“Garotas em Fuga” é aquele tipo de filme que começa como uma comédia de estrada despretensiosa e, aos poucos, vai revelando um gosto especial pelo caos. Jamie (Margaret Qualley) está emocionalmente à deriva depois de um término, enquanto Marian (Geraldine Viswanathan) tenta manter algum controle e sanidade. As duas decidem viajar juntas para espairecer, mas o que parecia só uma fuga emocional vira uma sucessão de encontros errados, decisões impulsivas e situações que saem do controle rápido demais.
Margaret Qualley carrega o filme com uma energia inquieta, quase imprudente, que faz Jamie parecer sempre um passo à frente do bom senso. Geraldine Viswanathan funciona como o contrapeso perfeito: mais contida, observadora, tentando apagar incêndios antes que eles virem explosões. A dinâmica entre as duas é o motor da história, e é nela que o humor mais funciona, especialmente quando uma tenta contornar os estragos causados pela outra.
Quando personagens vividos por Pedro Pascal, Matt Damon e Colman Domingo entram em cena, o filme ganha um tempero extra de tensão e absurdo. São figuras que surgem como obstáculos inesperados, nunca totalmente confiáveis, e que forçam as protagonistas a improvisar o tempo todo. Ethan Coen brinca com o desconforto dessas situações, usando o humor como distração, mas deixando claro que sempre há algo em jogo, mesmo quando a cena parece leve.
Sem precisar explicar demais ou transformar tudo em lição, “Garotas em Fuga” aposta em personagens imperfeitas, escolhas questionáveis e consequências imediatas. É um filme que funciona melhor quando abraça o descontrole, o timing estranho e a sensação de que qualquer passo em falso pode mudar tudo. No fim das contas, não é sobre chegar a um destino específico, mas sobre o preço de seguir em frente quando nada sai exatamente como planejado.
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