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Aventura alucinante com Chris Evans e Zoe Saldana no Prime Video é um dos melhores filmes de ação para ver neste fim de semana Divulgação / Warner Bros. Pictures

Aventura alucinante com Chris Evans e Zoe Saldana no Prime Video é um dos melhores filmes de ação para ver neste fim de semana

“Os Perdedores” abre com Clay e sua equipe em missão na Bolívia, operando como unidade de elite acostumada a obedecer ordem e a contar com estrutura. Essa rotina cai de uma vez quando a traição acontece e o grupo passa a existir no modo invisível, sem rádio confiável, sem superiores para ligar, sem bandeira para abrir caminho. A primeira decisão não é heroica, é logística, sair vivo, sumir do mapa e descobrir como se mover sem chamar atenção. A partir daí, cada passo passa a custar mais tempo, mais espera e mais energia, porque até comprar uma passagem ou entrar num lugar exige cuidado.

Com isso, “Os Perdedores” troca o impulso de revanche por tarefa diária, Clayton, Jensen, Roque, Pooch e Cougar precisam montar um plano com o que têm no bolso e no corpo. O roteiro trata a equipe como ferramenta de sobrevivência, um cobre o outro, alguém vigia a porta, alguém troca de roupa, alguém calcula rota, e cada ajuste de caminho rouba minutos e aumenta a chance de erro. O inimigo, conhecido apenas como Max, age à distância, decide de longe e obriga o grupo a gastar horas em deslocamento e em tentativas de antecipar o próximo golpe, sem certeza de quem está olhando.

Chave, rota e esconderijo

Jeffrey Dean Morgan segura bem Clay como líder que precisa manter o time unido enquanto também engole a humilhação de ter sido descartado. Ele trabalha o personagem menos como comandante impecável e mais como alguém tentando impedir que a raiva vire pressa. Em cenas de negociação e de movimento, Morgan coloca Clay sempre fazendo conta, quem fala demais, quem puxa o gatilho cedo, quem faz barulho sem perceber. O ganho é direto, o espectador vê um chefe coordenando gente cansada, com fome e com pouca confiança no mundo, e isso dá peso ao improviso mesmo quando o filme busca leveza.

A química do grupo ajuda, e Idris Elba se destaca como Roque, um sujeito que mistura ironia e prontidão, sempre pronto para o confronto, mas atento ao que a equipe vai perder se errar a mão. Elba traz presença física e uma energia de proteção que combina com a proposta de “um por todos”, sem transformar a história em discurso. Quando a ação aperta, Roque é o tipo de personagem que segura a linha, e esse papel cobra caro, porque exige ficar por último, olhar para trás, garantir retirada e aguentar o impacto que o resto do time não pode tomar.

Carro trocado e porta aberta

Sylvain White dirige com gosto por grandes sequências de ação e por poses de quadrinho, apostando em enquadramentos limpos, cortes rápidos e uma alternância constante entre tiroteio e conversa tensa em esconderijo improvisado. O filme insiste nesse cotidiano de fuga, entrar e sair de lugares, trocar de carro, mudar roupa, ficar de olho em câmera, e isso dá à aventura uma sensação prática de movimento, como se cada local fosse só uma parada rápida antes da próxima corrida. Em contrapartida, há momentos em que Max parece mais um botão que empurra a próxima sequência do que uma presença que pesa por si, e algumas passagens ficam com gosto de piloto automático.

Zoe Saldana entra como Aisha, a aliada misteriosa que oferece recurso e acesso, mas cobra confiança e coloca o grupo em posição delicada, aceitar ajuda significa assumir um novo risco. Saldana traz firmeza e um tipo de charme que não depende de fragilidade, ela chega e muda a equação, abre porta, traz informação e também acende desconfiança entre os próprios “perdedores”. O filme rende mais quando trata essa parceria como negociação, com cuidado e suspeita dos dois lados, e deixa a equipe sempre testando o limite do que pode pedir sem perder o controle do plano.

O roteiro de James Vanderbilt e Peter Berg se apoia na ideia de vingança organizada, mas evita mergulhar em detalhes complexos, preferindo o caminho da aventura ágil. Isso ajuda o ritmo e dá espaço para a dinâmica do grupo, porém limita o longa quando ele tenta parecer mais esperto do que precisa. Ainda assim, “Os Perdedores” cresce quando acompanha o trabalho miúdo da equipe, dividir tarefa, combinar sinal, controlar volume de voz, escolher rota, recuar quando dá errado e insistir quando não há opção, sem pedir licença a ninguém.

A melhor parte é ver esse time funcionando na prática, não em fala de camaradagem, e a última impressão que fica, sem entrar em resolução, é bem concreta, um grupo reunido por segundos, respirando curto, conferindo munição e olhando para os lados antes de atravessar a próxima esquina.

Filme: Os Perdedores
Diretor: Sylvain White
Ano: 2010
Gênero: Ação/Aventura/Comédia/Crime/Mistério/Thriller
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★