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Aventura épica com Tom Cruise baseada em história real: um dos filmes mais bonitos dos últimos 25 anos Divulgação / Warner Bros

Aventura épica com Tom Cruise baseada em história real: um dos filmes mais bonitos dos últimos 25 anos

“O Último Samurai”, dirigido por Edward Zwick, coloca Nathan Algren (Tom Cruise) no meio de um Japão em transformação, onde ele é contratado para treinar as tropas do imperador Meiji contra os samurais liderados por Katsumoto (Ken Watanabe), mas acaba dividido entre cumprir sua missão e respeitar o código de honra do inimigo.

Algren chega ao Japão como um veterano marcado por guerras anteriores e por decisões que ainda pesam. Ele aceita o contrato porque precisa de dinheiro e de algum tipo de propósito. Sua tarefa é clara: organizar camponeses recrutados às pressas e transformá-los em um exército moderno, capaz de enfrentar guerreiros experientes. O problema é que o tempo é curto, a pressão política é grande e os soldados mal sabem segurar um rifle. Ao acelerar o treinamento para satisfazer o palácio imperial, ele coloca homens despreparados em risco real.

O primeiro confronto deixa claro que disciplina não se constrói da noite para o dia. A decisão de enfrentar os samurais antes de estar pronto cobra um preço alto. Algren perde o controle da situação, é capturado e vê sua posição de comandante virar pó. O que era uma missão estratégica se transforma em sobrevivência.

Prisioneiro entre inimigos

Levado para a vila de Katsumoto, Algren passa de instrutor a prisioneiro observado. Em vez de executá-lo, Katsumoto decide mantê-lo vivo. Ele quer entender aquele homem e o mundo que ele representa. Essa escolha muda tudo. Algren ganha tempo e começa a acompanhar de perto a rotina dos samurais: os treinos com espada, o silêncio respeitoso, a disciplina quase ritual.

Ken Watanabe constrói um Katsumoto firme, mas nunca caricato. Ele defende sua tradição com serenidade e convicção, consciente de que o imperador está abrindo o país ao Ocidente e enfraquecendo o papel dos samurais. Ao permitir que Algren circule pela vila sob vigilância, ele mantém o controle da situação e, ao mesmo tempo, cria um espaço de diálogo inesperado.

A convivência faz Algren rever suas próprias experiências militares. Ele começa a enxergar naquela comunidade algo que havia perdido: propósito. Isso não apaga seu passado, mas altera seu olhar quando surge a chance de retornar ao exército imperial. A decisão deixa de ser automática e passa a ter peso moral concreto.

De volta ao palácio

Quando Algren retorna a Tóquio, encontra um governo decidido a seguir em frente com a modernização. O imperador Meiji aparece cercado por conselheiros que defendem armas, ferrovias e acordos internacionais. A presença de Algren serve como prova de que o Japão quer se alinhar às potências estrangeiras.

Ele tenta explicar a força dos samurais e o risco de subestimá-los, mas enfrenta resistência de oficiais que querem resultados rápidos. Seu conhecimento técnico ainda é respeitado, porém sua autoridade política diminui. Cada palavra que soa como admiração pelo inimigo é vista com desconfiança.

Billy Connolly, como o sargento Zebulon Gant, traz um toque mais direto e até irônico. Ele lembra a Algren que contratos militares não costumam permitir hesitações. A amizade entre os dois humaniza a história e reforça o peso da escolha que se aproxima.

Guerra, honra e escolha

À medida que a batalha final se aproxima, o conflito deixa de ser apenas militar. Algren precisa decidir onde estará quando os exércitos se encontrarem novamente. A escolha redefine sua posição e coloca em risco tudo o que ele construiu até ali.

Edward Zwick conduz as cenas de ação com clareza e energia, mas o que realmente sustenta o filme é o choque entre visões de mundo. Rifles modernos enfrentam espadas tradicionais, mas o embate principal é interno. Tom Cruise entrega um Algren mais contido do que o habitual, deixando que as dúvidas apareçam no olhar e nos gestos.

“O Último Samurai” funciona como épico de guerra e como drama pessoal. Ele não transforma tradição e modernidade em discurso vazio; coloca personagens diante de decisões difíceis, com consequências reais. Sem revelar o desfecho, basta dizer que cada passo dado por Algren tem custo. E, no fim, o que fica não é apenas a imagem da batalha, mas o peso da escolha feita em campo aberto.

Filme: O Último Samurai
Diretor: Edward Zwick
Ano: 2003
Gênero: Ação/Aventura/Biografia/Drama/Guerra
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.