“Buscando” acompanha David Kim (John Cho), um pai viúvo que vê sua rotina virar de cabeça para baixo quando a filha adolescente desaparece sem deixar explicações. Depois de recorrer à polícia e enfrentar a lentidão natural dos procedimentos, ele toma uma decisão que muda o rumo da investigação: acessar o computador da filha em busca de qualquer pista que explique seu sumiço. A partir daí, cada clique passa a carregar peso emocional, risco e urgência.
John Cho sustenta o filme com uma atuação contida e muito eficaz. David não é um herói preparado para a situação, mas um homem comum tentando entender quem era a própria filha fora do convívio diário. O filme acerta ao mostrar esse desconforto: quanto mais ele descobre sobre a vida digital da jovem, mais percebe o quanto desconhecia sua intimidade. Essa constatação não vem como discurso, mas como consequência prática de cada nova informação acessada.
A investigação oficial entra em cena por meio da detetive Vick, vivida por Debra Messing, que funciona como contraponto institucional à ansiedade de David. Ela segue protocolos, impõe limites e filtra informações, enquanto o pai opera no improviso, guiado pela urgência emocional. Essa tensão entre método e desespero é um dos motores do suspense, porque nunca fica claro quem realmente controla o avanço da busca.
Um dos grandes méritos de “Buscando” é transformar ferramentas cotidianas em elementos dramáticos. E-mails, redes sociais, históricos de navegação e chamadas de vídeo deixam de ser ruído de fundo e passam a funcionar como pistas concretas. O filme não trata a tecnologia como vilã nem como solução mágica; ela é apenas o meio possível, cheio de lacunas, mal-entendidos e interpretações perigosas.
Joseph Lee aparece em um papel que ajuda a ampliar o retrato social ao redor da adolescente desaparecida, reforçando que nenhuma investigação acontece no vácuo. Cada personagem acrescenta camadas ao quebra-cabeça, mas também impõe novos limites ao que pode ser revelado ou confirmado. Nada vem de graça, e cada avanço cobra um preço emocional claro.
Mesmo com a tensão constante, o filme encontra espaço para pequenos momentos de humor nervoso, quase involuntário, que surgem do choque entre gerações e do uso pouco intuitivo das ferramentas digitais por David. Esses instantes aliviam a pressão sem quebrar o clima, lembrando que estamos acompanhando alguém que aprende enquanto erra.
“Buscando” funciona porque nunca perde o foco humano por trás do mistério. Mais do que descobrir o que aconteceu, o filme observa o custo de tentar controlar uma situação que escapa pelas telas, pelos prazos e pelas regras institucionais. É um suspense eficiente, atual e emocionalmente envolvente, que prende não pelos truques, mas pela sensação constante de urgência e vulnerabilidade.
★★★★★★★★★★




