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Baseado em obra de Ivan Turgenev, curta indicado ao Oscar 2026 chega à Netflix Divulgação / Highway West Entertainment

Baseado em obra de Ivan Turgenev, curta indicado ao Oscar 2026 chega à Netflix

Em “Os Cantores”, dirigido por Sam A. Davis e estrelado por Michael Young, Chris Smither e Will Harrington, tudo acontece dentro de um bar simples, frequentado por homens que carregam frustrações pessoais e pouco têm além da rotina e de um balcão compartilhado. O conflito central nasce quando uma cantoria improvisada deixa de ser passatempo e vira uma disputa por atenção e dignidade.

O personagem de Michael Young é quem puxa a primeira música. Ele não faz discurso nem pede licença; começa a cantar como quem tenta quebrar um silêncio pesado demais. O gesto parece pequeno, mas muda o clima do lugar. Alguns encaram com ironia, outros observam com curiosidade. Ao insistir, ele conquista os primeiros acompanhamentos e ganha, ainda que por instantes, o centro das atenções.

Chris Smither interpreta um homem mais reservado, acostumado a manter o controle emocional. A cantoria o incomoda. Em vez de ignorar, ele responde com outra música, mais intensa, quase como desafio. A troca de versos vira duelo discreto. Cada um tenta se impor pelo timbre, pelo volume, pela escolha da canção. O bar deixa de ser apenas cenário e passa a funcionar como palco onde a hierarquia do grupo é constantemente testada.

Will Harrington surge como peça-chave nessa tensão. Seu personagem percebe que a rivalidade pode sair do controle e tenta propor uma espécie de equilíbrio, sugerindo que dividam os versos e compartilhem o momento. Ele age menos por idealismo e mais por necessidade prática: aquele espaço é tudo o que eles têm. Ao negociar o formato da cantoria, tenta preservar a convivência e evitar que o confronto rompa laços já frágeis.

A comédia aparece nos detalhes. Um erro de letra, um improviso mal-sucedido, um comentário atravessado arrancam risadas genuínas. Esses momentos aliviam a tensão, mas também expõem vulnerabilidades. O riso não é só diversão; é uma forma de mostrar que todos ali estão um pouco à deriva. E o filme sabe usar esse humor para humanizar figuras que poderiam facilmente virar caricatura.

Sam A. Davis conduz a história com leveza. A câmera observa de perto, sem pressa, e permite que os silêncios tenham peso. Algumas reações ficam fora de quadro, o que aumenta a curiosidade sobre o que está sendo pensado, mas não dito. Esse controle do tempo dá ao curta um ritmo próprio, mantendo o foco nos rostos, nas pausas, nas trocas de olhar que revelam mais do que qualquer fala.

O interessante é como a música muda as relações. O que era rotina ganha intensidade. O que era silêncio vira disputa. Aos poucos, cada personagem revela o que está em jogo: orgulho, necessidade de pertencimento, desejo de ser ouvido. Michael Young transmite fragilidade por trás da iniciativa ousada. Chris Smither constrói uma presença firme, quase defensiva. Will Harrington atua como ponte entre extremos, tentando manter o grupo coeso.

“Os Cantores” não aposta em grandes reviravoltas. Sua força está na observação de homens comuns tentando recuperar alguma forma de dignidade através da própria voz. O curta entende que, naquele bar, cantar não é apenas entretenimento; é reivindicar espaço, mesmo que por poucos minutos. E quando a música se impõe, o ambiente nunca mais volta exatamente ao que era antes.

Filme: Os Cantores
Diretor: Sam A. Davis
Ano: 2025
Gênero: Comédia/Drama
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.