta informações em sequência para sugerir riscos no ambiente, e parte dessas passagens dispersa a atenção e enfraquece conexões imediatas. Galli e Tateo acertam quando deixam escolhas e atitudes carregarem a cena sem explicação adicional. Esse modo de escrita mantém o foco no presente e evita que a história vire uma coleção de declarações.

Andrea Guo, Michelangelo Vizzini, Madior Fall e Vanessa Donghi reforçam o ambiente escolar como espaço de alianças e disputa, com relações que mudam conforme interesses. As interações de grupo colocam June sob pressão para escolher a quem dar confiança e a quem negar acesso, e mudam o tom de cenas que começam cordiais e terminam tensas. O filme evita detalhar resolução e mantém os conflitos ligados a luto, desejo e risco dentro do cotidiano escolar. June precisa decidir com quem se alinhar sem saber até onde os conflitos e riscos ao redor podem escalonar.

Filme: Love Me, Love Me
Diretor: Roger Kumble
Ano: 2026
Gênero: Drama/Romance
Avaliação: 7/10 1 1
★★★★★★★★★★