“Um Senhor Estagiário” parte de uma premissa simples e eficaz: Ben Whittaker (Robert De Niro), um viúvo de 70 anos, decide voltar ao mercado de trabalho e acaba como estagiário em uma startup de moda comandada por Jules Ostin (Anne Hathaway). A ideia poderia soar forçada, mas o filme encontra força justamente na observação cotidiana desse choque de ritmos, expectativas e linguagens dentro do escritório.
Ben não chega para ensinar ninguém nem para provar superioridade. Ele observa, ajuda onde pode e entende rapidamente que aquele ambiente funciona à base de pressa, pressão e decisões tomadas no limite. Robert De Niro constrói o personagem com economia, apostando em gestos, postura e escuta, o que dá credibilidade à presença dele naquele espaço jovem. A experiência de Ben vira um recurso silencioso, nunca uma bandeira, e isso evita qualquer tom de lição de moral.
Do outro lado está Jules, interpretada por Anne Hathaway com energia e desgaste visíveis. Ela é a fundadora da empresa, centraliza tudo e tenta sustentar crescimento, liderança e vida pessoal ao mesmo tempo. O filme é mais interessante quando acompanha essa sobrecarga sem glamour, mostrando como cada pequena decisão cobra um preço prático. Jules não é retratada como heroína nem como vilã, mas como alguém tentando não perder o controle do que construiu.
A relação entre Ben e Jules cresce a partir de necessidades concretas. Ele oferece apoio, organização e calma. Ela oferece espaço, confiança e permanência. Não há atalhos emocionais nem conflitos fabricados. Tudo se desenvolve por acúmulo, por pequenas ações que mudam a dinâmica do dia a dia. É aí que o filme acerta: transforma convivência em motor dramático.
A comédia aparece de forma leve, baseada no desconforto inicial de Ben com a cultura corporativa jovem e na reação da equipe à formalidade dele. Os momentos de humor funcionam porque têm efeito imediato e não quebram o tom geral da história. Nada é exagerado a ponto de virar caricatura.
Nancy Meyers dirige com clareza e conforto, sem tentar reinventar a roda. O filme não surpreende, mas também não promete mais do que entrega. “Um Senhor Estagiário” funciona como uma comédia dramática gentil, que aposta em personagens bem definidos e conflitos reconhecíveis, sustentada principalmente pelo carisma de Robert De Niro e pela solidez de Anne Hathaway. É um filme que avança sem pressa, mas com propósito, e encontra valor justamente nessa cadência.
★★★★★★★★★★


