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O novo vício do Prime Video: um dos mais vistos e com energia de “só mais 5 minutos” Divulgação / Ashland Hill Media Finance

O novo vício do Prime Video: um dos mais vistos e com energia de “só mais 5 minutos”

Como se sabe, as drogas continuam fazendo vítimas mundo afora, sem distinguir entre classe social, faixa etária ou cor da pele. Entorpecentes podem ser o passaporte macabro para um universo fantasioso, melancólico, feito de mentiras e dor, prometendo cem e entregando, sossegadamente, um décimo. A desestruturação familiar é a etapa inicial de um processo que adoece o corpo e o espírito, crescendo com tal força que uma posição das autoridades comprova-se necessária. Sem método, “Boca de Fumo” alimenta a pretensão de contribuir para o debate, porém só provoca constrangimento pelo nonsense involuntário. Michael Dowse faz o que pode com o roteiro de Tom O’Connor e Gary Scott Thompson, mas é pouco diante de tanto erro.

Bom policial, péssimo pai

Ray Seale é um dos melhores quadros da DEA, a agência antidrogas americana, mas não tem se saído tão bem em suas funções domésticas. Para chegar aonde quer, Dowse cerca o protagonista, investiga-lhe os medos por debaixo da cara de mau e da armadura de herói, até vislumbrar um coração aflito, que pressente o inimigo ameaçar o que tem de mais valioso. Aos poucos, o diretor explica que Ray está viúvo há algum tempo, imerso no trabalho, e sugere que essa seria uma das razões para o afastamento entre ele e o filho, Cody. Uma das grandes fragilidades da trama é a química deficiente entre Dave Bautista e Jack Champion, cada qual ocupado com a veracidade de sua performance, o que acaba por comprometer a coesão da história. Quando Dowse tenta, no segundo ato, consertar o equívoco, uma terceira figura surge como respiro cômico, sem muito êxito.

A velha fórmula

Frente ao que vinha sendo apresentado, ”Boca de Fumo“ escapa do desastre completo com Andre Washburn, o coadjuvante de luxo vivido por Bobby Cannavale. É ele quem segura as pontas enquanto Ray faz um esforço para sucumbir à tristeza depois de remexer seus baús de ossos e ter a avassaladora certeza de que é responsável pela nova vida de Cody, o mote principal do filme. Ao cabo de 102 minutos, só o que se pode dizer é que é preciso ser muito tolo para falar de trabalho em casa quando se é um homem como Ray Seale.

Filme: Boca de Fumo
Diretor: Michael Dowse
Ano: 2025
Gênero: Ação/Crime
Avaliação: 7/10 1 1
★★★★★★★★★★
Giancarlo Galdino

Depois de sonhos frustrados com uma carreira de correspondente de guerra à Winston Churchill e Ernest Hemingway, Giancarlo Galdino aceitou o limão da vida e por quinze anos trabalhou com o azedume da assessoria de políticos e burocratas em geral. Graduado em jornalismo e com alguns cursos de especialização em cinema na bagagem, desde 1º de junho de 2021, entretanto, consegue valer-se deste espaço para expressar seus conhecimentos sobre filmes, literatura, comportamento e, por que não?, política, tudo mediado por sua grande paixão, a filosofia, a ciência das ciências. Que Deus conserve.